Elizabeth Holmes ligou da prisão para Nathan Fielder antes da estreia de You Can See Everything: ‘Confio em você’
Elizabeth Holmes ligou para Nathan Fielder pela primeira vez em seis meses e repetiu duas vezes “confio em você”. O diretor diz não entender.
O telefone tocou poucos dias antes da estreia. Do outro lado da linha, direto de uma prisão federal americana, estava Elizabeth Holmes. Era a primeira vez em mais de seis meses que a ex-CEO da Theranos falava com Nathan Fielder, codiretor de You Can See Everything, documentário sobre os últimos dias dela antes da prisão.
Fielder contou a história em entrevista a uma revista americana de tecnologia. Segundo o diretor, Holmes perguntou como ele estava e disse ter ouvido falar do filme, mas sem ler quase nada a respeito. No fim da ligação, ela disse uma frase que ele ainda tenta decifrar: “Confio em você”.
Uma frase repetida duas vezes
A conversa seguiu por outros caminhos. Holmes falou dos filhos e deu notícias que, segundo Fielder, não cabe a ele compartilhar. Mas, ao se despedir, ela repetiu a mesma frase. O diretor diz que respondeu com um simples agradecimento e que até hoje não sabe o que ela quis dizer.
O episódio combina com o tom do filme. You Can See Everything, codirigido por Fielder e Lance Oppenheim, acompanha Holmes e o companheiro, Billy Evans, nas semanas anteriores ao início de sua pena de mais de 11 anos por fraude. A equipe se mudou para a casa do casal 34 dias antes de ela se entregar.
Como Fielder entrou na história
O projeto começou de forma curiosa. Segundo Fielder, Holmes e Evans tinham procurado a A24 para propor um documentário sobre eles, sem sucesso. Meses depois, o diretor ficou sabendo da tentativa, ligou para a distribuidora e pediu para conhecer a empresária.
O que ainda intriga Fielder é por que ela aceitou. Quem conhece Nathan for You e The Rehearsal sabe que o humor desconfortável do canadense não costuma render retratos convencionais. Ele diz ter feito essa pergunta a Holmes logo nos primeiros dias de filmagem e até hoje não entende a resposta. Segundo o diretor, ela tinha visto pouco do seu trabalho, e Evans conhecia mais. Para completar o mistério, Holmes contou que seu filme favorito é Um Duende em Nova York, com Will Ferrell.
A versão de Billy Evans
Evans explicou a motivação do casal no podcast All-In, um dia antes da estreia. Segundo ele, a ideia era permitir que o público conhecesse Holmes de perto e tirasse as próprias conclusões. Ele contou que amigos e familiares desconfiaram quando souberam do relacionamento, mas mudaram de opinião depois de conviver com ela.
O plano, porém, parece ter saído pela culatra. Desde o primeiro teaser, muitos espectadores se incomodaram com o comportamento de Holmes e com a insistência dela em dizer que não fez nada de errado na Theranos. As reações ao filme reforçaram as críticas à empresária.
Sucesso de bilheteria
Nada disso afastou o público. You Can See Everything faturou cerca de US$ 15 milhões na estreia nos Estados Unidos, em apenas 855 salas. É a segunda maior abertura de um documentário na história, atrás apenas de Fahrenheit 11 de Setembro, de 2004.
O filme ainda não tem data de estreia no Brasil. A história de Holmes já tinha virado a minissérie The Dropout, com Amanda Seyfried, que venceu o Emmy pelo papel.
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