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Mitologia chinesa influencia games com Wuchang, Wukong e outros

Elementos da mitologia chinesa aparecem em jogos recentes como Wuchang, Black Myth: Wukong e Where Winds Meet, além de títulos digitais inspirados no zodíaco.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura
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A mitologia chinesa tem se tornado uma referência cada vez mais presente na indústria de jogos eletrônicos. Nos últimos anos, estúdios passaram a utilizar lendas, personagens históricos e símbolos do folclore do país como base para a construção de cenários e narrativas em diferentes gêneros.

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Esse movimento pode ser observado tanto em produções de grande escala voltadas para consoles e PC quanto em jogos digitais distribuídos em plataformas online. Em comum, esses projetos utilizam elementos tradicionais — como criaturas mitológicas, entidades espirituais e símbolos do calendário lunar — para compor universos ficcionais.

O interesse por essas referências acompanha uma mudança gradual no repertório cultural da indústria. Durante décadas, boa parte dos jogos utilizou mitologias europeias ou nórdicas como base narrativa. Com a expansão do mercado asiático e o crescimento de estúdios da região, histórias inspiradas em tradições chinesas passaram a aparecer com maior frequência em novos projetos.

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Entre história e fantasia nos RPGs contemporâneos

Parte dos títulos recentes combina períodos históricos da China com elementos sobrenaturais presentes no folclore local. Esse tipo de abordagem cria cenários em que acontecimentos inspirados em registros históricos convivem com criaturas e lendas tradicionais.

Um exemplo é Wuchang: Fallen Feathers, RPG de ação ambientado no final da dinastia Ming. O jogo apresenta um mundo marcado por conflitos políticos e epidemias, mas introduz criaturas e maldições inspiradas em histórias populares chinesas. A narrativa utiliza esse contexto para construir um ambiente em que história e fantasia coexistem.

Outro projeto que utiliza referências semelhantes é Where Winds Meet. O jogo se passa durante o período das Cinco Dinastias e Dez Reinos e incorpora elementos de artes marciais, filosofia e tradição cultural chinesa em sua ambientação. A proposta combina exploração em mundo aberto com combates inspirados em técnicas clássicas de wuxia, gênero literário e cinematográfico centrado em guerreiros errantes.

Black Myth: Wukong é outro exemplo que ampliou a visibilidade internacional desse tipo de referência cultural. Inspirado no romance clássico “Jornada ao Oeste”, o jogo acompanha o Rei Macaco, personagem que faz parte de uma das narrativas mais conhecidas da literatura chinesa. No jogo, o protagonista enfrenta criaturas e entidades mitológicas que fazem parte do imaginário tradicional.

Esses projetos mostram como lendas e personagens históricos podem ser reinterpretados em estruturas narrativas contemporâneas, adaptando elementos culturais antigos para formatos interativos.

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Fortune Snake e o zodíaco chinês nos jogos digitais

Além de RPGs narrativos, símbolos da cultura chinesa também aparecem em títulos digitais que utilizam o calendário lunar como referência temática. O zodíaco chinês associa cada ano a um animal específico, como Dragão, Tigre, Coelho ou Serpente.

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Entre os exemplos está a série Fortune, criada pela desenvolvedora PG Soft. O projeto começou em 2020 com Fortune Mouse e passou a lançar novos títulos inspirados nos animais do zodíaco ao longo dos anos seguintes.

O jogo mais conhecido da franquia é Fortune Tiger, conhecido como “tigrinho”. Dados divulgados por uma casa de aposta que opera no Brasil indicam que o título mantém o topo entre os favoritos nas duas últimas pesquisas anuais.

Em 2025, com o início do Ano da Serpente no calendário lunar, a série recebeu um novo capítulo chamado Fortune Snake. O jogo mantém a estrutura visual da franquia e utiliza símbolos associados ao animal que representa o ciclo anual.

Folclore chinês e a diversidade cultural nos games

A presença crescente de mitos chineses em jogos eletrônicos reflete uma mudança no tipo de referência cultural utilizado pela indústria. Dragões imperiais, entidades espirituais e personagens lendários passaram a integrar universos narrativos que antes eram dominados por mitologias ocidentais.

Esse processo ocorre ao mesmo tempo em que estúdios asiáticos ganham maior presença no mercado global e ampliam a circulação de histórias baseadas em suas próprias tradições culturais.

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Com novos projetos previstos e produções em desenvolvimento, elementos da mitologia chinesa devem continuar aparecendo em lançamentos futuros. A adaptação dessas narrativas para jogos eletrônicos indica como tradições culturais antigas seguem sendo reinterpretadas dentro de formatos interativos contemporâneos.

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