Cinema

Digger, de Tom Cruise, deve perder US$ 245 milhões e vira candidato a maior bomba da história

Warner gastou US$ 100 milhões em marketing de Digger, que deve fechar a bilheteria global perto de US$ 50 milhões.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Em apenas dois finais de semana, Digger trocou o rótulo de aposta de Oscar pelo de possível maior bomba da história. Segundo fontes ouvidas pela Variety, a comédia de Tom Cruise e Alejandro González Iñárritu caminha para perder cerca de US$ 245 milhões só nos cinemas.

O filme caiu 60% no segundo fim de semana nos Estados Unidos. Até agora, soma US$ 14,4 milhões no mercado doméstico e US$ 35,3 milhões no mundo. A projeção final é de uns US$ 50 milhões globais, muito longe do que a Warner Bros. precisava para empatar.

O fim de uma era na Warner

Digger é o último lançamento solo da Warner antes da fusão com a Paramount. Os co-chefes do estúdio, Mike De Luca e Pam Abdy, deixaram o cargo na sexta-feira (2), justamente quando o filme chegava às telas. A dupla havia vivido um 2025 histórico, com Pecadores, Um Filme Minecraft e A Hora do Mal.

Em 2026, a história é outra. A Noiva! e Supergirl ficaram abaixo do esperado, e nenhum título do estúdio passou de US$ 100 milhões no mercado doméstico. A Warner espera uma reação em dezembro, quando Duna: Parte 3, de Denis Villeneuve, estreia no Brasil, em 17 de dezembro.

A conta que não fecha

A Warner aprovou Digger com orçamento de US$ 125 milhões. Com as filmagens estourando o prazo, o custo subiu para algo entre US$ 160 milhões e US$ 180 milhões. Outros US$ 100 milhões foram para marketing, valor que, segundo as fontes, não inclui a campanha de premiações.

Para um filme com astro e diretor desse porte, a conta do Oscar giraria em torno de US$ 15 milhões, mas pode encolher diante da recepção fria. Também pesa o contrato de Cruise, que prevê participação na receita antes de o estúdio recuperar os custos. Isso empurra o lucro para ainda mais longe.

O ponto de equilíbrio, segundo as fontes, é de US$ 350 milhões no mundo, porque os exibidores ficam com cerca de metade da venda de ingressos. A Warner contesta e fala em US$ 300 milhões. Já o TheWrap estima prejuízo de US$ 250 milhões mesmo contabilizando as receitas depois dos cinemas.

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Uma estreia fraca e um coro de defensores

Nos Estados Unidos, Digger abriu com US$ 8 milhões e ficou em quinto lugar, atrás de Verity, que levou US$ 32,6 milhões. É a pior estreia de Cruise em 19 anos, desde Leões e Cordeiros (2007), que fez US$ 6,7 milhões. As críticas negativas obrigaram a Warner a veicular anúncios convidando o público a “decidir por si mesmo”.

No Brasil, o filme estreou em 1º de outubro, com sessões antecipadas na véspera. Ficou em sexto lugar no primeiro fim de semana, com R$ 1,47 milhão, atrás até de Vingadores: Ultimato Encore. Verity liderou com R$ 17,23 milhões.

Mesmo assim, nomes de peso saíram em defesa. Anne Hathaway deu cinco estrelas ao filme no Letterboxd e pediu que as pessoas arranjem tempo para ver e tirar as próprias conclusões. Guillermo del Toro, Jane Fonda, Mandy Patinkin e Alfonso Cuarón também apoiaram o longa e incentivaram o público a ir ao cinema.

Curiosidades sobre Digger

O filme é o primeiro original estrelado por Cruise desde Feito na América (2017) e o primeiro de Iñárritu falado em inglês desde O Regresso. Foi filmado inteiramente em VistaVision, formato de grande qualidade de imagem.

Em entrevista a um podcast, Cruise disse que filmes como Rain Man e Nascido em 4 de Julho ficavam em cartaz por um ano e que sente que Digger é um desses. Ele afirmou estar muito orgulhoso do resultado.

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