Digger tem a pior estreia de Tom Cruise em quase 20 anos nas bilheterias dos EUA
Digger, de Alejandro G. Iñárritu, estreou com US$ 8 milhões nos EUA, a pior estreia de Tom Cruise desde 2007.
Digger não funcionou nos cinemas americanos. O filme de Alejandro G. Iñárritu com Tom Cruise deve estrear com cerca de US$ 8 milhões nos Estados Unidos, segundo a atualização de sábado (3), a menor abertura do astro desde Leões e Cordeiros, de 2007, que fez US$ 6,7 milhões. No mundo todo, a largada é de US$ 20 milhões, número ruim para uma produção da Warner Bros. que custou mais de US$ 160 milhões.
Verity assume a liderança
Quem lidera o fim de semana é Verity, adaptação do livro de Colleen Hoover, com Dakota Johnson, Anne Hathaway e Josh Hartnett. O thriller da Amazon MGM Studios estreou com US$ 32,7 milhões no mercado doméstico e fez US$ 62,5 milhões globais, o que também lhe garante o primeiro lugar mundial. É a segunda maior abertura de um filme baseado em obra da autora.
As notas do público, porém, foram parecidas. Os dois filmes receberam C+ no CinemaScore, o pior resultado de um filme de Hoover até agora. É Assim que Acaba tirou A-, enquanto Reminders of Him e Regretting You ficaram com B. A nota de Verity não preocupa muito: Cinquenta Tons de Cinza também teve C+ e se saiu bem. O público foi 79% feminino, com 50% de recomendação definitiva, e o filme vai bem em lugares como Dallas, Houston, Nashville e Corpus Christi, apesar da classificação R.
Quem foi ver Digger
O público de Digger foi pequeno, majoritariamente masculino (73%) e jovem: 60% tinha entre 18 e 34 anos. Iñárritu já havia dito que fez o filme pensando na geração Z. A recomendação definitiva ficou em 47% e a nota do público no Rotten Tomatoes é 71%, igual à de O Beau Tem Medo, de Ari Aster. Salas Imax e premium respondem por quase metade da arrecadação, e as costas Leste e Oeste concentram 48% do dinheiro, contra média de 40% para outros filmes.
O C+ no CinemaScore ainda é melhor do que se temia, já que o filme é uma sátira política absurdista, pesada em diálogos. Para efeito de comparação, Magnólia (1999), que deu a Cruise uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante, ficou com C-.
O que pesou contra o filme
Os números de conversa online ajudam a explicar o resultado. A métrica de boca a boca da RelishMix caiu de 8,1 em 15 de setembro para 6,4 nesta semana, com reclamações de que o trailer não deixava claro do que o filme trata e dúvidas sobre se era sátira ou autoparódia. Há ainda a reviravolta metalinguística, que não aparecia na campanha, vendida como comédia apocalíptica de faroeste.
O alcance nas redes, de 289,5 milhões de seguidores antes da estreia, ficou 66% abaixo de Missão: Impossível – O Acerto Final e 28% abaixo de Top Gun: Maverick.
Um filme original que não decolou
A Warner, sob o comando de Michael De Luca e Pamela Abdy, apostou em um projeto original de grande orçamento depois de Pecadores e Uma Batalha Após a Outra. Sátiras políticas raramente vão bem: Bob Roberts (1992) fez US$ 4,4 milhões e O Informante! (2009) abriu com US$ 10,4 milhões e fechou em US$ 33 milhões. Já A Grande Aposta chegou a US$ 70,2 milhões, mas custou cerca de US$ 30 milhões. Os estúdios ainda lembram que plataformas como a Netflix gastam mais de US$ 100 milhões em filmes sem divulgar bilheteria.
O fim de semana é positivo para o mercado
Apesar de Digger, o conjunto da bilheteria está forte. O fim de semana deve render US$ 101,3 milhões, o terceiro seguido acima de US$ 100 milhões neste outono, 25% a mais que há um ano. Setembro somou US$ 601,9 milhões, o segundo melhor desde a pandemia, atrás só de 2024 (US$ 606,8 milhões). O ano soma US$ 7,95 bilhões e deve passar de US$ 8 bilhões por volta de 9 de outubro.