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Sony descarta vender PS6 com prejuízo e admite que preço e data ainda não estão definidos

Sony confirmou que não pretende lançar o PS6 abaixo do custo de fabricação enquanto monitora a crise de memória, sem data ou preço definidos para o console.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

A declaração que confirma o pior cenário

Durante uma sessão de perguntas e respostas com investidores focada na divisão de Games & Network Services, a Sony foi diretamente questionada sobre a política de preços do próximo console. A resposta oficial foi clara em dois pontos: a empresa não pretende vender o PlayStation 6 com prejuízo significativo, e ainda não decidiu quando vai lançá-lo nem quanto vai custar.

A combinação dessas duas afirmações, num momento em que o custo de fabricação do PS6 já está estimado em US$ 960 por unidade e subindo, é a versão corporativa de dizer que o problema está ficando sem solução fácil.

O que Hiroki Totoki disse aos investidores

O presidente e CEO da Sony, Hiroki Totoki, foi questionado sobre o impacto da crise de memória no hardware atual e futuro. Sobre o PS5, afirmou que a empresa já garantiu o volume necessário de componentes para o restante de 2026 e chegou a um acordo de preço com fornecedores para esse período. Sobre o PS6, foi explícito: não há decisão tomada sobre data de lançamento nem sobre preço. O motivo é a incerteza sobre os custos de componentes.

“Os preços da memória devem continuar muito altos no ano fiscal de 2027, porque ainda haverá escassez de oferta”, disse Totoki via tradutor da Sony. “Sob essa premissa, precisamos pensar cuidadosamente sobre o que faremos.”

O problema de não vender com prejuízo

Historicamente, a Sony usou o subsídio de hardware como estratégia central para construir base instalada. O PS3, em 2006, foi vendido com prejuízo de até US$ 300 por unidade nos primeiros meses, apostando que o volume de vendas de jogos e a redução gradual dos custos de fabricação compensariam o investimento. O PS4 e o PS5 também foram lançados abaixo do custo de produção, embora com margens menores.

A declaração de que a Sony não pretende “vender hardware com perdas significativas” como princípio fecha essa janela. Com custo de materiais do PS6 em US$ 960 e potencialmente chegando a US$ 1.400 antes do lançamento caso os preços de memória continuem subindo, o subsídio necessário para manter o console abaixo de US$ 999 seria da ordem de US$ 400 ou mais por unidade. A escala de produção prevista para o lançamento não sustentaria esse nível de prejuízo sem comprometer seriamente os resultados financeiros da divisão.

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A opção que ninguém quer discutir

O insider KeplerL2 apontou uma alternativa que a Sony está avaliando internamente: cortar a memória GDDR7 do PS6 de 30 ou 32 GB para 24 GB, desabilitando um controlador de memória no SoC da AMD. A economia seria de aproximadamente US$ 60 por unidade, insuficiente para resolver o problema mas relevante numa situação onde cada dólar conta.

Joost van Dreunen, CEO da Aldora, foi o mais direto entre os analistas: “A esta taxa, a próxima geração pode nem lançar antes de 2028, e quando lançar, acima de mil dólares é o piso.” Manu Rosier, da Newzoo, adicionou que a Sony provavelmente lutará para manter pelo menos um modelo abaixo de US$ 999 por razões psicológicas, mesmo que isso signifique uma versão com especificações reduzidas ou uma série de aumentos de preço pós-lançamento, como ocorreu com o PS5 nesta geração.

O que isso significa para quem espera o PS6

A Sony foi direta ao dizer que o número de usuários ativos na plataforma PlayStation continua crescendo, o que sugere que a empresa não sente urgência imediata para lançar o PS6 com pressa. Com GTA 6 chegando em novembro e impulsionando as vendas de PS5, a Sony tem um argumento confortável para estender o ciclo atual enquanto observa a evolução dos custos de memória.

O problema é que essa espera tem um custo próprio. Cada mês sem o PS6 é um mês em que a Microsoft e outros competidores têm tempo para se posicionar. E se os preços de memória não caírem antes de 2028, como a Lenovo e a Jefferies sugerem, a Sony vai ter que escolher entre lançar um console caro ou esperar mais do que qualquer plano atual considera.

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