Famosos

Diretor de documentário sobre Elon Musk rebate ameaça de processo e diz que o bilionário é um ‘enrolador’

Diretor de Musk diz que ameaça de processo do bilionário se baseia em premissa falsa. Estreia nos EUA em 9 de outubro.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Quando o homem mais rico do mundo ameaça processar, o alerta acende. Foi o que aconteceu com o cineasta Alex Gibney, às vésperas do lançamento de Musk, documentário que traça um retrato pouco favorável do empresário Elon Musk. Em entrevista ao Deadline, Gibney admitiu que a ameaça preocupa, porque o dinheiro pesa nos tribunais de um jeito que não deveria, e Musk tem muito, mas diz enxergar um lado positivo.

Por que Gibney vê vantagem em um processo

Segundo o diretor, quem processa se expõe à fase de produção de provas, a chamada discovery, que ele conhece desde que fez um filme sobre Henry Kissinger. Gibney diz que, se isso ocorresse, sua equipe jurídica poderia pedir documentos sobre pontos delicados do filme, como as declarações de Musk sobre o piloto automático da Tesla.

O documentário alega que a Tesla escondeu dados de um Model S que atravessou um cruzamento na Flórida, em 2019, e matou uma jovem de 22 anos, e cita outros acidentes fatais com carros em piloto automático. Gibney também diz que gostaria de perguntar o que aconteceu com os dados obtidos pelo DOGE, o departamento criado no início do segundo governo Trump, e se esses dados estão em servidores da SpaceX. São perguntas dele, e o filme não responde a elas.

A cena em disputa

Por meio do advogado Alex Spiro, Musk levantou a possibilidade de um processo por difamação por causa de uma sequência sobre a eleição presidencial americana de 2024. Nela, a ex-namorada dele, Ashley St. Clair, diz que Musk afirmou, antes da votação, que “liberaria uma anomalia na matrix” para garantir a vitória de Donald Trump.

Gibney contesta a premissa da ameaça. Para ele, o filme não diz que Musk manipulou a eleição, apenas mostra mensagens enviadas à namorada. Foi Musk quem falou em “lasers no espaço” e em “anomalia na matrix”, e o diretor diz que não sabe se ele mentia para ela ou dizia a verdade, o que o espectador deve avaliar. Segundo a imprensa americana, Spiro enviou uma notificação formal à produtora Jigsaw Productions em 3 de setembro, cinco dias antes da estreia mundial em Veneza. Depois, Musk chamou o filme de “hit piece” nas redes e o diretor de “ser humano horrível” e “velho amargo”.

“Ele é um contador de histórias”

Gibney diz que Musk inflou seu papel na Tesla e na SpaceX. Segundo ele, o bilionário não inventou a Tesla, a tecnologia nem o plano de negócios: inventou uma missão e investiu, e foi essa missão que atraiu engenheiros talentosos. Para o diretor, Musk é o rosto de uma história em que seria responsável por tudo, e os produtos das empresas têm sucesso apesar dele, e não por causa dele. Gibney o compara a Steve Jobs, mas diz que, ao contrário de Musk, Jobs era dedicado a melhorar os produtos da Apple.

Publicidade

O filme e o calendário

Musk teve estreia mundial em Veneza, em 8 de setembro, e depois passou pelo Festival de Toronto e pelo Camden International Film Festival, no Maine, onde Gibney deu a entrevista. A distribuidora Bleecker Street adiantou o lançamento em uma semana. O filme chega aos cinemas de Nova York e Los Angeles em 9 de outubro, e depois se expande pelos EUA. Tem cerca de quatro horas, com intervalo, e inclui entrevistas com Errol Musk, pai do empresário, Justine Musk, a primeira mulher, e Ashley St. Clair.

Um documentário sobre Elizabeth Holmes vem logo depois

Uma semana depois, em 16 de outubro, estreia You Can See Everything, de Nathan Fielder e Lance Oppenheim, sobre a fundadora da Theranos, Elizabeth Holmes. Condenada por fraudar investidores, ela cumpre pena de 11 anos, e deu acesso total às câmeras antes de ir para a prisão. O filme foi exibido em segredo no Festival de Telluride.

Gibney, que fez The Inventor: Out for Blood in Silicon Valley (2019) sobre Holmes, diz que vai assistir e vê traços comuns com Musk, mas afirma que Musk vende melhor o próprio sonho. Também diz que há quem ainda compre essa ficção, como analistas que apostam em uma empresa de Musk valendo trilhões de dólares, e que ele não compra.

Assista também

Crítica | Antártida mostra mais uma vez que uma boa causa nem sempre dá um bom filme

Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp