Morre Patrick Stewart, eterno Capitão Picard de Star Trek e Professor Xavier de X-Men, aos 86 anos
Ícone de Star Trek e X-Men, o ator britânico Patrick Stewart morre aos 86 anos em Los Angeles após luta contra o Alzheimer.
O ator britânico Patrick Stewart, que levou a formação clássica do teatro de William Shakespeare para o comando da nave Enterprise em Jornada nas Estrelas: A Nova Geração e para a liderança dos mutantes da Marvel em X-Men, morreu na última quarta-feira, dia 28 de outubro, aos 86 anos. O falecimento ocorreu na residência do artista em Los Angeles, nos Estados Unidos.
A confirmação foi feita por sua porta-voz de longa data, Kelly Bush Novak. Segundo o comunicado oficial, o veterano enfrentou uma jornada breve contra a doença de Alzheimer e a demência por corpos de Lewy, partindo cercado pelo abraço de familiares e amigos ao som de música ao vivo e orações: “Guardaremos para sempre a tranquilidade serena e a reflexão em seu rosto, um lembrete duradouro de sua graça invencível”.
Antes de se transformar em um ícone mundial da cultura pop aos 47 anos, o intérprete construiu décadas de carreira nos palcos da Inglaterra, mas ainda era um rosto desconhecido nos Estados Unidos no fim dos anos 1980. Tudo mudou quando o produtor Robert Justman assistiu a uma leitura dramática do britânico na Universidade da Califórnia e decidiu chamá-lo para um teste, contrariando o criador da franquia espacial, Gene Roddenberry, que rejeitava a ideia de escalar um inglês calvo para o papel principal.
Convencido pelos colegas de que tentar reviver o sucesso de William Shatner e Leonard Nimoy duraria apenas alguns meses, o ator assinou um contrato de seis anos acreditando no cancelamento rápido da produção. Na época do anúncio, a imprensa americana o tratou como um ilustre desconhecido, o que levou o colega de elenco Brent Spiner, intérprete do androide Data, a colar uma placa bem-humorada na porta de seu camarim repetindo o rótulo dos jornais.
O sucesso de Jean-Luc Picard e a era dos heróis em X-Men
Estreando em setembro de 1987, a série superou a desconfiança inicial dos fãs e atingiu o auge em 1990 com o gancho dramático em que o capitão Jean-Luc Picard era abduzido pela raça alienígena Borg. Embora no início estranhasse as brincadeiras dos colegas americanos durante as jornadas de 14 horas no estúdio, o veterano aprendeu com a equipe que era possível entregar um trabalho sério e se divertir ao mesmo tempo: “Antes disso, eu sempre achei que as duas coisas não tinham nenhuma ligação”.
A produção televisiva terminou em 1994 após sete temporadas e rendeu quatro longas-metragens para o cinema: Jornada nas Estrelas: Generations, de 1994, Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato, de 1996, Jornada nas Estrelas: Insurreição, de 1998, e Nêmesis, lançado em 2002 com um jovem Tom Hardy como antagonista. Dezessete anos depois da despedida nos cinemas, o astro reassumiu o posto na série Star Trek: Picard, que estreou em janeiro de 2020.
Receoso de ficar marcado por um único personagem na ficção científica, o britânico hesitou antes de aceitar o convite para viver o telepata Charles Xavier em X-Men: O Filme, lançado no Brasil em agosto de 2000. Ao lado do amigo pessoal Ian McKellen, que interpretou o rival Magneto, o ator ajudou a inaugurar a era moderna dos super-heróis nas telonas e reprisou o papel em X-Men 2, de 2003, X-Men: O Confronto Final, de 2006, X-Men Origens: Wolverine, de 2009, Wolverine: Imortal, de 2013, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, de 2014, e no elogiado drama Logan, de março de 2017.
Para o artista, interpretar tanto o comandante espacial quanto o mentor dos mutantes por décadas ofereceu a chance rara de explorar figuras guiadas pela compaixão, sensibilidade e capacidade intelectual: “Viver Jean-Luc por todos esses anos teve um impacto real em mim”.
Infância difícil na Inglaterra, título de cavaleiro e últimos papéis
Nascido em 13 de julho de 1940 em Mirfield, na Inglaterra, Patrick Stewart era o caçula de três irmãos e cresceu em um lar marcado pela violência doméstica. Seu pai, Alfred, veterano da Segunda Guerra Mundial evacuado de Dunquerque que sofria de estresse pós-traumático não diagnosticado, tinha problemas com o álcool e agredia fisicamente a esposa, Gladys. O trauma de infância levou o ator a encontrar nos palcos um refúgio seguro e a defender causas de veteranos de guerra e vítimas de abuso doméstico ao longo da vida adulta.
Aos 15 anos, trabalhou como repórter em um jornal local, mas pediu demissão no ato quando o editor exigiu que ele escolhesse entre a redação e os grupos de teatro. Após vender móveis para se sustentar e conquistar uma bolsa de estudos aos 18 anos na escola Bristol Old Vic, ingressou aos 26 na prestigiada Royal Shakespeare Company. No cinema, estreou em Hollywood como o rei Leondegrance em Excalibur, de 1981, e viveu Gurney Halleck em Duna, dirigido por David Lynch em 1984.
Acumulando indicações ao Emmy e ao Globo de Ouro por produções como Moby Dick, de 1998, O Leão no Inverno, de 2003, Hamlet, de 2010, e as comédias Extras e Blunt Talk, o artista também emprestou a voz por anos à animação American Dad!. Entre seus últimos trabalhos estão As Panteras, de novembro de 2019, e a dublagem na comédia policial Os Detetives Ovelhas, lançada em 2026.
Condecorado com o título de cavaleiro pela rainha Elizabeth II em 2010, honraria que sempre descreveu como algo surreal para sua origem humilde, o ator foi casado três vezes. Da primeira união com a coreógrafa Sheila Falconer, entre 1966 e 1990, teve os filhos Daniel e Sophia; depois foi casado com a produtora Wendy Neuss de 2000 a 2003 e, desde 2013, vivia com a cantora de jazz Sunny Ozell, em cerimônia celebrada pelo próprio amigo Ian McKellen.
Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema.
Apaixonado por histórias que transformam.
Contato: matheus@nosbastidores.com.br
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