Lista | Os melhores filmes de Patrick Stewart
Patrick Stewart morreu aos 86 anos. Relembre os filmes que mostram como o ator shakespeariano dominou a ficção científica.
Patrick Stewart morreu na quarta-feira, 28 de outubro, em sua casa em Los Angeles, aos 86 anos. O anúncio foi feito pelas redes sociais do ator, que enfrentava a doença de Alzheimer e a demência com corpos de Lewy. Ele estava ao lado da esposa, a cantora Sunny Ozell, com quem se casou em 2013 numa cerimônia celebrada por Ian McKellen.
Antes de virar Jean-Luc Picard e Charles Xavier, Stewart passou mais de uma década na Royal Shakespeare Company. Aos 17 anos, chegou a trabalhar como repórter e redator de obituários num jornal local de Yorkshire, até o chefe o obrigar a escolher entre jornalismo e teatro. A escolha definiu sete décadas de carreira. A lista abaixo reúne os filmes que melhor explicam por que um ator clássico virou rosto da cultura pop sem nunca baixar o nível.
Excalibur (1981)
O épico arturiano de John Boorman é uma vitrine de atores britânicos que ainda iam estourar. Helen Mirren, Liam Neeson e Gabriel Byrne aparecem no elenco ao lado de Stewart, que vive Leondegrance, pai de Guinevere. É papel pequeno, mas já mostra a autoridade natural que ele levaria para a tela pelos 40 anos seguintes.
Vale rever Excalibur hoje como registro de transição. Stewart ainda era essencialmente um homem do palco, e Boorman filmava a lenda de Arthur quase como ópera. É o encontro perfeito entre os dois mundos que o ator dominaria: o teatro clássico e o cinema de fantasia.
Duna (1984)
A adaptação de David Lynch fracassou nas bilheterias, dividiu a crítica e o próprio diretor passou anos se distanciando do resultado. O tempo transformou o filme em cult, e Stewart é um dos motivos. Ele vive Gurney Halleck, mestre de armas da casa Atreides e mentor de Paul.
A imagem que ficou para a história é bizarra o bastante para ser lembrada por qualquer um: Stewart avançando para a batalha de armadura com um pug no colo. Só um ator com aquela gravidade conseguiria atravessar uma cena dessas sem soar ridículo. Quatro décadas depois, Josh Brolin herdou o papel nas versões de Denis Villeneuve.
Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato (1996)
Picard já era um fenômeno da TV quando chegou ao cinema, mas foi aqui que o personagem ganhou um filme à altura. Dirigido por Jonathan Frakes, o Riker da série, Primeiro Contato coloca a tripulação da Enterprise contra os Borg, ciborgues que haviam assimilado Picard anos antes na série. A Rainha Borg de Alice Krige virou uma das vilãs mais marcantes da franquia.
É o melhor filme da fase A Nova Geração porque explora o trauma do capitão. Picard aqui não é o diplomata sereno da TV. É um homem obcecado por vingança, e Stewart encara o momento com a intensidade de quem tinha anos de Shakespeare nas costas. Há uma cena de explosão em que ele destrói maquetes de naves com um rifle que parece saída diretamente de Moby Dick, referência que o próprio roteiro deixa explícita.
O Príncipe do Egito (1998)
A voz de Stewart era um instrumento à parte, e a DreamWorks soube usar isso na animação que conta a história de Moisés. Ele dubla Seti I, o faraó que cria Moisés como filho e é responsável pelo massacre dos bebês hebreus. A personagem tem pouco tempo de tela, mas é ela que carrega o peso moral do primeiro ato.
O filme venceu o Oscar de Melhor Canção Original e segue como uma das animações mais ambiciosas da época. Stewart faria muitos outros trabalhos de voz depois, de American Dad aos games The Elder Scrolls IV: Oblivion e Castlevania: Lords of Shadow. Seti I ficou como prova de que ele não precisava aparecer para dominar uma cena.
X-Men 2 (2003)
X-Men: O Filme, de 2000, apresentou um dos castings mais acertados da história dos super-heróis. Mas foi na sequência de Bryan Singer que Stewart teve espaço de verdade. Charles Xavier é capturado, manipulado por William Stryker e obrigado a usar o Cérebro contra todos os mutantes do planeta.
O coração do filme é a relação entre Xavier e Magneto, e o que aparece na tela é reflexo de uma amizade real. Stewart e McKellen eram amigos íntimos fora das câmeras, ao ponto de McKellen celebrar o casamento do colega anos depois. A cena dos dois conversando na prisão de plástico, jogando xadrez, funciona porque não parece atuação.
Sala Verde (2016)
Ninguém esperava ver Patrick Stewart como líder de uma gangue neonazista. No thriller de Jeremy Saulnier, ele interpreta Darcy Banker, dono de um bar de skinheads no interior dos Estados Unidos. Uma banda punk presencia um assassinato nos bastidores e fica presa no camarim, enquanto Darcy organiza com calma a eliminação dos jovens.
É talvez a atuação mais assustadora da carreira dele, exatamente porque Stewart não levanta a voz. Darcy é um gerente pragmático do horror, que fala de assassinato como quem resolve um problema logístico. O filme também ficou marcado como um dos últimos trabalhos de Anton Yelchin, que morreu meses depois do lançamento.
Logan (2017)
James Mangold encerrou a era de Hugh Jackman como Wolverine com um faroeste melancólico, e Stewart roubou boa parte do filme. Charles Xavier aparece com mais de 90 anos, sofrendo de uma doença degenerativa no cérebro que provoca convulsões capazes de paralisar quem estiver por perto. O homem mais poderoso do mundo virou uma ameaça que precisa ser escondida no meio do deserto.
Rever Logan hoje dói de outro jeito. Stewart construiu um Xavier confuso, irritado, frágil, que ainda luta para lembrar quem foi. A cena no hotel, em que ele finalmente se permite um momento de paz com uma família desconhecida, está entre as mais bonitas do gênero. Ele ainda retornaria como Professor X em Vingadores: Doutrina, previsto para dezembro, mas é difícil imaginar uma despedida mais digna do personagem do que esta.
Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema.
Apaixonado por histórias que transformam.
Contato: matheus@nosbastidores.com.br
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