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Carros elétricos podem causar enjoo; entenda os motivos por trás do fenômeno

Relatos de enjoo em carros elétricos estão se tornando comuns. Entenda como o silêncio do motor e campos eletromagnéticos podem causar o mal-estar.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Relatos de passageiros e até motoristas que sentem enjoo, tontura e outros desconfortos ao andar em carros elétricos têm se tornado cada vez mais comuns nas redes sociais e em fóruns automotivos. O que parece um paradoxo — como um veículo silencioso e de movimento suave pode causar mal-estar? — tem, na verdade, múltiplas explicações científicas e fisiológicas que vão desde um conflito entre nossos sentidos até a influência de campos eletromagnéticos.

O fenômeno, que afeta principalmente pessoas mais sensíveis, é resultado direto das características que definem a tecnologia dos veículos elétricos (EVs).

O conflito sensorial: quando os sentidos não concordam

A causa mais comum para o enjoo de movimento (cinetose) é um conflito entre o que nossos olhos veem e o que nosso sistema vestibular, no ouvido interno, sente. Nos carros a combustão, estamos acostumados a uma série de pistas sensoriais: o barulho do motor que aumenta com a aceleração, as vibrações que mudam com a velocidade. Esses sinais preparam nosso cérebro para o movimento.

Nos carros elétricos, essas pistas são quase inexistentes. O resultado é uma dissonância: seus olhos veem a paisagem passando cada vez mais rápido, mas seus ouvidos e seu corpo não recebem os estímulos sonoros e vibratórios correspondentes, gerando um conflito que pode resultar em náusea.

Dois fatores agravam esse quadro:

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  1. Aceleração Instantânea: Diferente dos motores a combustão, que aceleram de forma gradual, os motores elétricos entregam seu torque máximo instantaneamente. Essa aceleração súbita e brusca pode ser desorientadora para o corpo.
  2. Frenagem Regenerativa: Muitos EVs possuem um sistema de frenagem regenerativa agressivo, que desacelera o carro de forma significativa assim que o motorista tira o pé do acelerador, sem precisar pisar no freio. Para os passageiros, isso cria uma sensação de frenagem constante que o cérebro não consegue associar a uma ação visível (o ato de frear), intensificando o conflito sensorial.

A influência invisível dos campos eletromagnéticos

Outra linha de investigação aponta para os campos eletromagnéticos de baixa frequência (ELF) gerados pelas baterias, motores e inversores dos carros elétricos. Embora esses campos estejam dentro dos limites considerados seguros pelas agências reguladoras, estudos indicam que eles podem interferir na condução elétrica do sistema nervoso e na percepção espacial do corpo, especialmente em pessoas com hipersensibilidade eletromagnética (EHS).

Estudos já associaram a exposição a esses campos a sintomas como náusea, tontura, dor de cabeça e fadiga em indivíduos mais sensíveis.

A solução pode ser o barulho?

Para combater o conflito sensorial, uma das soluções propostas é a introdução de sinais auditivos artificiais. Ou seja, um som que imite a aceleração e desaceleração de um motor, que, embora “falso”, ajudaria o cérebro dos ocupantes a sincronizar as informações visuais e auditivas, preparando o corpo para o movimento. Esse sistema poderia ser um recurso opcional no veículo, para ser ativado apenas por quem sente o desconforto.

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