Cinema

David Fincher cortou 60 páginas do roteiro de Tarantino para o novo filme de Cliff Booth

As Novas Desventuras de Cliff Booth tinha 230 páginas e terminou com 2h20; Tarantino compara a trama a Elmore Leonard.

Matheus Fragata
Matheus Fragata 3 min de leitura

O roteiro chegou às mãos de David Fincher com 230 páginas. Pela régua clássica de Hollywood, de uma página por minuto, daria quase quatro horas de filme. O diretor leu e chegou a um diagnóstico rápido: aquilo eram, na prática, dois longas. A tesoura levou cerca de 60 páginas, e As Novas Desventuras de Cliff Booth terminou com aproximadamente 2h20.

Fincher contou a história numa entrevista conjunta com Quentin Tarantino, autor do texto. É o tipo de encontro raro no cinema: dois cineastas famosos pelo controle absoluto dividindo o mesmo projeto.

Uma fogueira nos becos de 1977

Para Fincher, o enredo nunca foi o principal atrativo. O que o fisgou foi a chance de observar personagens se esbarrando nos becos de Hollywood em 1977. Ele compara o filme a uma história contada em volta de uma fogueira, mais interessada nas colisões entre as pessoas do que na trama em si.

O corte exigiu negociação. O diretor descreve o processo como encontrar a interseção entre o que Brad Pitt, Tarantino e ele próprio queriam destacar. Fincher faz questão de ajustar a própria frase: não era sobre vontade, mas sobre onde cada um colocaria o foco.

Mais romance policial do que filme de convivência

Tarantino também tratou de diferenciar a continuação do original. Era Uma Vez em… Hollywood, diz ele, era um filme de convivência, sustentado pela certeza de que a história caminhava para Cielo Drive, endereço dos assassinatos da Família Manson. Essa tensão dispensava muita trama.

O novo roteiro segue por outra estrada. Tarantino diz que o texto tem o sabor de um romance policial de bolso de Elmore Leonard. O escritor é velho conhecido do diretor: seu livro Rum Punch deu origem a Jackie Brown, de 1997.

Na trama, oito anos depois dos eventos do primeiro filme, Cliff deixou as acrobacias e virou um resolvedor de problemas para estrelas e estúdios, às vezes com métodos fora da lei. Rick Dalton, o ator decadente vivido por Leonardo DiCaprio, fica fora da tela.

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Como o projeto trocou de mãos

O filme por pouco não foi dirigido pelo próprio Tarantino. Ele chegou a considerar o roteiro como seu próximo trabalho, mas recuou ao perceber que não queria uma continuação como seu décimo filme, possivelmente o último da carreira. Ele sempre prometeu parar no décimo.

Foi Pitt quem levou o projeto a Fincher. Os dois já tinham trabalhado juntos em Seven: Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e O Curioso Caso de Benjamin Button. Tarantino aprovou a escolha, e a Netflix ficou com o filme.

O papel de Cliff Booth rendeu a Pitt o Oscar de ator coadjuvante em 2020. O longa original somou dez indicações, incluindo melhor filme e direção. No novo elenco estão Elizabeth Debicki, Carla Gugino, Yahya Abdul-Mateen II, Scott Caan, Peter Weller e Holt McCallany. Timothy Olyphant volta como o astro de faroeste James Stacy.

As Novas Desventuras de Cliff Booth estreia em 25 de novembro em salas IMAX no mundo todo, com exclusividade de duas semanas no formato, e chega à Netflix em 23 de dezembro.

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