Capcom quer transformar a RE Engine em um ‘motor de jogos de geração por IA’
Em conferência, programador da Capcom detalhou o projeto REX, que quer evoluir a RE Engine para que a IA gere programas e teste jogos sozinha.
A Capcom quer que a RE Engine, motor gráfico que sustenta a atual fase de sucessos da empresa, passe a ser construída pensando na inteligência artificial. A proposta foi apresentada pelo programador Satoshi Ishida na Capcom Open Conference RE: 2026, evento de tecnologia realizado pela desenvolvedora de Resident Evil na sexta-feira (2). O site japonês GameBiz cobriu a palestra.
O que é o projeto REX
Segundo Ishida, o REX é uma iniciativa criada para atacar os problemas que deixam o desenvolvimento de jogos triple-A cada vez mais demorado. A lista inclui desempenho, ferramentas, eficiência da produção e controle de qualidade (QA), entre outros pontos.
Dentro desse pacote de melhorias, o programador anunciou o compromisso de evoluir a RE Engine para o que chamou de “motor de jogos de geração por IA”.
Por que a linguagem de programação importa
O REX vai usar uma linguagem de programação mais comum, o que, de acordo com Ishida, facilita a compreensão do código pela IA. A ideia é que, no futuro, a tecnologia consiga criar programas automaticamente e fazer partidas de teste para encontrar bugs.
A Capcom também pretende abrir parte de suas tecnologias na internet, para que possam ser usadas no treinamento de modelos de IA. A meta final, nas palavras do programador, é um futuro em que a empresa “crie jogos junto com a IA”.
Um motor que já virou marca registrada
A RE Engine estreou em Resident Evil 7 (2017) e, desde então, foi usada em quase 30 jogos. Compartilhar melhorias entre os títulos é apontado como um dos motivos da sequência de hits recentes da Capcom.
A IA para a Capcom: ferramenta, não arte
A fala de Ishida contrasta com o discurso anterior da empresa. Shinichi Inoue, vice-presidente de plataforma de desenvolvimento e soluções de IA, já afirmou que a Capcom vê a tecnologia como forma de liberar o potencial dos criadores, e não de produzir arte, e que a empresa não usa IA para gerar arte.
Inoue explicou que a intenção é voltar a um tempo em que as pessoas discutiam ideias, chegavam a um consenso e as colocavam em prática, com todos entendendo o contexto e as intenções. Para isso, a Capcom quer oferecer um modelo de contexto que apoie a comunicação entre pessoas e deixe as intenções claras.
O assunto ganhou força depois que Jack Buser, executivo do Google Cloud, disse que os jogos favoritos do público já foram feitos com ajuda de IA, e que quase todo estúdio usa a tecnologia, nem sempre dizendo. A Capcom foi citada como um dos exemplos.