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Trump cancela transmissão ao vivo da execução do atirador de Fort Hood após reação negativa

Execução de Nidal Hasan, a primeira do Exército dos EUA desde 1961, ocorre em 3 de dezembro, sem transmissão.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

A ideia de transformar uma execução em evento ao vivo durou pouco mais de uma semana. Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (15) que a morte de Nidal Malik Hasan, autor do massacre de 2009 em Fort Hood, no Texas, não será transmitida. O plano tinha sido divulgado pelo Pentágono e provocou reação imediata de lideranças religiosas e de políticos dos dois lados do espectro.

A execução continua de pé. Hasan será fuzilado em 3 de dezembro, na própria base militar, no horário em que o ataque começou, 13 anos depois da condenação. A mudança vale só para a transmissão.

O recuo da Casa Branca

Em publicação na Truth Social, Trump admitiu que via na transmissão um forte efeito dissuasório. Para ele, mostraria ao mundo como os Estados Unidos lidam com terroristas. Mesmo assim, reconheceu que muitas pessoas de boa-fé preferem não assistir à morte de alguém, seja por streaming, seja por qualquer outro meio.

Segundo o presidente, os familiares diretos das vítimas poderão acompanhar a execução pessoalmente, se quiserem. O recuo já vinha sendo sinalizado. No início da semana, Trump disse a jornalistas que estava reconsiderando o plano. O vice-presidente JD Vance também deu a entender que o governo não faria a transmissão, contrariando o secretário de Defesa, Pete Hegseth.

Críticas à esquerda e à direita

O anúncio do Pentágono, feito na semana passada, uniu adversários pouco acostumados a concordar. Hegseth defendia que o público precisava entender as consequências de crimes como o de Hasan. Grupos religiosos e parlamentares de diferentes partidos reagiram com dureza.

O arcebispo Paul Coakley, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, classificou a proposta como “uma promoção bárbara de uma cultura de morte”. A Igreja Católica se opõe à pena de morte em qualquer circunstância desde a revisão do catecismo feita pelo papa Francisco, em 2018.

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Plataformas dificilmente exibiriam

Mesmo que o governo levasse o plano adiante, a transmissão provavelmente não chegaria às grandes redes de TV americanas. Segundo a imprensa americana, também havia dúvidas sobre plataformas como o YouTube aceitarem o conteúdo. As regras de uso desses serviços restringem a exibição de violência real e de mortes.

Na prática, a decisão evita um impasse inédito entre o governo e as empresas de tecnologia. Também poupa as plataformas de decidir se removeriam um vídeo oficial do próprio governo dos Estados Unidos.

O massacre e uma punição rara

O ataque aconteceu em 5 de novembro de 2009. Hasan, então major e psiquiatra do Exército, abriu fogo em um centro de triagem médica onde soldados se preparavam para missões no exterior. Treze pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas. Em 2013, uma corte marcial o condenou à morte por 13 homicídios premeditados e 32 tentativas de homicídio.

Execuções militares são raríssimas nos Estados Unidos. A última aconteceu em 1961. O fuzilamento, raro até no sistema civil americano, foi recomendado por Hegseth e aprovado por Trump.

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