Xbox prepara segunda onda de demissões e fusão de estúdios
Segunda leva de cortes da Xbox deve consolidar estúdios da Bethesda, Activision e Blizzard sob a gestão de Asha Sharma.
A Microsoft está planejando uma segunda rodada de demissões na Xbox para esta semana, desta vez acompanhada da consolidação de vários estúdios sob suas divisões de publicação. A informação parte de reportagem do site The Information, baseada em fonte com conhecimento direto dos planos da empresa, que afirma que centenas de funcionários devem ser cortados numa nova leva de reduções de pessoal.
Segundo a publicação, os planos envolvem fusões ou realocações entre as divisões Xbox Game Studios, Bethesda, Activision e Blizzard, embora os detalhes específicos de como essa reorganização vai se estruturar ainda não tenham sido divulgados publicamente pela Microsoft.
O ponto de partida da reestruturação liderada por Asha Sharma
A nova onda de cortes se soma a um processo que já vinha se desenrolando desde julho, quando a Microsoft confirmou uma redução inicial de 1.600 postos de trabalho na Xbox, com outros 1.600 previstos até o fim do ano fiscal da companhia. Até o momento, a empresa não detalhou quais cargos específicos ainda serão eliminados, mas vale notar que a Blizzard, responsável por franquias como Diablo e Warcraft, ficou praticamente fora do primeiro ciclo de cortes.
Essa reestruturação é conduzida por Asha Sharma, que assumiu como CEO da Microsoft Gaming em fevereiro deste ano após uma reformulação abrupta na liderança do setor, que também envolveu a aposentadoria de Phil Spencer e a saída de Sarah Bond, ambos historicamente à frente da divisão. Sharma chegou ao cargo vinda de uma passagem de dois anos como executiva de inteligência artificial dentro da própria Microsoft, um perfil considerado atípico para o comando de uma divisão de games tradicional.
A meta declarada de devolver a Xbox ao crescimento
Em aparição na conferência Bloomberg Tech no meio deste ano, Sharma declarou publicamente sua intenção de “resetar o negócio”, classificando o estado então atual da divisão como “não saudável”. A executiva já havia reconhecido anteriormente que a Xbox “simplesmente se espalhou demais”, numa referência direta à antiga estratégia “Xbox em todo lugar”, que priorizava expansão multiplataforma em detrimento do consenso em torno do console, hoje responsável por cerca de 80% da receita da divisão.
Sob esse novo direcionamento, a companhia já cortou laços com diversos estúdios historicamente vinculados à Xbox. Double Fine Productions e Compulsion Games retomaram status de estúdios totalmente independentes, recuperando a propriedade completa de seus catálogos de propriedade intelectual, enquanto Ninja Theory e Undead Labs “firmaram termos para ingressar em nova propriedade”, mantendo a continuidade de projetos como Senua e State of Decay 3 sob financiamento externo.
Um histórico recente de cortes que já ultrapassa dez mil vagas
A primeira leva de demissões deste ano já havia atingido centenas de funcionários da ZeniMax Online, estúdio responsável por The Elder Scrolls Online, além de cerca de cem cortes na id Software, criadora da franquia Doom. Esses números se somam a um histórico ainda mais amplo de reduções na divisão: no verão passado, a Microsoft já havia eliminado 9.000 postos de trabalho em toda a companhia, um corte que atingiu duramente a Xbox e resultou no cancelamento do reboot de Perfect Dark, do jogo Everwild da Rare, e de outros projetos internos.
Em 2024 e 2023, a Microsoft também havia promovido cortes significativos na divisão, incluindo a eliminação de 1.900 vagas distribuídas entre Activision Blizzard, Bethesda e a própria Xbox, consolidando um padrão de reestruturações recorrentes desde a aquisição da Activision Blizzard pela companhia.