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Analistas temem que PlayStation 6 chegue a US$ 1.000 no lançamento

Analistas da Circana e Aldora projetam que o PlayStation 6 pode ultrapassar US$ 1.000 no lançamento, previsto para o fim de 2027, por causa da crise de memória.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Um número que ninguém queria ver

Quando o PlayStation 5 foi lançado em novembro de 2020, custava US$ 499,99. Seis anos depois, o mesmo modelo já chegou a US$ 549,99 após rodadas de reajuste, e o PS5 Pro é vendido a US$ 749,99. A próxima geração, o PlayStation 6, está sendo projetada para o fim de 2027, mas os números que analistas especializados começam a citar para o preço de lançamento causam desconforto real na indústria.

Joost van Dreunen, CEO da empresa de análise Aldora, disse ao GameIndustry.biz que o console pode chegar ao mercado com preço inicial superior a US$ 1.000. Mat Piscatella, da Circana, endossou a projeção: “Poderíamos ver um preço de US$ 1.000? Com certeza, é possível. Eu realmente odiaria se isso acontecesse, mas é possível.”

São duas das vozes mais respeitadas do setor de análise de mercado de games, e nenhuma delas está sendo alarmista por hábito.

Por que o PS6 pode custar tanto

A resposta curta é a mesma que explica o aumento de preço do PS5, do Xbox Series X e da Steam Machine: a crise de memória. A explosão da demanda por chips de memória DDR5 e GDDR7 para servidores de inteligência artificial criou uma competição direta com os fabricantes de hardware de consumo. Os preços de memória mais que quadruplicaram em alguns segmentos nos últimos dois anos, e a previsão dos próprios fabricantes é de que os custos continuem altos ao longo de 2027.

O PlayStation 6 deve usar CPU AMD Zen 6 de 8 núcleos com GPU RDNA 5, retrocompatibilidade com PS4 e PS5 garantida, e possivelmente entre 36 e 40 GB de memória GDDR7. É uma quantidade de RAM significativamente maior do que qualquer console atual, e cada gigabyte adicional tem um custo que não existia quando o PS5 foi orçado em 2018. A Sony sinalizou em seus relatórios financeiros que os preços da memória no ano fiscal de 2027 podem ser ainda maiores do que os atuais, e reconheceu o risco para o custo de produção do próximo console.

O que os mais otimistas dizem

Nem todo analista projeta a casa dos quatro dígitos. Manu Rosier acredita que a Sony vai se esforçar para ficar abaixo de US$ 999 por razões estratégicas de marketing e percepção do consumidor. Cruzar a linha de US$ 1.000 num anúncio de console é uma decisão comunicacional diferente de precificar a US$ 899 ou US$ 949, e a Sony sabe disso.

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Piers Harding-Rolls aponta que a Sony tem uma vantagem estrutural que a Microsoft e a Valve não possuem: décadas de experiência em fabricação de eletrônicos de consumo e relações estabelecidas com fornecedores de componentes. O insider KeplerL2 vai na mesma direção, afirmando que a Sony fechou parcerias estratégicas com a TSMC para produção de processadores e garantiu volume substancial de memória GDDR7 com antecedência. Essas movimentações podem não eliminar o problema dos custos, mas podem atenuá-lo o suficiente para manter o preço abaixo do teto psicológico.

O contexto que tornou esse debate inevitável

A discussão ganhou força concreta quando a Valve abriu as pré-vendas da Steam Machine por US$ 1.049. Pela primeira vez, um dispositivo de jogos para sala de estar rompeu a barreira de US$ 1.000 de forma oficial, e a reação do mercado foi intensa o suficiente para colocar o debate sobre preços de próxima geração em pauta muito antes do esperado. Se um aparelho com especificações comparáveis ao PS5 base custa mais de um milhar, o que vai custar um console com hardware duas gerações à frente?

A resposta vai depender de quando a crise de componentes começa a arrefecer, de quanto a Sony consegue absorver em subsídio de hardware com a receita de jogos e serviços, e de qual decisão estratégica a empresa tomará sobre o modelo de negócio do PS6. O lançamento está projetado para o fim de 2027. Até lá, os números vão continuar sendo discutidos com uma seriedade que antes estava reservada apenas para os próprios jogos.

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