Xbox pausou novos contratos com terceiros no Game Pass, dizem desenvolvedores
Desenvolvedores independentes relatam que a Xbox pausou novos acordos com terceiros para o Game Pass enquanto reestrutura a estratégia do serviço.
O serviço que está sendo desmontado e remontado ao mesmo tempo
Quando Asha Sharma assumiu o comando da divisão de games da Microsoft em fevereiro de 2026, uma das primeiras decisões foi reduzir o preço do Game Pass Ultimate de US$ 29,99 para US$ 22,99. A alta de 50% implementada em outubro de 2025 havia causado a saída de milhões de assinantes, e Sharma admitiu internamente que o modelo havia se tornado caro demais. A redução foi bem recebida. O que está emergindo agora é o outro lado dessa equação: com menos receita por assinante, a Xbox parece estar cortando o que gasta para compor o catálogo do serviço.
Múltiplos desenvolvedores independentes que estavam em negociações avançadas para levar jogos ao Game Pass relataram que os acordos foram simplesmente suspensos, sem explicação formal da Microsoft.
O que foi dito no podcast
O relato veio de Fernando Rizo, da Caboodle Games, durante um episódio do podcast The Business of Video Games, apresentado por Shams Jorjani, CEO da Arrowhead. Rizo contou que esteve no evento First Playable em Florença, na Itália, onde conversou com vários desenvolvedores que estavam em negociações com a Xbox. A descrição que ouviu foi consistente: os acordos foram retirados antes de serem assinados, sem comunicação clara sobre quando ou se as conversas seriam retomadas. Os termos usados nas conversas foram “rug pull”, “kaiboshed” e “on pause”.
Rizo foi cuidadoso ao contextualizar: a leitura de que os acordos estão “pausados” é sua interpretação do que ouviu, não uma confirmação direta da Microsoft. Mas o padrão que descreveu, múltiplos estúdios sem retorno da Xbox após negociações avançadas, foi corroborado pelo insider eXtas1stv, que citou desenvolvedores independentes no mesmo evento confirmando a mesma experiência.
O custo oculto do catálogo do Game Pass
Para entender por que isso importa, é preciso entender como os acordos de terceiros do Game Pass funcionam. A Microsoft paga às publishers e estúdios uma quantia fixa para que seus jogos entrem no catálogo por determinado período, independentemente do número de vezes que são baixados ou jogados. Para estúdios independentes menores, esse dinheiro adiantado representa frequentemente a diferença entre conseguir lançar o jogo ou não. A era de expansão do Game Pass, que transformou o serviço de algumas centenas de títulos para mais de 500, foi construída sobre esses contratos.
Reduzir o preço da assinatura sem cortar o catálogo seria financeiramente insustentável. A conta é simples: menos receita por assinante mais o mesmo custo para compor o catálogo equivale a margens insustentáveis. Sharma parece ter optado por preservar o preço menor e cortar os gastos com terceiros, pelo menos temporariamente, enquanto redesenha o modelo do serviço.
O que pode mudar no Game Pass
Rumores sobre a nova estrutura do serviço circulam há semanas. Segundo o VGTimes e o Notebookcheck, a Microsoft estaria estudando um modelo com tiers mais flexíveis, onde o assinante escolheria as funcionalidades que deseja pagar, além de uma opção mais barata composta apenas por jogos dos estúdios próprios da Microsoft. Esse segundo tier eliminaria o custo dos acordos com terceiros inteiramente para uma parcela dos assinantes.
A decisão de tirar Call of Duty do day one do Game Pass, com os novos títulos chegando ao serviço apenas um ano após o lançamento, foi o primeiro sinal público desse redirecionamento. Parar de assinar novos contratos com terceiros é o segundo.
Um momento delicado para o ecossistema
A semana foi pesada para o Xbox. Além dos rumores sobre o Game Pass, o serviço também enfrenta relatos de possíveis fechamentos de estúdios, incluindo Ninja Theory e Double Fine, num processo que a imprensa especializada descreveu como um “grande corte”. O preço dos consoles subiu pela quarta vez desde 2023. E a CEO admitiu publicamente que o Xbox “não está saudável”.
Para desenvolvedores independentes que dependiam do dinheiro adiantado dos contratos do Game Pass para financiar seus projetos, a pausa é mais do que uma inconveniência. Para assinantes acostumados a um catálogo robusto com novidades regulares de terceiros, o impacto vai começar a aparecer nos próximos meses, quando as adições de jogos externos ao ecossistema da Microsoft ficarem menos frequentes.