EA fecha a BioWare, criadora de Dragon Age, e cancela o próximo Mass Effect
BioWare encerra mais de 30 anos de história após a compra da EA pelo fundo saudita; cerca de 400 vagas serão cortadas.
Comandante Shepard não vai voltar. A Electronic Arts anunciou nesta quarta-feira (21) o fechamento da BioWare, estúdio canadense responsável por algumas das séries de RPG mais queridas da história, e o fim do desenvolvimento do próximo Mass Effect. O projeto, revelado em 2020, ainda estava em estágio inicial.
A notícia veio num comunicado da própria BioWare nas redes sociais. O texto relembra a trajetória de mais de três décadas, cita Baldur’s Gate, Neverwinter Nights, Star Wars: Knights of the Old Republic, Dragon Age, Mass Effect e Anthem, e agradece aos jogadores por terem debatido escolhas e se apaixonado pelos personagens. O estúdio diz que, agora, o foco é apoiar a equipe durante a transição.
https://t.co/TicSujMWps
— BioWare (@bioware) October 21, 2026
A conta da compra bilionária
O fechamento é o primeiro grande efeito visível da venda da EA. Há dois meses, a empresa concluiu sua aquisição pelo Public Investment Fund, fundo soberano da Arábia Saudita, numa operação de US$ 55 bilhões que tirou a companhia da bolsa.
O negócio foi feito com forte alavancagem. A EA ficou com dívida de cerca de US$ 18 bilhões, o que significa aproximadamente US$ 1,8 bilhão por ano só em juros. Neste ano, a empresa já havia prometido aos credores um corte de US$ 700 milhões em custos anuais.
Segundo a imprensa americana, uma carta interna assinada pelo diretor de operações David Tinson e pelo chefe de estúdios Cam Weber fala numa revisão profunda do negócio nos últimos meses. A EA vai cortar cerca de 400 vagas, perto de 3% do quadro, incluindo cerca de 50 pessoas na BioWare.
De Edmonton ao topo dos RPGs
A BioWare nasceu em 1995, fundada por dois médicos, Ray Muzyka e Greg Zeschuk. Baldur’s Gate e Neverwinter Nights colocaram o estúdio no mapa, e Star Wars: Knights of the Old Republic provou que ele sabia dar peso a escolhas morais como poucos.
A EA comprou a empresa em 2007, ano em que o primeiro Mass Effect chegou às lojas. A trilogia de Shepard virou referência em narrativa interativa, com decisões que atravessavam três jogos. Dragon Age consolidou a fama do estúdio na fantasia medieval.
Tropeços e uma promessa que não se cumpriu
Os anos recentes foram turbulentos. Mass Effect: Andromeda, de 2017, decepcionou. Anthem, aposta em tiro online de 2019, fracassou e teve os servidores desligados. Dragon Age: The Veilguard, de 2024, recebeu críticas majoritariamente positivas, mas a própria EA admitiu depois que o jogo ficou abaixo das expectativas comerciais.
No ano passado, a empresa reduziu o tamanho da BioWare e garantiu que os cortes atingiam quem tinha finalizado The Veilguard. O diretor do novo Mass Effect chegou a tranquilizar os fãs, dizendo que o projeto seguia firme mesmo com a venda da EA em andamento.
Na carta aos funcionários, a EA diz que continuará investindo em jogos esportivos, Apex Legends, Battlefield e aventuras de ação como o próximo Star Wars Jedi e Marvel’s Iron Man. Os RPGs que fizeram a fama da BioWare ficam fora da lista.
Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema.
Apaixonado por histórias que transformam.
Contato: matheus@nosbastidores.com.br
Comentários 0
Sem senha nova e sem cadastro. Seu nome e sua foto aparecem no comentário; o e-mail nunca. Ao entrar, você aceita as .
Ninguém comentou ainda. Que tal abrir a conversa?
Ofensa, golpe e spam não entram no ar. Quando o filtro fica em dúvida, o comentário espera a equipe dar uma olhada.