Cinema

Digger, de Tom Cruise, pode ter pior estreia da carreira do astro nos EUA

Digger, de Tom Cruise, estreia em 1º de outubro no Brasil, mas previsão nos EUA é de US$ 12 a 15 milhões e crítica divide.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
5 min de leitura

Tom Cruise já saltou de aviões e escalou arranha-céus, mas o desafio de Digger é outro: convencer o público a ver uma comédia original, de classificação para adultos e orçamento gigante, sem cenas de ação. As projeções de bilheteria para o fim de semana de estreia nos Estados Unidos e no Canadá caíram para entre US$ 12 milhões e US$ 15 milhões, abaixo dos US$ 18 milhões a US$ 20 milhões previstos antes. O filme, dirigido por Alejandro González Iñárritu, estreia no Brasil nesta quinta-feira (1º) e nos EUA na sexta (2).

O resultado importa além do astro. A Warner Bros. vive um ano ruim nas bilheterias e negocia sua venda para a Paramount Skydance, o que aumenta a pressão sobre o filme, uma das maiores apostas do outono.

A conta que Digger precisa fechar

O orçamento aprovado foi de US$ 125 milhões, mas, segundo quatro fontes ouvidas pela Variety, subiu para algo entre US$ 160 milhões e US$ 180 milhões depois que a produção estourou o cronograma. A Warner contesta os números. Executivos de estúdios rivais afirmam que um filme desse porte precisaria de uma estreia perto de US$ 40 milhões para se justificar.

Como os cinemas ficam com cerca de metade da venda de ingressos e o estúdio gastou mais US$ 100 milhões em marketing, o ponto de equilíbrio nas salas seria de aproximadamente US$ 350 milhões no mundo todo. A Warner diz que a marca é de US$ 300 milhões. O lucro pode demorar ainda mais porque Cruise recebe uma porcentagem da receita bruta antes de o estúdio recuperar os custos.

Crítica dividida e uma aposta fora do padrão

A recepção não ajuda. Nesta terça-feira (29), o filme apareceu com cerca de 52% de aprovação no Rotten Tomatoes, que sobe a 53% conforme entram novas resenhas, e 44 pontos no Metacritic. Entre os críticos de maior peso, a aprovação cai para 33%. É a pior nota de um filme de Cruise no agregador desde A Múmia, de 2017, e também a menor de Iñárritu, abaixo de Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades.

O consenso descreve uma sátira ambiciosa e confusa, que deve dividir o público, com um Cruise totalmente entregue. Na trama, ele vive Digger Rockwell, um magnata do petróleo cuja empresa provoca uma catástrofe ecológica e que tenta se provar o salvador da humanidade. O elenco reúne Riz Ahmed, John Goodman, Sandra Hüller, Michael Stuhlbarg e Jesse Plemons.

Cruise tenta vender o filme no braço

Avesso à imprensa, Cruise fez uma campanha intensa, mas seletiva. Além da turnê mundial, apareceu no podcast New Heights, dos irmãos Travis e Jason Kelce, e deu a primeira entrevista de capa em duas décadas, para a GQ, em que evitou perguntas pessoais e levou a conversa de volta ao amor pelo cinema. Para o analista Jeff Bock, da Exhibitor Relations, o nome dele sozinho não vende esse filme.

Bock também faz uma pergunta incômoda: depois de se firmar como astro de ação, o público aceita Cruise como ator transformador de novo? Os dois últimos Missão: Impossível já tinham arrecadado menos do que os anteriores, e Digger é o primeiro filme original dele desde 2017.

Um estúdio em ano difícil

Em 2025, a Warner teve sete filmes com mais de US$ 100 milhões nos EUA e 21% do mercado, com sucessos como A Hora do Mal e Premonição 6: Laços de Sangue. Em 2026, ainda não emplacou nenhum título nessa faixa e tem apenas 6%, mesmo com o mercado no melhor ano desde o início da pandemia. A Paramount não vai melhor, com 5% e o sétimo lugar entre os estúdios.

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A lista de prejuízos é extensa. A Noiva! deve perder US$ 100 milhões, Supergirl perto de US$ 80 milhões e O Fim da Rua entre US$ 25 milhões e US$ 40 milhões. Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor pode ficar no vermelho, embora uma fonte ligada ao filme conteste a conta. Entre os acertos, O Morro dos Ventos Uivantes rendeu cerca de US$ 40 milhões de lucro, e Maldição da Múmia e Mortal Kombat II fecharam com ganhos modestos.

O que pode segurar o prejuízo

Analistas lembram que Cruise costuma arrecadar mais fora dos EUA e que a renda com aluguel digital, venda, streaming e TV compensa parte do risco. A Warner e os presidentes Pamela Abdy e Michael De Luca já passaram por dúvida parecida com Batalha Atrás de Batalha, aposta autoral que abriu com US$ 22 milhões, chegou a US$ 213 milhões no mundo, terminou no prejuízo e ainda levou o Oscar de melhor filme.

A Warner aposta ainda em Duna: Parte Três, que estreia em dezembro e deve ser o maior filme da trilogia. Iñárritu, por sua vez, tem histórico comercial forte: O Regresso arrecadou US$ 533 milhões e Birdman ganhou o Oscar de melhor filme com US$ 103 milhões de bilheteria contra um orçamento de US$ 18 milhões.

Curiosidades sobre Digger

O filme foi rodado inteiramente em VistaVision e terá sessões em IMAX. Iñárritu começou a pensar na história depois de O Regresso e conversou sobre ela com Cruise ainda em 2019, durante as filmagens de Top Gun: Maverick. Em pré-estreia na Cidade do México, o astro disse que acredita ser um filme que as pessoas vão ver por gerações.

Nos EUA, Digger enfrenta na estreia o thriller Verity, da Amazon MGM, projetado para abrir com US$ 24 milhões ou mais e brigar pela liderança do fim de semana.

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