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Review | AION 2 traz um novo mundo para explorar pelos céus

Confira nossa análise de AION 2, MMORPG da NCSoft que aposta em combate manual, exploração aérea, PvP e um gigantesco mundo para explorar.

Daniel Tanan
Daniel Tanan Redação
13 min de leitura

Desde o lançamento do primeiro AION, a franquia da NCSoft encontrou uma maneira particular de se destacar dentro do gênero dos MMORPGs. Em vez de tratar a fantasia apenas como um espaço horizontal para explorar, o jogo colocou o voo no centro de sua proposta, transformando os céus de Atreia em uma extensão natural do mundo. 

AION 2 parte dessa mesma ideia, mas apresenta uma experiência muito maior, com combate mais manual, um mundo expansivo, diferentes classes, masmorras, PvP e uma exploração que tenta fazer da verticalidade uma de suas principais características.

Em um gênero marcado por sistemas cada vez mais complexos e por mundos que podem exigir dezenas ou até centenas de horas do jogador, AION 2 precisa encontrar um equilíbrio entre quantidade e identidade. 

Seu combate funciona bem? O voo realmente transforma a exploração? E, principalmente, a história e o universo de Atreia conseguem justificar toda essa escala? 

Jogabilidade

Uma das primeiras coisas que chamam atenção em AION 2 é que ele parece ter sido construído a partir de uma pergunta bastante simples. E se o voo não fosse apenas uma maneira mais rápida de atravessar o mapa, mas uma parte fundamental da própria jogabilidade?

Essa ideia já fazia parte da identidade do primeiro Aion, mas a sequência procura levar o conceito muito mais longe. O mundo foi projetado para ser explorado tanto no chão quanto no ar, e isso muda a maneira como enxergamos o espaço, enfrentamos inimigos e até pensamos na movimentação durante uma batalha. 

A própria NCSoft descreve o jogo como uma evolução da franquia, com combate manual e liberdade aérea como alguns de seus principais pilares.

E é justamente no combate que AION 2 tenta se diferenciar de uma parte considerável dos MMORPGs tradicionais. 

Aqui, a proposta é deixar o jogador mais diretamente responsável pelas ações do personagem. Ataques, habilidades, esquivas e posicionamento dependem da participação ativa do jogador, em vez de transformar o confronto em uma sequência de comandos automatizados. 

Isso deixa a experiência mais próxima de um RPG de ação do que de alguns MMORPGs tradicionais baseados em selecionar o inimigo e acompanhar uma rotação de habilidades.

Essa mudança pode parecer pequena no papel, mas altera bastante a sensação de jogar. Quando você precisa prestar atenção ao que está acontecendo na sua frente, identificar os ataques do adversário e reagir no momento correto, o combate ganha um ritmo diferente.

 Você deixa de apenas administrar números e começa a participar mais diretamente das batalhas. A precisão e o posicionamento passam a ter importância, principalmente conforme os inimigos ficam mais agressivos e os confrontos começam a exigir maior domínio das habilidades.

Isso também aparece na variedade das classes. AION 2 oferece diferentes arquétipos, desde personagens especializados em combate corpo a corpo até classes focadas em ataques à distância, suporte, cura e invocação.

Cada classe possui uma maneira própria de participar das batalhas e, consequentemente, exige uma adaptação diferente por parte do jogador. A NCSoft apresentou oito classes como parte da estrutura principal do jogo, preservando funções que já fazem parte da identidade de Aion.

Essa variedade é particularmente importante em um MMORPG porque permite que jogadores encontrem estilos que combinem com suas preferências. Quem gosta de ficar na linha de frente pode optar por uma classe mais resistente ou especializada em combate corpo a corpo.

Quem prefere distância pode utilizar personagens capazes de atacar de longe. Já aqueles que gostam de cumprir funções mais estratégicas dentro de um grupo podem escolher suporte ou cura. Isso ajuda a criar uma experiência que não depende de uma única maneira correta de jogar.

