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Presidente da Konami diz que IA não substitui a ‘química’ entre criadores de Silent Hill e Metal Gear

A Konami diz que a IA não muda muito o mercado, porque motores gráficos e conteúdo criado por usuários já baixaram a barreira de entrada.

Matheus Fragata
Matheus Fragata 3 min de leitura

Enquanto boa parte da indústria corre para encaixar a inteligência artificial generativa em seus planos, a Konami resolveu esfriar o entusiasmo. Hideki Hayakawa, presidente da Konami Digital Entertainment, avalia que a tecnologia não deve provocar uma grande mudança no mercado de games. Para ele, o que faz um jogo ser divertido e inovador continua sendo o trabalho de pessoas.

A posição aparece no relatório integrado da empresa referente ao ano fiscal encerrado em março de 2026. O documento resume as estratégias da dona de Metal Gear, Silent Hill e Castlevania em diferentes áreas do entretenimento.

A barreira de entrada já caiu

Hayakawa reconhece que o mercado costuma enxergar na IA uma forma de facilitar a entrada de novos estúdios no desenvolvimento de jogos. Ele discorda do impacto. Segundo o executivo, essa barreira já foi derrubada há anos por motores gráficos acessíveis e pela popularização do conteúdo criado por usuários.

O presidente admite que a IA pode trazer ganhos de produtividade. Ainda assim, diz que pessoas e criadores seguem como o fator mais importante. Na visão dele, as ideias novas surgem do encontro entre desenvolvedores com formações e experiências diferentes, uma “reação química” que não pode ser substituída com facilidade.

Cautela, não rejeição

O relatório não fecha a porta para a tecnologia. Hayakawa vê nos avanços técnicos uma oportunidade importante para criar novos tipos de experiência. A Konami diz oferecer apoio estruturado para que suas equipes entendam as novas ferramentas, avaliem os riscos e as apliquem com segurança.

Na prática, a empresa adota um caminho do meio. Pesquisa a IA com cautela, cria regras de uso para os times e evita vender a tecnologia como solução milagrosa. É um contraste com outras gigantes do setor, que vêm anunciando a IA como peça central para cortar custos e acelerar a produção.

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O renascimento da Konami

O discurso ganha peso com o momento da empresa. Há alguns anos, a Konami parecia ter abandonado os grandes lançamentos e vivia de eFootball e de coletâneas de clássicos. A virada veio com o remake de Silent Hill 2, em 2024, bem recebido pela crítica e pelo público.

Depois vieram Metal Gear Solid Delta: Snake Eater, Silent Hill f e, em setembro, Silent Hill: Townfall, desenvolvido pelo estúdio escocês Screen Burn. Em agosto, o produtor Motoi Okamoto chegou a dizer que a meta é ter lançamentos anuais da franquia de terror.

Castlevania volta das sombras

A próxima aposta é Castlevania: Belmont’s Curse, que marca o retorno da série de caçadores de vampiros. O jogo está nas mãos de dois estúdios franceses conhecidos pelo gênero: a Motion Twin, criadora de Dead Cells, e a Evil Empire, de The Rogue Prince of Persia.

A parceria repete uma estratégia que tem funcionado para a Konami: entregar suas franquias a estúdios externos com identidade forte. Foi assim com a Bloober Team no remake de Silent Hill 2 e com a NeoBards em Silent Hill f. Para Hayakawa, é a prova de que a química entre criadores ainda vale mais do que qualquer algoritmo.

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