Ignorando críticas, cinebiografia de Michael Jackson fatura US$ 217 milhões e quebra recordes
A cinebiografia Michael bateu o recorde histórico de arrecadação para o gênero, superando sucessos como Bohemian Rhapsody e Straight Outta Compton.
Temos um novo rei absoluto nas bilheterias mundiais. Michael, a aguardada cinebiografia de Michael Jackson produzida pela Lionsgate, chegou aos cinemas como um fenômeno instantâneo. O longa arrecadou gigantescos US$ 97 milhões apenas nos Estados Unidos e somou US$ 217 milhões globalmente logo no seu primeiro fim de semana de exibição.
Esses números impressionantes marcam a melhor estreia de todos os tempos para uma cinebiografia, esmagando com folga o recorde anterior estabelecido por Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (US$ 60 milhões em 2015). Para efeitos de comparação, o megassucesso Bohemian Rhapsody (2018) abriu com US$ 51 milhões antes de obliterar as expectativas e fechar sua corrida com US$ 910 milhões. No cenário geral de lançamentos do ano, Michael só ficou atrás da gigantesca estreia de The Super Mario Galaxy Movie em abril (US$ 131 milhões).
O abismo entre a crítica e o público
Curiosamente, o filme está dominando as bilheterias mesmo com uma recepção terrível da crítica especializada (amargando apenas 38% de aprovação no Rotten Tomatoes). O público, no entanto, discordou frontalmente dos jornalistas e abraçou a obra, garantindo a excelente nota “A-” nas pesquisas de saída do CinemaScore. De acordo com o PostTrak, 61% dos compradores de ingressos eram mulheres e 66% tinham 25 anos ou mais.
“Você não atinge esse número a menos que esteja vendo grandes resultados em todos os dados demográficos possíveis”, celebrou Adam Fogelson, presidente do conselho de cinema da Lionsgate. “Eles claramente estão se divertindo muito, e isso é um bom presságio para um excelente boca a boca”.
Mudança de rota, orçamento inflado e o efeito nostalgia
Dirigido por Antoine Fuqua, o longa traz Jaafar Jackson (sobrinho do cantor na vida real) fazendo sua estreia como ator no papel principal, apoiado por Colman Domingo e Nia Long. Muitos críticos reclamaram que o projeto entregou uma visão higienizada da vida do astro, omitindo as graves acusações de abuso infantil.
Como já se sabe, isso ocorreu por um bloqueio legal: os produtores descobriram uma cláusula no acordo judicial de 1993 que os impedia de retratar ou sequer mencionar o jovem acusador nas telas. Após uma grande reestruturação que custou milhões, o filme agora termina no auge da turnê Bad, em 1988, e o estúdio já planeja pelo menos uma continuação.
Apesar das dores de cabeça e do orçamento inflado que beira a casa dos US$ 200 milhões, a aposta alta da Lionsgate, Universal e do espólio do cantor já se provou lucrativa. O estúdio amargou um ano brutal em 2024 (com fracassos como Borderlands e O Corvo), mas Michael acaba de se tornar o seu maior hit na última década, superando a estreia de Jogos Vorazes: A Esperança – O Final (2015).
Assim como Bohemian Rhapsody e Elvis, o grande trunfo da cinebiografia foi se apoiar na recriação visceral dos shows. Cenas eletrizantes embaladas por sucessos como Billie Jean, Thriller e Beat It transformaram a exibição em um verdadeiro evento musical. Isso empurrou o público para as telas IMAX, que responderam por impressionantes US$ 24,5 milhões da arrecadação global.
O Top 3 das Bilheterias e o otimismo dos cinemas
Com a chegada arrebatadora do Rei do Pop, o ranking do fim de semana nos Estados Unidos ficou definido assim:
- 1º Lugar – Michael: A cinebiografia dominou o mercado interno com US$ 97 milhões.
- 2º Lugar – The Super Mario Galaxy Movie: O antigo campeão caiu para a segunda posição após três semanas no topo. A animação da Nintendo arrecadou mais US$ 21,2 milhões, ultrapassando os US$ 800 milhões no mundo todo.
- 3º Lugar – Project Hail Mary: O épico espacial estrelado por Ryan Gosling continua mostrando uma resistência invejável, somando US$ 13,2 milhões em seu sexto fim de semana (com um total global de US$ 613 milhões).
Esse cenário reverteu de vez o humor dos donos de cinemas. A bilheteria geral já está 15% acima do mesmo período de 2025. E o momento promete continuar aquecido: a temporada de blockbusters de verão (no hemisfério norte) está prestes a começar com a aguardada estreia de O Diabo Veste Prada 2, seguida pelas promessas de maio com Mortal Kombat 2 e o derivado de Star Wars, The Mandalorian and Grogu.