Outro elemento importante é a possibilidade de personalizar o estilo de combate por meio das habilidades e sistemas de progressão. A evolução do personagem não serve apenas para aumentar números.

O jogador pode adaptar suas habilidades e construir uma forma de jogar que combine melhor com sua classe e com as situações que encontra. O sistema de Stigma também entra nessa equação, oferecendo habilidades adicionais e possibilidades de especialização. 

A própria NCSoft vem realizando ajustes de balanceamento e adicionando novas habilidades às classes, o que demonstra como esse sistema é uma parte importante da estrutura do jogo.

Mas é quando o personagem ganha suas asas que AION 2 realmente começa a apresentar algo que o diferencia.

Voar aqui não funciona simplesmente como uma animação bonita. A liberdade vertical muda a exploração e também pode interferir diretamente no combate. É possível ganhar altitude, mudar a direção e utilizar o espaço aéreo para alcançar regiões que seriam inacessíveis por terra. 

Isso faz com que o mapa deixe de ser apenas uma superfície horizontal. Existem caminhos acima do jogador, áreas escondidas e diferentes possibilidades de aproximação.

A sensação de liberdade também é reforçada pelo tamanho do mundo. A NCSoft afirma que AION 2 possui um mundo 36 vezes maior que o jogo original, desenvolvido para permitir que o jogador explore praticamente tudo aquilo que consegue enxergar. 

Além do voo, existe também exploração subaquática, ampliando ainda mais a quantidade de espaços que podem ser acessados.

E essa verticalidade ajuda a criar uma relação diferente com o próprio mapa. Em muitos MMORPGs, quando vemos uma montanha ou uma construção distante, sabemos que aquilo provavelmente representa apenas um ponto de referência. 

Em AION 2, a expectativa é diferente porque existe a possibilidade de realmente chegar até determinados lugares utilizando o voo. O mundo passa a estimular mais a curiosidade do jogador.

As masmorras também são importantes dentro dessa estrutura. O jogo oferece uma grande quantidade de conteúdo PvE, incluindo experiências para jogadores individuais e grupos de diferentes tamanhos. A proposta é atender tanto quem prefere avançar sozinho quanto aqueles que gostam de formar grupos e enfrentar desafios maiores.

 A NCSoft afirma que existem mais de 200 masmorras e diferentes formatos de conteúdo, o que representa uma quantidade considerável de atividades para um MMORPG.

Os confrontos contra chefes aproveitam especialmente bem a proposta de combate manual. Quando o jogador precisa observar padrões, posicionar o personagem e reagir aos ataques, os encontros deixam de ser apenas testes de equipamento. 

Naturalmente, os atributos e a progressão continuam importantes em um MMORPG, mas existe uma participação maior da habilidade individual. Isso torna os combates mais interessantes para quem prefere uma experiência ativa.

O PvP também se beneficia dessa estrutura. Como o jogo trabalha com duas grandes facções, Elyos e Asmodians, existe uma tradição de conflito entre jogadores que continua fazendo parte da identidade de Aion. 

O jogo apresenta batalhas de maior escala e sistemas voltados para confrontos entre facções, mantendo essa característica como uma das possibilidades de endgame. Atualizações recentes também adicionaram novos formatos de PvP e ajustes para separar melhor os cálculos de dano entre PvP e PvE.

Naturalmente, existe uma questão que acompanha praticamente todo MMORPG moderno. Quanto mais sistemas um jogo apresenta, maior é o risco de transformar a experiência em uma sucessão de menus, progressão e tarefas. 

AION 2 possui uma quantidade enorme de possibilidades, e isso pode ser bastante atraente para quem gosta de ter sempre alguma coisa para fazer. Ao mesmo tempo, jogadores que procuram uma experiência mais simples podem sentir que existe informação demais para absorver.

Ainda assim, a impressão geral é positiva justamente porque existe uma identidade clara por trás de todos esses sistemas. O voo não está ali apenas para impressionar visualmente. O combate manual não existe apenas para parecer moderno. 

As classes, masmorras, PvP e exploração foram pensados em torno de um MMORPG que quer fazer o jogador ocupar o espaço de maneira mais livre.

