Cinema

Brad Pitt saiu de casa para chorar após ler o roteiro de Coração Selvagem

Coração Selvagem estreou no Brasil e Brad Pitt conta que passou três semanas se aproximando do cão antes das filmagens.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Brad Pitt precisou se levantar da mesa da cozinha e sair de casa depois de ler o roteiro de Coração Selvagem. O ator contou que chorou em silêncio ao terminar a leitura e que, mesmo sem saber explicar exatamente o motivo, percebeu ali uma história que valia a pena contar. O filme da Paramount Pictures chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (24).

No longa, Pitt vive James Belmont, um ex-militar das Forças Especiais do Exército americano que sobrevive a uma queda de avião no interior do Alasca. A única companhia dele na mata é Odin, um pastor-alemão aposentado do serviço militar. Juntos, os dois enfrentam rios, ursos, lobos e o frio extremo para tentar voltar à civilização.

Uma homenagem aos próprios cachorros

Para Pitt, o personagem nunca foi o centro do projeto. O ator explicou que se interessou mais pela relação entre James e Odin do que pela jornada individual do soldado. Ele quis transformar o filme numa homenagem ao vínculo entre pessoas e cães, incluindo os seus próprios animais e tudo o que eles lhe deram ao longo da vida.

O ator descreve o longa como uma história de amor disfarçada de filme de sobrevivência. Na trama, homem e cão carregam as marcas do combate no Iraque e no Afeganistão. Segundo Pitt, é essa ligação que mantém os dois de pé diante de cada obstáculo. Ele resumiu a lição da experiência dizendo que “somos menos sozinhos no mundo por causa dos nossos cachorros”.

Três semanas de adaptação antes de gravar

Contracenar com um animal exigiu preparo. Pitt chegou ao set três semanas antes do início das filmagens para criar intimidade com o cão principal e com os dublês caninos. A primeira semana foi só de convivência e brincadeiras. Nas duas seguintes, eles começaram a ensaiar algumas movimentações em conjunto.

O objetivo, segundo o ator, era deixar todos confortáveis caminhando pela floresta mesmo com as distrações de uma equipe de filmagem por perto. Odin é interpretado pelo pastor-alemão Uber, que vem recebendo elogios da crítica internacional pela atuação.

Petiscos no bolso durante as cenas dramáticas

O maior desafio veio na hora de rodar. Pitt brincou que os cachorros não decoram as falas e simplesmente agem como cachorros. Por isso, ele passava as gravações com o bolso cheio de petiscos. Quando o cão resolvia sair andando no meio de uma cena emocional, o ator parava tudo, chamava o parceiro de volta e oferecia um agrado.

Publicidade

Logo depois, precisava retomar a intensidade dramática como se nada tivesse acontecido. O ator contou a história rindo, mas ela revela o tipo de ajuste constante que um filme com animais exige. Pitt disse que o trabalho só reforçou o que ele já sabia sobre a lealdade dos cães e o amor incondicional que oferecem.

Reencontro com o diretor de Corações de Ferro

Coração Selvagem marca a segunda parceria de Pitt com o diretor David Ayer, que o comandou no drama de guerra Corações de Ferro, de 2014. Ayer, que serviu na Marinha americana, costuma voltar a histórias sobre soldados e combate. O roteiro é de Cameron Alexander, e o elenco ainda tem J.K. Simmons e Anna Lambe, de True Detective: Terra Noturna.

Pitt também assina a produção do longa, que tem cerca de 1h40 de duração e custou US$ 82 milhões. Nos Estados Unidos, a estreia acontece nesta sexta-feira (25), num fim de semana concorrido que também traz Primetime, com Robert Pattinson.

Recorde de crítica para David Ayer

A recepção da imprensa surpreendeu. O filme estreou com 96% de aprovação no Rotten Tomatoes e, mesmo com a nota oscilando nos dias seguintes, segue acima de 90%. É o trabalho mais bem avaliado da carreira de Ayer, superando Marcados para Morrer, que liderava o ranking do diretor havia 14 anos.

O resultado chama atenção porque Ayer também assinou Esquadrão Suicida, de 2016, um dos filmes de super-herói mais criticados da década passada. Para Pitt, a nota coloca Coração Selvagem entre os longas mais elogiados da carreira, ao lado de O Homem que Mudou o Jogo.

Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp