Jermaine Jackson não conseguiu diferenciar o filho do irmão Michael ao ver o filme
Jaafar Jackson anotou a meta de superar Bohemian Rhapsody dois anos antes das filmagens e agora entra na corrida pelo Oscar.
Jermaine Jackson fez questão de esperar. Recusou sessões privadas e assistiu a Michael pela primeira vez na pré-estreia de Berlim, cercado de fãs. Saiu emocionado e subiu ao palco em lágrimas. Na ligação para o filho, no dia seguinte, disse o que nenhum crítico poderia dizer: em vários momentos, não conseguiu distinguir Jaafar do irmão.
O relato foi feito pelo próprio Jaafar Jackson, de 30 anos, em entrevista a um podcast sobre a temporada de premiações. Para o ator, convencer o próprio pai de que estava vendo Michael na tela é o maior elogio possível.
O sorriso que voltou
Segundo Jaafar, Jermaine falou da saudade que sente do irmão e do sorriso dele. Disse que a presença do filho em cenas silenciosas, e principalmente a energia na apresentação de Bad, trouxe Michael de volta por instantes. A família inteira reagiu parecido, de tios a primos de 12 e 13 anos.
O ator confessa ter ficado nervoso antes. Não quis assistir ao lado dos parentes para não ficar preso na cabeça, imaginando o que achavam da atuação. Sabia que ver a própria história reduzida a duas horas pode incomodar.
O desafio era ainda mais pessoal nas cenas com Colman Domingo, que interpreta o avô, Joe Jackson. Jaafar conheceu um avô mais brando, que no máximo cobrava louça lavada e tigela de cereal vazia. O homem com quem Jermaine cresceu era muito mais duro. Ver Domingo comunicar isso com o olhar e o silêncio, conta, foi impressionante.
Uma lista escrita dois anos antes
Muito antes de rodar uma única cena, Jaafar anotou suas metas para o filme. Uma delas era superar Bohemian Rhapsody e passar de US$ 1 bilhão nas bilheterias. Deu certo. Dirigido por Antoine Fuqua, Michael estreou em 23 de abril no Brasil e virou a primeira cinebiografia a cruzar a marca bilionária, além da maior bilheteria da história da Lionsgate.
Ele recebeu a notícia em casa, em telefonemas com Fuqua e com o produtor Graham King. Admite ter se emocionado, pensando no quanto o tio, obcecado por recordes, ficaria orgulhoso. Quanto a Rami Malek, dono do recorde anterior, nada de rivalidade: os dois se conheceram em Paris, e Jaafar só tem elogios.
Primeiro a voz, depois os pés
O caminho até o papel levou cerca de dois anos. Jaafar montou um acervo próprio com músicas, demos, diários, ensaios e shows do tio. Estudou com a preparadora Angela Gibbs e mergulhou nos métodos de Stanislavski, Meisner e Uta Hagen.
A voz veio primeiro, e de um jeito inusitado. Ele mandou a King, sem aviso, uma mensagem de áudio falando como Michael. O produtor ligou na hora e avisou que ele teria um preparador no dia seguinte.
O corpo deu mais trabalho. O passo mais difícil foi subir na ponta dos pés, repetido à exaustão nos ensaios de Bad, a sequência que fecha o filme. Jaafar diz que se machucou várias vezes e ganhou um respeito novo por bailarinos.
O garoto que queria ser golfista
Curiosamente, o palco nunca foi o primeiro sonho. Jaafar começou no golfe aos 4 anos e chegou a disputar torneios. Só mudou de rumo quando o pai o levou a um estúdio e o deixou assistir a uma música nascer do zero. Ele só entendeu o peso do sobrenome por volta dos 6 anos, num show de reunião dos Jackson 5 em Nova York, assustado com os gritos da plateia.
Do tio, guarda lembranças simples. Michael tinha máquinas de doces e pilhas de balas na sala de cinema de casa, e o sobrinho vivia pedindo as de morango e cereja. Também era imbatível no esconde-esconde.
Hoje, Jaafar disputa espaço na conversa do Oscar de melhor ator. Acabou de filmar Supermax, ao lado de Will Smith, na Austrália, um papel sem canto nem dança. Sobre a segunda parte de Michael, diz não ter data nem confirmação, mas garante que a agenda está livre.
Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema.
Apaixonado por histórias que transformam.
Contato: matheus@nosbastidores.com.br
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