No fim, o maior acerto de AION 2 está em transformar a verticalidade em parte da experiência, e não apenas em um recurso visual. 

Você pode lutar no chão, ganhar altitude, explorar regiões por diferentes ângulos e utilizar as habilidades da sua classe em uma experiência que tenta aproximar o MMORPG tradicional dos RPGs de ação.

Ele ainda carrega algumas características familiares do gênero e não deixa de exigir dedicação de quem pretende mergulhar profundamente em sua progressão. Mas quando seus sistemas trabalham juntos, especialmente combate, voo e exploração, AION 2 consegue apresentar uma proposta bastante interessante. 

É um MMORPG que quer que o jogador não apenas percorra um mundo gigantesco, mas aprenda a enxergá-lo em três dimensões.

História — Um Mundo Dividido Entre Duas Facções

A história de AION 2 parte de uma das características mais tradicionais da franquia, a existência de um mundo dividido por um conflito entre duas grandes facções. 

Elyos e Asmodians continuam ocupando lados opostos de Atreia, carregando culturas, identidades e visões diferentes sobre o próprio mundo. 

Essa divisão não serve apenas como justificativa para o PvP. Ela também estabelece o cenário político e social no qual o jogador começa sua jornada, colocando o personagem em meio a um universo marcado por uma guerra que atravessa gerações.

O que torna essa estrutura interessante é que AION 2 não apresenta Atreia simplesmente como um cenário de fantasia medieval. 

O mundo possui uma história própria, marcada por conflitos, transformações e pela presença de forças que ultrapassam aquilo que os habitantes conseguem compreender completamente.

 A sensação é de estar entrando em um universo que já existia antes do protagonista e continuará existindo depois dele. Isso é particularmente importante em um MMORPG, porque a narrativa precisa criar um mundo suficientemente grande para justificar centenas de horas de exploração.

O conflito entre Elyos e Asmodians funciona como a base dessa construção. Cada lado possui sua própria identidade visual e cultural, e a escolha da facção ajuda a determinar a maneira como o jogador enxerga determinados acontecimentos. 

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Não existe simplesmente um lado “bom” e outro “mau”. A divisão procura apresentar perspectivas diferentes sobre o mundo e sobre os acontecimentos que levaram Atreia à situação atual.

Essa característica também ajuda a conectar a história ao próprio funcionamento do jogo. O conflito entre facções não fica restrito às cenas narrativas. 

Ele aparece no mundo aberto, nas disputas entre jogadores e na própria construção das regiões exploradas. A guerra deixa de ser apenas um elemento do roteiro e passa a fazer parte da experiência cotidiana do personagem.

Ao mesmo tempo, AION 2 precisa lidar com uma dificuldade comum aos MMORPGs. A quantidade de conteúdo e sistemas faz com que a narrativa seja apresentada aos poucos, através de missões, personagens, diálogos e descobertas espalhadas pelo mundo. 

Para quem chega sem conhecer a franquia, isso pode tornar o início um pouco mais difícil de acompanhar. Existem nomes, lugares e acontecimentos que parecem pressupor que o jogador esteja disposto a aprender a história de Atreia enquanto avança.

Essa característica pode ser positiva para quem gosta de construir conhecimento sobre o universo gradualmente, mas também significa que a narrativa nem sempre possui o mesmo impacto de um RPG linear. 

O protagonista participa de uma história maior, porém a experiência é construída em torno da exploração e da progressão do jogador. A história precisa dividir espaço com o próprio mundo.

E talvez seja justamente aí que AION 2 encontre uma de suas maiores forças narrativas. O tamanho de Atreia permite que o universo seja descoberto através da exploração. Regiões, personagens e acontecimentos ajudam a transmitir a sensação de que existe uma história muito maior acontecendo além da missão atual. 

A liberdade de movimentação também contribui para isso, já que o jogador pode observar o mundo de diferentes perspectivas e descobrir lugares que não necessariamente fazem parte do caminho mais direto da campanha.

