Vingadores: Ultimato Encore fatura US$ 26 milhões e lidera melhor fim de setembro desde 2015
Bilheteria dos EUA soma US$ 122,3 milhões, e Coração Selvagem, de Brad Pitt, abre com US$ 20 milhões, acima das previsões.
Um filme de sete anos atrás derrotou todas as estreias inéditas nos cinemas dos Estados Unidos e do Canadá. Vingadores: Ultimato Encore, versão ampliada do longa de 2019 que prepara o terreno para Vingadores: Doutor Destino, arrecadou US$ 26 milhões entre sexta-feira e domingo e assumiu a liderança das bilheterias norte-americanas.
O resultado puxou um fim de semana raro para a época. Somados, todos os filmes em cartaz faturaram cerca de US$ 122,3 milhões, o melhor desempenho para o 39º fim de semana do ano desde 2015. Naquela ocasião, Hotel Transilvânia 2 liderou um mercado que chegou a US$ 137,8 milhões. Nem a tempestade que deixou 85 mil clientes sem energia no nordeste americano afetou o movimento nas salas.
Um relançamento de peso histórico
Os US$ 26 milhões de Ultimato Encore superam os US$ 25,4 milhões que o relançamento de 20 anos de Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith conseguiu no ano passado. O recorde absoluto para relançamentos nos EUA segue com a versão especial de Star Wars, de 1997, que abriu com US$ 35,9 milhões.
As salas IMAX e de formato premium responderam por 60% da arrecadação, reflexo direto das cenas extras. Quem assistiu nessas telas viu cerca de seis minutos de material inédito, incluindo uma prévia exclusiva de Doutor Destino. Nas salas comuns, o acréscimo ficou em pouco mais de dois minutos. Com o relançamento, Ultimato chega a US$ 884,3 milhões acumulados no mercado doméstico.
O público aprovou a experiência, com 91% de avaliações positivas nas pesquisas de saída. O perfil de quem compareceu chama atenção: 66% tinham entre 18 e 34 anos, e o público latino liderou, com 36% dos ingressos, à frente dos espectadores brancos, com 34%.
Resident Evil segura bem a segunda semana
Na vice-liderança, Resident Evil arrecadou US$ 23,3 milhões, queda de 61% em relação à estreia recorde para a franquia. Com US$ 103,4 milhões acumulados em dez dias, o terror de Zach Cregger caminha para superar A Hora do Mal, que terminou a carreira nos EUA com US$ 151,5 milhões, e se tornar a maior bilheteria do diretor.
No Brasil, o filme estreou em 17 de setembro e ficou em segundo lugar no primeiro fim de semana, com R$ 10,71 milhões.
Brad Pitt e o cão superam as projeções
Coração Selvagem, estrelado por Brad Pitt, ficou em terceiro lugar com cerca de US$ 20 milhões, acima dos US$ 18 milhões projetados. O número pode parecer modesto diante do orçamento de US$ 82 milhões, mas o boca a boca é forte. O público deu nota A- no CinemaScore, e 73% dos espectadores disseram que recomendariam o filme sem ressalvas.
O drama de sobrevivência no Alasca atraiu um público mais velho do que o habitual no pós-pandemia. Espectadores acima de 55 anos representaram 31% da plateia, e quase metade tinha mais de 45. O filme foi melhor no oeste, no sul e no meio-oeste americano, perfil comum em histórias de forte apelo patriótico. No exterior, porém, o desempenho também surpreendeu positivamente neste primeiro fim de semana.
Primetime aproveita a polêmica com Chris Hansen
A quarta posição ficou com Primetime, da A24, que abriu com US$ 19,1 milhões, bem acima das projeções de US$ 12 milhões a US$ 16 milhões. O longa custou apenas US$ 15 milhões e repete a estreia de Mickey 17, outro filme original de Robert Pattinson, que teve orçamento de US$ 118 milhões.
As críticas públicas de Chris Hansen, o apresentador interpretado por Pattinson, parecem ter ajudado a divulgação. O público jovem dominou as sessões, com 80% dos espectadores entre 18 e 34 anos. A recepção, porém, foi mais dividida, com nota B no CinemaScore. O filme se baseia numa reportagem de Luke Dittrich publicada na revista Esquire e ainda não tem estreia confirmada no Brasil.
A Ilha Esquecida agrada, mas não lidera
A animação A Ilha Esquecida, da DreamWorks, abriu em quinto lugar com US$ 12,8 milhões. O resultado é tímido para uma produção que custou US$ 80 milhões, sem contar o marketing. Historicamente, esse fim de semana de setembro costuma ser dominado por animações familiares, o que torna o quinto lugar ainda mais incomum.
A esperança da Universal está na reação do público, que deu nota A no CinemaScore. Jim Orr, chefe de distribuição doméstica do estúdio, disse acreditar numa carreira longa nos cinemas. No Brasil, o filme estreou na quinta-feira (24).
O ranking completo
- Vingadores: Ultimato Encore (Disney): US$ 26 milhões
- Resident Evil (Sony): US$ 23,3 milhões, total de US$ 103,4 milhões
- Coração Selvagem (Paramount): US$ 20 milhões
- Primetime (A24): US$ 19,1 milhões
- A Ilha Esquecida (Universal): US$ 12,8 milhões
- Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor (Warner): US$ 5,7 milhões, total de US$ 59,8 milhões
- Homem-Aranha: Um Novo Dia (Sony): US$ 4,1 milhões, total de US$ 950,7 milhões
- A Odisseia (Universal): US$ 3,7 milhões, total de US$ 616,5 milhões
- Coyote vs. Acme (Ketchup): US$ 1,9 milhão, total de US$ 58,3 milhões
- Daniel and the Fiery Furnace (Ekkl): US$ 1,5 milhão, total de US$ 6,2 milhões
Um 2026 acima da média
O fim de semana confirma a boa fase do mercado americano. Este foi o 26º fim de semana de 2026, em 39, com arrecadação total acima de US$ 100 milhões. Em 2025, isso aconteceu apenas 17 vezes no ano inteiro.
O acumulado do ano está prestes a ultrapassar US$ 8 bilhões, marca que deve ser alcançada já no próximo fim de semana. No ano passado, o mercado só chegou a esse patamar em dezembro e fechou com US$ 8,87 bilhões. O melhor ano desde a pandemia segue sendo 2023, com US$ 9 bilhões, recorde que 2026 tem boas chances de superar.