Diretor revela que cortou piadas de Resident Evil após teste com plateia
Zach Cregger revela que reduziu o humor de Resident Evil após sessões de teste e explica por que não incluiu personagens clássicos dos games.
O novo filme de Resident Evil, dirigido por Zach Cregger, chega aos cinemas em 18 de setembro com uma proposta que rompe deliberadamente com a franquia estrelada por Milla Jovovich entre os anos 2000 e 2010. Em vez de adaptar a trama de qualquer jogo específico, a produção da Columbia Pictures, em parceria com Constantin Film, PlayStation Productions e Vertigo Entertainment, segue Bryan, um entregador de material médico interpretado por Austin Abrams, que se vê forçado a lutar pela sobrevivência ao entregar uma encomenda no Hospital Geral de Raccoon City durante o início de um surto viral.
O elenco ainda reúne Zach Cherry, Kali Reis, Paul Walter Hauser e Johnno Wilson como cientistas e agentes da Umbrella Corporation.
A escolha por uma história original, sem os protagonistas clássicos dos games, não é acaso: Cregger já afirmou publicamente nunca ter assistido a nenhum dos filmes anteriores da franquia, preferindo buscar inspiração diretamente nos jogos, especialmente em Resident Evil 2, na tentativa de construir o que descreve como uma carta de amor ao clima e ao ritmo da experiência de jogar a franquia, e não uma adaptação literal de sua história.
Testes com plateia convenceram o diretor a cortar boa parte do humor
Em entrevista à revista The Hollywood Reporter, Cregger revelou que o longa passou por mudanças significativas depois das sessões de teste com público. Segundo ele, os espectadores gostaram do filme, mas o consideraram engraçado demais para uma proposta de terror. “Aprendi que as pessoas realmente gostaram do filme, mas acharam que ele era engraçado demais”, contou. “Então, ao longo do processo de testes, retirei o máximo possível das piadas.”
O resultado, segundo o próprio diretor, superou as expectativas tanto do público quanto dele mesmo. “Percebi que não só o público gostou mais do filme, como eu também gostei muito mais dele. Um pouco de humor rende muito num filme de terror, e não existe uma única piada que retirei deste filme da qual eu sinta falta. Então essa perspectiva foi muito útil.”
Um currículo recente de sucesso no gênero terror
A trajetória de Cregger no cinema de terror ajuda a explicar a confiança da PlayStation Productions e da Sony no projeto: seu longa anterior, Weapons, estreou com US$ 70 milhões de bilheteria mundial já no fim de semana de lançamento, superando o desempenho de Barbarian, filme que o consagrou no gênero, em apenas três dias em cartaz. Ambos os títulos acumulam avaliações elogiosas da crítica especializada.
Diretor diz que não teme reação de fãs mais apegados à história dos games
Questionado sobre a ausência de personagens icônicos da franquia, como Leon Kennedy, Cregger reconheceu diferentes perfis dentro do próprio público de Resident Evil. “Existem diferentes tipos de fãs de Resident Evil. Existem fãs como eu, que amam a experiência de jogar os games e acham que nunca existiu um filme que representasse de verdade a sensação de jogar Resident Evil. É assim que eu me classifico como fã”, explicou. “Depois existem fãs dos jogos que amam especificamente a mitologia, os personagens e os detalhes minuciosos da história. Meu filme não gasta muito capital nessas coisas. Não estou colocando nenhum personagem clássico da franquia neste filme.”
O diretor disse compreender o desconforto de parte do público mais apegado à continuidade dos games, mas afirmou não deixar essa preocupação interferir no processo criativo. “Eu entendo essa perspectiva, mas ao mesmo tempo não posso deixar isso afetar meu trabalho. Tenho que fazer a melhor versão deste filme que sou capaz de fazer e me dedicar inteiramente a ele. Não posso ficar preocupado se estou agradando todos os espectros do fandom. Se eu tentasse agradar todo mundo, acabaria não agradando ninguém. Isso é óbvio.”
Resident Evil estreia oficialmente em sessão especial no festival Fantastic Fest, em 17 de setembro, um dia antes de sua chegada ampla aos cinemas.