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Baixo retorno de Death Stranding levou Sony a cancelar Physint

Bloomberg revela que o desempenho financeiro de Death Stranding foi fator decisivo no cancelamento de Physint pela Sony.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Os números por trás da franquia Death Stranding ajudam a explicar por que a Sony decidiu se afastar de Physint, segundo reportagem publicada pela Bloomberg nesta semana. De acordo com estimativas do analista Rhys Elliott, da consultoria Alinea Analytics, a franquia criada por Hideo Kojima “quase certamente ficou no zero a zero, mas por pouco”: o primeiro Death Stranding custou cerca de US$ 100 milhões para ser desenvolvido e vendeu por volta de 5 milhões de cópias ao longo de sua vida útil, enquanto a sequência, Death Stranding 2: On the Beach, exigiu investimento estimado entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões, em parte por causa do ciclo de desenvolvimento mais longo e de atrasos ligados à pandemia.

A sequência vendeu cerca de 2,5 milhões de cópias, sendo 1,8 milhão no PS5 e 700 mil no PC, gerando aproximadamente US$ 170 milhões em receita. Somando os dois jogos, a franquia rendeu à Sony algo próximo de US$ 413 milhões, um retorno considerado apertado diante do investimento total e dos custos de marketing, incluindo o elenco de celebridades presente na sequência.

Reportagem aponta múltiplos fatores por trás do cancelamento

Segundo a Bloomberg, o desempenho financeiro morno da franquia foi apenas “um fator importante” entre vários que levaram ao cancelamento de Physint. Outro motivo apontado é que o projeto já vinha perdendo prazos internos e, segundo pessoas familiarizadas com o desenvolvimento, estava a caminho de estourar significativamente o orçamento mesmo estando a anos de distância do lançamento.

Fiasco de Concord tornou a Sony mais cautelosa com grandes apostas

A reportagem também aponta o fracasso de Concord como fator indireto na decisão. O jogo de tiro, adquirido pela Sony ainda em desenvolvimento por um investimento inicial de US$ 200 milhões, acabou custando ao todo cerca de US$ 400 milhões somando desenvolvimento, aquisição dos direitos da propriedade intelectual e da própria Firewalk Studios. Após reação extremamente negativa do público, a Sony tirou o jogo do ar e retirou-o de venda em apenas duas semanas após o lançamento, fechando a Firewalk pouco mais de um ano depois de tê-la adquirido. O episódio levou a companhia a adotar metas de produção mais rígidas para seus projetos internos e parcerias, barreiras que, segundo a Bloomberg, Physint não conseguiu cumprir.

Modelo de exclusividade temporária jogou contra o projeto

Outro ponto levantado pela reportagem é a estrutura comercial das parcerias entre Kojima Productions e Sony: os dois jogos de Death Stranding foram lançados como exclusivos temporários de PlayStation, com a versão original chegando a PC e Xbox somente algum tempo depois do lançamento no PS4. A sequência seguiria o mesmo caminho, mas, como a Sony não é a publicadora responsável pela versão de Xbox, a empresa teria pouco retorno financeiro adicional apesar de ter investido pesado no desenvolvimento original.

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Xbox assume financiamento e aposta na parceria já construída com OD

Diante do impasse, a Xbox assumiu o financiamento e a publicação de Physint. Um porta-voz da empresa resumiu a decisão em comunicado: “Apostar no Kojima-san é uma decisão fácil. Acreditamos na capacidade da equipe dele de construir jogos AAA com IPs originais e inovadoras, e acreditamos em OD, em Physint e em nossa parceria crescente.” Tanto OD quanto Physint têm acordos de publicação que já incluem direitos para adaptações em cinema e televisão.

Confiança de Kojima no projeto pode não ter convencido a Sony

A ironia do desfecho ganha contorno adicional ao se recordar de uma declaração recente do próprio Kojima: em entrevista no ano passado, o diretor chegou a brincar que conseguiria criar a jogabilidade de infiltração de Physint “dormindo”, por já dominar profundamente o gênero de espionagem. Em outra ocasião, em 2025, afirmou que o jogo ainda estava a “cinco ou seis anos” de distância do lançamento, prazo que, à luz da reportagem da Bloomberg, pode ter pesado contra o projeto diante das novas exigências de cronograma da Sony.

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