Resident Evil chegou aos cinemas com versões diferentes para Brasil e EUA
Zach Cregger admite que Resident Evil ficou pronto às pressas e que a versão internacional tem cenas diferentes.
Resident Evil estreou nos cinemas brasileiros em 17 de setembro, no mesmo fim de semana da estreia americana, e já entrou para a história como a maior abertura da franquia nos cinemas, superando US$ 100 milhões em bilheteria mundial. O que boa parte do público não sabia é que a cópia exibida fora dos Estados Unidos chegou às salas de cinema de forma diferente da versão doméstica, por um motivo puramente logístico de pós-produção.
A revelação partiu do próprio diretor, Zach Cregger, durante participação no podcast The Big Picture. Ele contou que a finalização do filme aconteceu em cima da hora, resultado direto de uma agenda apertada que incluiu o lançamento de Weapons, seu longa anterior, pouco mais de um ano antes de Resident Evil chegar aos cinemas.
A corrida contra o prazo internacional
Segundo Cregger, o filme só ficou pronto “talvez” duas semanas antes da estreia, um cronograma justo até para produções de grande orçamento, mas que se tornou ainda mais apertado por causa do prazo de envio da versão internacional. “Foi lápis no papel até às 23h59 de sábado, porque o DCP precisava ser enviado”, disse o diretor, referindo-se ao Digital Cinema Package, o formato padrão usado para distribuir cópias de filmes às salas de cinema ao redor do mundo.
Como esse prazo internacional vence antes do prazo da versão doméstica americana, Cregger perdeu a janela para aplicar os últimos ajustes na cópia exibida no Brasil e em outros países. “Existem cenas que não me deixam totalmente satisfeito na versão internacional, que ficaram melhores na versão doméstica. Foi o quanto faltou pouco”, afirmou.
O diretor não detalhou exatamente quais planos mudaram entre as duas versões, mas cortes de efeitos visuais e correção de cor costumam ser os últimos processos finalizados antes do lançamento de um filme, especialmente em uma produção com tantas sequências de efeitos como a do laboratório no ato final de Resident Evil.
Uma mudança de rumo no clímax
A pressa na finalização não impediu Cregger de repensar completamente o desfecho da história ao longo da produção. Em outra entrevista recente, o diretor revelou que a versão original do final era ainda mais sombria: Bryan perdia completamente a humanidade após a cientista retirar a seringa dele, esmagando o rosto da personagem e partindo para matar todos ao seu redor sem qualquer hesitação.
Cregger percebeu que esse desfecho deixava a plateia emocionalmente distante da cena final, reduzindo a tensão a um simples “mata todo mundo e pronto”. Por precaução, ele já havia filmado uma cena alternativa em que a cientista guarda a seringa no bolso, sem saber ainda se usaria esse material. “Eu filmei aquele plano só porque tive um pressentimento. Pensei: vou precisar disso”, contou.
Essa cena de reserva acabou virando o “plano B” que moldou o final que chegou aos cinemas. Cregger reconheceu que um dos erros do primeiro rascunho foi não mostrar a desesperação de Bryan por uma cura antes do clímax, e reorganizou a ordem dos eventos para manter essa tensão até o último minuto de projeção.
Apesar dos ajustes de última hora e das pequenas diferenças entre cópias, Resident Evil segue sendo tratado pela crítica como um dos pontos altos do ano no gênero de terror, reforçando a mistura de precisão técnica e decisões de roteiro tomadas quase no fio da navalha que marcou toda a produção do filme.