A mulher que virou Elizabeth, Galadriel e um maestro: Cate Blanchett faz 57 anos
Cate Blanchett completa 57 anos em 14 de maio de 2026. Revisitamos as obras que definem a trajetória da atriz australiana.
Nascida em 14 de maio de 1969 em Melbourne, na Austrália, Catherine Élise Blanchett chegou aos 57 anos com um currículo que desafia qualquer tentativa de categorização. Rainha, elfa, socialite falida, maestro de gênio e jornalista assombrada pelo próprio passado — Cate Blanchett não interpreta personagens, ela se torna personagens.
Para celebrar a data, reunimos as obras fundamentais de uma carreira que é, simplesmente, inigualável.
Elizabeth -1998 · Dir. Shekhar Kapur
Foi Elizabeth que apresentou Cate Blanchett ao mundo. Com apenas 28 anos, ela corporifica a jovem Elizabeth I da Inglaterra em toda a sua vulnerabilidade e, depois, em sua transformação em monarca implacável. O filme de Shekhar Kapur captura a metamorfose de uma mulher apaixonada em um ícone político — e Blanchett conduz cada etapa dessa mudança com uma precisão assustadora. A atuação lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz e anunciou o surgimento de uma força cinematográfica fora do comum.
O Talentoso Ripley -1999 · Dir. Anthony Minghella
Em O Talentoso Ripley, Anthony Minghella reúne um elenco de astros — Matt Damon, Jude Law, Gwyneth Paltrow — e Blanchett emerge como Meredith Logue, uma personagem que aparece pouco mas deixa marcas profundas. Ela encarna a fragilidade e o encanto de alguém que o protagonista Tom Ripley manipula com frieza. É um papel de suporte que Blanchett transforma em algo memorável, provando que ela eleva qualquer cena em que aparece, independentemente do tempo de tela.
O Senhor dos Anéis – 2001–2003 · Dir. Peter Jackson
Como a rainha élfica Galadriel na trilogia O Senhor dos Anéis, Blanchett empresta à saga de Peter Jackson uma gravidade quase mística. Sua voz inconfundível narra a abertura de A Sociedade do Anel, e sua presença cria a sensação de que existem séculos de história por trás de cada olhar. A cena em que Galadriel recusa o Um Anel — com aquela transformação aterrorizante e imediata seguida de serena resignação — permanece uma das mais impressionantes de todo o ciclo. Blanchett voltaria ao papel nos filmes d’O Hobbit, entre 2012 e 2014.
Não Estou Lá – 2007 · Dir. Todd Haynes
Em Não Estou Lá, Todd Haynes faz algo incomum: distribui a persona de Bob Dylan entre seis atores diferentes. Blanchett interpreta “Jude”, a faceta do Dylan eletrizante e andrógino dos anos 1960 — e rouba o filme. Ela incorpora o músico com uma naturalidade que vai além da mimetização, entregando uma performance que lhe rendeu um BAFTA e uma indicação ao Globo de Ouro. É uma das performances de gênero mais ousadas e bem-executadas da história recente do cinema.
Blue Jasmine – 2013 · Dir. Woody Allen
Em Blue Jasmine, Blanchett entrega uma das atuações mais impactantes de sua carreira — e isso é dizer muito. Ela vive Jasmine French, uma socialite nova-iorquina que perde tudo e tenta reconstruir a vida na São Francisco da irmã mais pobre. Blanchett constrói o colapso de Jasmine camada por camada, alternando entre a arrogância de quem não aceita a queda e a fragilidade de quem está se despedaçando por dentro. O papel lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz de 2014 e consolidou sua posição como a maior intérprete de sua geração.
Carol- 2015 · Dir. Todd Haynes
Carol é um dos filmes de amor mais belos das últimas décadas. Blanchett vive a protagonista do título, uma mulher sofisticada dos anos 1950 que se apaixona por uma jovem assistente de loja (Rooney Mara) em plena Nova York. Inspirado no romance O Preço do Sal, de Patricia Highsmith, o filme captura a tensão e a ternura de um amor proibido com uma delicadeza extraordinária. Blanchett e Mara constroem uma química rara — e o Oscar, naquele ano, errou em não coroar nenhuma das duas.
Tár – 2022 · Dir. Todd Field
Com Tár, Blanchett protagoniza o que muitos críticos chamam de a melhor atuação feminina do século XXI. Ela vive Lydia Tár, a primeira maestrina a reger a Filarmônica de Berlim, cujo império cuidadosamente construído começa a desmoronar diante de acusações de abuso de poder. O filme de Todd Field é um estudo sobre gênio, arrogância e cancelamento — e Blanchett carrega cada segundo com uma intensidade hipnótica. O papel lhe rendeu mais um Oscar, mais um BAFTA e mais um Globo de Ouro. Ninguém faz o que ela faz.
Difamação – 2024 · Dir. Alfonso Cuarón · 7 episódios
Em sua estreia na televisão, Blanchett domina Difamação — título brasileiro da minissérie Disclaimer, da Apple TV+. Escrita e dirigida por Alfonso Cuarón (Roma, Gravidade) e baseada no bestseller de Renée Knight, a produção acompanha a jornalista investigativa Catherine Ravenscroft, que recebe um livro misterioso revelando seus segredos mais sombrios.
A série é um thriller psicológico de sete capítulos que transita entre o presente e o passado com uma construção visual impecável, com fotografia de Emmanuel Lubezki. Blanchett entrega uma atuação que reafirma: não importa o formato, ela transforma tudo em arte.