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Crítica | Frances Ha – A revelação de Greta Gerwig

Você conhecerá o nome dela.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
6 de janeiro de 2018 · 3 min de leitura
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Crítica | Frances Ha – A revelação de Greta Gerwig

O nome de Greta Gerwig certamente soa estranho para você, mas não se engane: você já a viu por aí. A atriz arranjou pequenas participações em comédias como Arthur – O Milionário Irresistível, Sexo sem Compromisso e, recentemente, no Para Roma, Com Amor de Woody Allen. Nenhum dos papéis acima fez jus ao talento de Gerwig, que mostra a que veio no divertido e despretensioso Frances Ha, novo filme de Noah Baumbach.

A trama… bem, digamos que é um filme difícilimo de se vender. O roteiro é assinado por Baumbach e a própria Gerwig (casal na vida real), e traz as desventuras da excêntrica Frances, incluindo a relação decadente com sua melhor amiga Sophie (Mickey Sumner) e seus esforços para ser uma dançarina de sucesso, que lhe garantiria a renda para enfim ter seu próprio apartamento.

Frances Ha é um filme essencialmente de personagens. Rodado em preto e branco e em uma razão de aspecto compacta, o longa de Baumbach é uma experiência bastante contemplativa: não há muitas reviravoltas dramáticas aqui, ou mesmo situações que provoquem gargalhadas no espectador (afinal, o filme é uma comédia), mas o charme de sua narrativa encontra-se na tridimensionalidade de seus personagens; eficiência alcançada graças ao ótimo roteiro (cujas piadas está aqui de forma muito sutil, as melhores delas em forma de comentários dentro de contexto como “É tipo viver uma sitcom” ou “E com gatos” e a pontualidade de seu entrosado elenco.

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Mas nem preciso acrescentar que é Greta Gerwig quem está acima de seus colegas de cena. A atriz se sai muitíssimo bem ao criar uma Frances com personalidade própria (sua postura física quase máscula é um dos fatores decisivos nessa composição) e algumas nuances acertadíssimas que definem diversas características da personagem: reparem como ela sempre devora alimentos com notável agressividade, ressaltando a situação econômica difícil em que se encontra. Gerwig também apresenta uma química incrível com Mickey Summer: bastam alguns segundos de projeção (onde encontramos Frances e Sophie “brigando” na rua) para estabelecer de maneira sólida a amizade entre as duas.

Mesmo que seja dominado pela dramaturgia, não quer dizer que Bumbach e sua equipe técnica não possam brilhar. O departamento que mais se destaca aqui é, sem dúvida alguma, a montagem de Jennifer Lame, que confere economia e velocidade a uma série de longos eventos (que ganham também planos geniais que tornam desnecessária a exposição via diálogo). Em uma cena, por exemplo, acompanhamos Frances lutando para vencer o fuso horário e aproveitar uma noite de sono, mas nossa orientação não vem dos lábios da atriz, mas sim de um relógio digital; cujo horário vai avançando através de cortes quase imperceptíveis. Tais elementos ajudam que a experiência de 86 minutos seja ainda mais prazerosa.

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Tendo a explicação para seu título revelada apenas na última cena (e agora que entendo seu significado, é impossível não esboçar um sorriso ao contemplar tais palavras), Frances Ha é um filme leve e eficiente em sua simples proposta. E que a ótima Greta Gerwig consiga papéis melhores em Hollywood, esse nome é pra não se esquecer.

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Frances Ha (EUA – 2013)

Direção: Noah Baumbach
Roteiro: Noah Baumbach e Greta Gerwig
Elenco: Greta Gerwig, Mickey Summer, Adam Driver, Michael Esper, Michael Zegan, Grace Summer
Gênero: Comédia
Duração: 86 min

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Tags: #Adam Driver #Greta Gerwig
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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