Documentário de Nathan Fielder sobre Elizabeth Holmes faz a segunda maior estreia do gênero nos EUA
You Can See Everything faturou US$ 15 milhões em só 855 salas e perde apenas para Fahrenheit 11 de Setembro entre os documentários.
Oito anos depois do colapso da Theranos, Elizabeth Holmes voltou a lotar salas, agora de cinema. You Can See Everything, documentário da A24 dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim, arrecadou cerca de US$ 15 milhões no fim de semana de estreia nos Estados Unidos. O filme estava em apenas 855 cinemas.
O resultado coloca o longa como a segunda maior estreia de um documentário na história. Ele só fica atrás de Fahrenheit 11 de Setembro, de Michael Moore, que abriu com US$ 23,9 milhões em 2004. O campeão do fim de semana foi Street Fighter, com US$ 31 milhões.
Três horas com a fundadora da Theranos
O documentário tem quase três horas e acompanha Holmes nas semanas que antecederam sua entrada na prisão. A empresária foi condenada por fraude depois de prometer um exame capaz de fazer centenas de testes com poucas gotas de sangue. A história já tinha virado a minissérie The Dropout, com Amanda Seyfried, premiada com o Emmy.
A A24 guardou o filme em segredo até uma sessão surpresa no Festival de Telluride. Fielder, o comediante canadense de Nathan for You e The Rehearsal, aparece em cena como coprotagonista. O longa ainda não tem data de estreia no Brasil.
Ingressos esgotados e público jovem
O desempenho por sala chama ainda mais atenção. A média ficou em cerca de US$ 17,5 mil por cinema, e segundo relatos foram mais de 2 mil sessões esgotadas no fim de semana. É a maior estreia de um filme em menos de mil salas desde Borat, em 2006.
O público é jovem: cerca de 70% tinham menos de 35 anos, segundo a A24. As pesquisas de saída também foram excelentes, com 98% de avaliações positivas. No Letterboxd, segundo relatos, o filme alcançou nota 4,8, a mais alta já registrada na plataforma. A distribuidora deve ampliar o número de salas no próximo fim de semana.
Street Fighter lidera, mas sem euforia
No topo do ranking, Street Fighter abriu com US$ 31 milhões. A adaptação do clássico da Capcom, feita pela Legendary e distribuída pela Paramount, ficou cerca de 19% abaixo dos US$ 38,5 milhões de Mortal Kombat 2, lançado em maio. Segundo relatos, o estúdio esperava mais.
O filme atraiu principalmente homens acima de 35 anos, a geração que cresceu jogando nos fliperamas. A nota no CinemaScore foi B-, abaixo dos dois Mortal Kombat recentes. No Brasil, Street Fighter já está em cartaz desde 15 de outubro.
O naufrágio de Whalefall
A decepção do fim de semana foi Whalefall, da 20th Century Studios. O suspense, baseado no romance de Daniel Kraus, custou US$ 60 milhões e estreou com apenas US$ 8 milhões. A disputa pelo mesmo público masculino de Street Fighter pesou contra o filme.
Histórias no mar não têm funcionado em Hollywood há anos. No Coração do Mar abriu com US$ 11 milhões em 2015, e Horas Decisivas estreou com US$ 10,2 milhões em 2016. O último grande sucesso do gênero, fora a franquia Piratas do Caribe, foi Mar em Fúria, de 2000.
Razão e Sensibilidade e o retorno de The Devils
A nova adaptação de Razão e Sensibilidade, com Daisy Edgar-Jones, estreou em quinto lugar com US$ 7,25 milhões. O filme custou US$ 20 milhões e atraiu um público 84% feminino, que lhe deu nota A- no CinemaScore.
Entre as curiosidades está o relançamento de Os Demônios, de Ken Russell, com classificação NC-17. A obra de 1971 faturou US$ 1,64 milhão em 350 salas. Segundo relatos, o maior gasto de marketing foi um outdoor de cerca de US$ 600. No total, o fim de semana somou US$ 107 milhões, 58% acima do mesmo período de 2025.
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