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Shawn Layden diz que fim dos discos em 2028 abala a reputação da PlayStation

Layden estima 20% de compradores de discos; fim dos discos em 2028 reacende debate sobre posse de jogos.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Para Shawn Layden, o fim dos discos no PlayStation é uma decisão equivocada. O ex-presidente da divisão de estúdios da Sony diz que os jogadores que ainda compram mídia física são poucos, mas formam o grupo mais fiel da base. Ele também acredita que a mudança pode custar caro à imagem da marca.

O anúncio da Sony em 1º de julho

A Sony Interactive Entertainment anunciou em 1º de julho que, a partir de janeiro de 2028, deixará de produzir discos para novos jogos de PlayStation. Depois dessa data, os lançamentos chegarão só em formato digital, pela PlayStation Store ou por códigos vendidos em lojas físicas.

Os jogos lançados ou previstos antes de 2028 continuam saindo em disco, e os discos que os jogadores já têm seguem funcionando. Segundo relatos da imprensa, o CFO Lin Tao disse a investidores que a empresa ouviu as críticas, mas não pretende voltar atrás.

O argumento dos 20% que compram discos

Layden falou sobre o assunto no podcast The Expansion Pass. Ele reconheceu que o download é muito conveniente, a ponto de dispensar até o gesto de colocar um disco no console. Também admitiu não ter estado na sala da decisão e disse desconhecer os números por trás dela, que imagina serem fruto de uma planilha pesada.

Mesmo assim, ele estima que algo como 80% dos jogadores baixam os jogos e 20% compram em mídia física. Para ele, esse grupo é a parte mais fiel do público. São, muitas vezes, pessoas que compram duas cópias de cada título, deixando uma lacrada. Ele compara o comportamento ao dos colecionadores de quadrinhos.

O ex-executivo vê no impulso de colecionar um dos motores centrais do jogador. Citou o caso de quem termina Crash Bandicoot com 27 dos 30 diamantes e precisa recomeçar tudo para achar os que faltam. Segundo ele, esse público gosta de exibir a própria coleção, e é por isso que discorda da decisão.

Dono do jogo ou só acesso a um arquivo digital?

Layden vê um efeito mais insidioso na mudança. O debate deixa de ser sobre jogar e passa a ser sobre ter a posse do jogo ou apenas acesso a um item digital. Para ele, “se você não pode vender uma coisa, não é dono dela”, e comprar só acesso soa menos atraente.

Em situações assim, afirma, as pessoas tendem a imaginar o pior cenário possível. Ele classifica o resultado como um golpe significativo na marca e na reputação da Sony. Reforçou que não tem visão das finanças envolvidas e disse esperar que a decisão tenha feito sentido para a empresa.

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Um crítico recorrente da decisão

Layden entrou na Sony em 1987 e deixou a empresa em 30 de setembro de 2019, como presidente do Worldwide Studios. Nesse período, o estúdio lançou sucessos como God of War, Spider-Man e Horizon.

Esta não é a primeira vez que ele comenta o assunto. Em julho, em entrevista ao Eurogamer, chamou o anúncio de uma decisão bastante dramática e disse esperar um PlayStation 6 sem leitor de discos. Sugeriu que a Sony poderia vender um leitor externo opcional.

Em setembro, ele definiu um futuro sem discos como deprimente, mas solucionável. A saída, segundo ele, seria a Sony licenciar o processo de fabricação de discos a fabricantes independentes, modelo que apontou como exemplo no caso da Microsoft.

Curiosidades sobre o fim da mídia física

O PS5 já tem uma versão sem leitor, o PS5 Digital Edition, que existe desde o lançamento do console. A Sony não confirmou oficialmente se os próximos consoles deixarão de ter leitor de discos.

Após o anúncio, uma petição chamada “Save Physical PlayStation Discs” teria passado de 100 mil assinaturas, segundo veículos internacionais. O abaixo-assinado pedia que a empresa mantivesse a produção de mídia física.

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