Jafar Panahi, cineasta vencedor da Palma de Ouro, é condenado a mais de 5 anos de prisão no Irã

Premiado em Cannes e indicado ao Oscar, diretor iraniano Jafar Panahi recebe nova pena de 5 anos de prisão e tem bens bloqueados.

Matheus Fragata
Matheus Fragata 3 min de leitura

O premiado cineasta iraniano Jafar Panahi, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, sofreu uma nova ofensiva judicial em seu país natal. Um Tribunal Revolucionário de Teerã condenou o diretor a cinco anos e um mês de prisão em um processo separado da pena anterior de um ano que já pesava contra ele por acusações de propaganda contra o Estado.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa local a partir de declarações do advogado de defesa, Mostafa Nili, o novo veredito foi proferido à revelia, embora a execução imediata de ambas as sentenças dependa de decisão das autoridades. Além do tempo de reclusão, a corte determinou o confisco dos bens do artista, a proibição de usar redes sociais por dois anos e o impedimento de sair do território iraniano pelo mesmo período, sem que as acusações exatas deste novo processo fossem esclarecidas.

A defesa só descobriu a condenação após as contas bancárias do realizador serem bloqueadas repentinamente na semana passada, o que levou o advogado e seu cliente a procurarem o gabinete do promotor na capital. Segundo Nili, os autos do processo alegavam que o réu morava no exterior, ignorando o fato de que Panahi havia desembarcado de volta ao Irã em 30 de março de 2026.

O retorno voluntário a Teerã aconteceu logo após a cerimônia da 98ª edição do Oscar, realizada em Los Angeles. Na premiação da Academia, o longa-metragem mais recente do diretor, Foi Apenas um Acidente, concorreu na categoria de Melhor Filme Internacional representando a França.

Duas décadas de censura e retorno arriscado após o Oscar

Aos 66 anos, o autor acumula embates frequentes com o regime iraniano ao longo dos últimos vinte anos. Em 2010, o veterano foi oficialmente proibido de filmar, conceder entrevistas e viajar para fora do país, restrição que não o impediu de rodar obras premiadas de maneira clandestina, como Isto Não É um Filme, de 2011, Táxi Teerã, vencedor do Urso de Ouro em Berlim em 2015, e Sem Ursos, premiado em Veneza em 2022, somando esses títulos a clássicos anteriores como O Círculo, de 2000, e Fora do Jogo, de 2006.

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Em julho de 2022, o cineasta chegou a ser detido após protestar ao lado de colegas de profissão contra a repressão governamental, permanecendo atrás das grades por cerca de sete meses na prisão de Evin até iniciar uma greve de fome e conquistar a liberdade em fevereiro de 2023. Dois meses depois, as restrições de viagem foram suspensas, permitindo que ele embarcasse para a França para lançar seu novo drama no Festival de Cannes.

Inspirado diretamente nas memórias do período no cárcere, Foi Apenas um Acidente acompanha o encontro explosivo de um grupo de ex-prisioneiros com um guarda acusado de tortura. Mesmo ciente da pena prévia de um ano de cadeia que o aguardava em casa e do clima de tensão crescente na região, o diretor recusou o exílio após a temporada de divulgação internacional.

Em entrevista concedida à imprensa americana antes de voltar ao Oriente Médio, o realizador explicou que sua criação artística depende do contato direto com sua terra natal e descartou fugir das consequências judiciais: “Mesmo que eles queiram levar adiante essa sentença de prisão, podem ir em frente. Nada vai mudar minha opinião sobre voltar”.

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