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Memória RAM pode ficar 50% mais cara até setembro e situação deve piorar

Jefferies Equity Research projeta alta de 40% a 50% nos preços de memória no terceiro trimestre de 2026 e mais 30% a 40% no quarto

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

Os números que pioram a cada relatório

A Jefferies Equity Research publicou nesta semana a projeção mais agressiva sobre preços de memória entre as grandes casas de análise do mercado financeiro. Segundo o relatório, os preços de DRAM e NAND devem subir entre 40% e 50% no terceiro trimestre de 2026 em relação ao segundo.

Isso é o que ainda está por vir até setembro. Para o quarto trimestre, o documento projeta mais uma alta de 30% a 40%. Em 2027, o aumento acumulado ano a ano deve ficar entre 40% e 45%. O primeiro sinal de alívio genuíno, uma queda de preço da ordem de 15% a 20%, só deve aparecer em 2028, quando nova capacidade de produção começa a entrar no mercado.

Para quem acompanhou a cobertura da semana sobre a crise de memória, a Lenovo e os preços de consoles, o relatório da Jefferies não contradiz nada do que já foi dito. Ele simplesmente quantifica o que vem a seguir com um nível de especificidade que nenhum outro relatório havia atingido.

Por que as projeções da Jefferies são mais agressivas que as concorrentes

A Jefferies está adotando um tom mais severo do que outras firmas de análise. A Aletheia Capital, por exemplo, projeta alta de 30% no terceiro trimestre e apenas 10% a 15% no quarto, números significativamente mais modestos. A diferença está na leitura de quanto da capacidade de produção mundial está sendo comprometida por contratos de longo prazo com empresas de inteligência artificial.

Segundo a Jefferies, provedores de serviços em nuvem como Google, Microsoft e Amazon já comprometeram aproximadamente 50% da capacidade total de produção de memória do mercado em acordos de dois anos com pagamentos antecipados de 40%. Esse número pode chegar a 70%. O resultado direto é que fabricantes de eletrônicos de consumo, que incluem os fabricantes de consoles, PCs e smartphones, têm acesso a uma fatia cada vez menor de uma produção que já é insuficiente para a demanda atual.

O que isso significa na prática para o consumidor

Os impactos já estão visíveis. Um kit de 32 GB de DDR5 que custava entre US$ 80 e US$ 120 em meados de 2025 está sendo vendido hoje entre US$ 300 e US$ 500, quando disponível – no Brasil os preços superam a marca de 3500 reais. Os preços de contrato de DRAM subiram 90% só no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior. A memória e o armazenamento respondem hoje por aproximadamente 35% do custo de fabricação de um notebook, mais do que o dobro dos 15% a 18% de 2025.

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Para o mercado de games, as consequências práticas são os aumentos de preço de consoles que já cobrimos nesta semana: Xbox Series X subindo para US$ 799, PS5 base em US$ 549, PS5 Pro em US$ 899. Se a Jefferies estiver certa sobre as próximas altas, novos reajustes antes do fim do ano não são apenas possíveis, são prováveis. A Microsoft já avisou que prevê uma duplicação de custos até o outono de 2027.

A China não é a solução que todos esperavam

Uma narrativa que circulou no setor durante 2025 era a de que os fabricantes chineses de memória, especialmente a CXMT e a YMTC, poderiam oferecer uma alternativa mais barata e aliviar a pressão sobre o mercado global. A Jefferies foi explícita ao desmontar essa expectativa. A tecnologia de DRAM da CXMT está entre 1,5 e 2 gerações atrás dos líderes globais, sem acesso a litografia EUV para avançar para DDR6 ou HBM3E. Os produtos chineses não representam ameaça ao mercado global em 2026 e 2027, e sua produção está majoritariamente direcionada para o mercado doméstico.

A perspectiva muda em 2028. A CXMT e a YMTC devem iniciar uma expansão acelerada de fábricas nessa janela, com possibilidade de competir em mercados externos com tecnologia de NAND que até lá terá alcançado um nível mais competitivo. É uma das razões pelas quais 2028 aparece como o primeiro horizonte de alívio em praticamente todos os relatórios recentes sobre o setor.

Se você precisa comprar hardware, o momento é agora

A mensagem prática que a Jefferies, a Lenovo e a Micron estão enviando ao mercado é consistente: os preços de hoje vão parecer baratos em comparação com o que vem nos próximos 18 meses. Um kit DDR5, um SSD, um console ou um PC comprado agora vai custar menos do que o mesmo produto vai custar em 2027. Não é garantia, mas é a direção que todos os relatórios disponíveis apontam, com graus diferentes de agressividade nas projeções mas nenhum sugerindo reversão antes de 2028.

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