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Blizzard explica por que anunciou StarCraft 4 anos antes do lançamento

Presidente e diretor da Blizzard explicam por que StarCraft foi revelado quatro anos antes de sair, apesar do histórico de cancelamentos.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Um jogo revelado quatro anos antes de chegar às lojas é raro até para os padrões da indústria, e foi exatamente isso que a Blizzard fez ao apresentar o novo StarCraft, um game de tiro em mundo aberto, na BlizzCon 2026. A data soou distante demais para muita gente, principalmente porque a própria Blizzard não tem reputação de cumprir prazos anunciados com folga.

A explicação oficial veio da presidente da empresa, Johanna Faries: a companhia quer transmitir confiança sobre suas apostas mais importantes e provar que vai “lançar, lançar grande e lançar no prazo”. A mesma lógica valeu para Diablo 5, revelado no mesmo evento com previsão para 2029, também anos antes da estreia.

Segundo reportagens sobre a estratégia, o movimento também serve para sinalizar à Microsoft, dona da Blizzard desde 2023, que o estúdio tem grandes projetos em andamento, em um momento de cortes de pessoal na gigante de tecnologia.

O motivo, segundo o próprio diretor do jogo

Dan Hay, gerente-geral e vice-presidente da Blizzard à frente do novo StarCraft, deu uma explicação complementar à Polygon durante a BlizzCon. Para ele, colocar uma data pública no projeto funciona como um “agente esclarecedor” dentro do próprio estúdio: força a equipe a reduzir escopo, focar e parar de apenas discutir ideias em abstrato.

Segundo Hay, o anúncio marca o momento em que o time sente que o jogo já tem identidade própria e está pronto para ouvir a reação do público antes de seguir em frente no desenvolvimento.

Hay também disse que o processo de decisão levou em conta o tempo real que esse tipo de jogo demanda. Depois de fechar a visão do projeto e alinhar a equipe em uma mesma direção, a Blizzard considerou que era hora de mostrar algo concreto e coletar feedback, mesmo sabendo que ainda faltam anos de trabalho pela frente.

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Por que a desconfiança faz sentido

O ceticismo em torno da data de 2030 não é gratuito. Antes desse anúncio, StarCraft já teve pelo menos duas tentativas de expansão para outros formatos que nunca saíram do papel. A primeira foi StarCraft: Ghost, revelado ainda em 2002 como um jogo de ação furtiva estrelado pela agente Nova, que passou por dois estúdios diferentes e só foi oficialmente cancelado em 2014, depois de mais de uma década em desenvolvimento incerto.

A segunda foi o Project Ares, um atirador em primeira pessoa iniciado em 2017 e cancelado silenciosamente em 2019, depois de cerca de dois anos de produção.

Esse histórico ajuda a explicar por que anunciar StarCraft com quatro anos de antecedência soa, para parte do público, mais como uma tentativa de provar viabilidade do projeto do que como uma simples demonstração de confiança. A Blizzard, porém, aposta que desta vez o resultado será diferente, também por colocar à frente um nome com currículo consolidado em jogos de mundo aberto: Hay foi produtor executivo de toda a franquia Far Cry na Ubisoft a partir do primeiro título, ficando no cargo até o lançamento de Far Cry 6, em 2021, antes de chegar à Blizzard em 2022.

O que já se sabe sobre o jogo

Apesar da distância até o lançamento, a Blizzard adiantou que a história será contada pela perspectiva dos Terrans, a facção humana da saga, e que o tom vai equilibrar humor e momentos sombrios, como já mostrou o teaser exibido no evento. Hay descreveu os Zerg como uma força quase impossível de negociar e os Protoss como uma facção regida por tradição, características que devem se refletir no confronto entre as facções dentro do próprio jogo.

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