O próprio voo ganha importância narrativa nesse contexto. Em vez de tratar Atreia como um espaço puramente horizontal, AION 2 apresenta um mundo que pode ser explorado em diferentes níveis.

O jogador pode atravessar grandes distâncias pelo ar e observar regiões de uma perspectiva diferente. 

Isso ajuda a reforçar a ideia de que o mundo possui uma história que não está limitada ao caminho principal.

Outro elemento importante é a relação entre o indivíduo e as grandes forças que disputam o controle de Atreia. 

O protagonista começa sua jornada como mais uma peça dentro de um conflito muito maior. Conforme avança, porém, suas ações passam a adquirir importância. 

Essa estrutura é bastante tradicional em MMORPGs, mas funciona porque cria uma progressão narrativa paralela à evolução do personagem.

Você começa tentando compreender o mundo e suas divisões. Depois passa a entender melhor as facções, os conflitos e as ameaças que existem naquele universo. 

Conforme a jornada avança, aquilo que inicialmente parecia apenas uma disputa entre dois grupos começa a revelar uma estrutura maior.

Ainda assim, a narrativa de AION 2 não parece ter como principal objetivo revolucionar o gênero. Sua função é oferecer contexto para um universo gigantesco e dar ao jogador motivos para continuar explorando.

 Isso pode fazer com que a história seja menos marcante para quem procura um RPG centrado exclusivamente em personagens e grandes reviravoltas, mas é uma abordagem coerente com a natureza do jogo.

O maior mérito está justamente na construção de mundo. Atreia parece ter sido criada para ser explorada, e não simplesmente atravessada entre uma missão e outra.

 A existência de duas facções, diferentes regiões, conflitos e uma história que se espalha pelo cenário cria uma sensação de continuidade. O jogador não está apenas cumprindo tarefas em um mapa. Está conhecendo um universo que possui suas próprias regras e contradições.

Por outro lado, quem espera uma narrativa extremamente cinematográfica pode encontrar uma experiência mais fragmentada. A história depende bastante da disposição do jogador para acompanhar diálogos, missões secundárias e informações espalhadas pelo mundo. É uma narrativa que pede envolvimento e curiosidade.

No fim, AION 2 apresenta uma história que funciona principalmente como porta de entrada para seu universo. A divisão entre Elyos e Asmodians continua sendo seu principal eixo, mas o verdadeiro atrativo está na maneira como o conflito se integra à construção de Atreia. Não é uma narrativa que precisa necessariamente dominar a experiência. 

Ela existe para tornar o mundo mais interessante, dar significado à exploração e transformar a evolução do personagem em uma jornada dentro de um universo que parece continuar existindo mesmo quando o jogador está longe dele.

Conclusão

AION 2 encontra sua maior força justamente naquilo que diferencia a franquia de outros MMORPGs.

O combate mais manual deixa os confrontos mais ativos, enquanto a possibilidade de voar transforma a maneira como o jogador observa e percorre o mundo. 

As diferentes classes, sistemas de progressão, masmorras e atividades PvE e PvP oferecem bastante conteúdo para quem pretende investir muitas horas na experiência. Ao mesmo tempo, a quantidade de sistemas pode tornar a adaptação um pouco complicada para quem chega sem familiaridade com o gênero ou com a própria franquia.

Na história, AION 2 não tenta reinventar a narrativa dos MMORPGs, mas utiliza bem a divisão entre Elyos e Asmodians para construir a identidade de Atreia e dar significado à exploração.

A narrativa funciona melhor como uma porta de entrada para esse universo do que como uma experiência cinematográfica centrada em personagens.

 No fim, AION 2 consegue preservar aquilo que tornou seu antecessor diferente e ampliar sua proposta para uma experiência muito mais ambiciosa.

 Para quem procura um MMORPG focado em exploração, combate e liberdade de movimento, especialmente nos céus, a experiência tem características suficientes para justificar uma visita a Atreia.

Agradecemos à distribuidora pela cópia gentilmente cedida para a análise.

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