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Alexandre Pires é alvo da PF em operação sobre garimpo ilegal Yanomami

PF investiga Alexandre Pires por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a garimpo ilegal na Yanomami.

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
3 min de leitura

O cantor Alexandre Pires, de 50 anos, é investigado pela Polícia Federal por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado à venda ilegal de cassiterita extraída da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Segundo a investigação, ele e uma empresa de produção musical receberam R$ 31 milhões de firmas apontadas como parte da organização criminosa investigada.

A ação desta quarta-feira, 23 de setembro, marca a segunda fase da Operação Disco de Ouro e cumpre 12 mandados de busca e apreensão, além de 17 ordens judiciais para sequestro de bens e valores, expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal em Boa Vista. Não há mandados de prisão contra o cantor ou os demais investigados. Além de Alexandre Pires, os empresários Diego Possebon e Matheus Possebon também são alvos da operação.

Uma investigação que já tinha alcançado o cantor em 2023

Esta não é a primeira vez que Alexandre Pires aparece no radar da apuração. Em dezembro de 2023, durante a primeira fase da operação, a Polícia Federal já havia realizado buscas relacionadas ao caso, incluindo uma ação a bordo de um cruzeiro em que o cantor estava, na costa de Santos. Na ocasião, seu empresário, Matheus Possebon, chegou a ser preso preventivamente ao desembarcar da embarcação.

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa investigada contava com estrutura ampla, envolvendo pilotos de aeronaves, postos de combustível e revendedoras de máquinas para dar suporte logístico à extração ilegal de minério dentro do território indígena. As investigações identificaram mais de US$ 48 milhões em movimentação e ocultação de recursos, distribuídos entre empresas brasileiras e estrangeiras, contas de terceiros e outros mecanismos informais de compensação financeira, numa estratégia que, segundo a PF, buscava pulverizar os recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro.

O esquema de falsificação documental

De acordo com a apuração, em janeiro de 2022 a Polícia Federal já havia apreendido cerca de 30 toneladas de cassiterita em uma instalação ligada ao grupo investigado. A organização utilizava documentação falsificada para simular que o minério vinha de uma operação de mineração legítima no Rio Tapajós, em Itaituba, no Pará, com processamento posterior em Roraima. Segundo a polícia, essa rota existia apenas no papel, já que a extração acontecia diretamente em território de Roraima, dentro da Terra Yanomami.

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No caso específico de Alexandre Pires, a Polícia Federal identificou pelo menos R$ 1 milhão transferido de uma das empresas de mineração investigadas para uma conta ligada ao cantor, entre 2014 e 2018.

Defesa nega qualquer envolvimento

A defesa de Alexandre Pires divulgou nota assinada pelo advogado Luiz Flávio Borges D’Urso negando qualquer participação do cantor no esquema. “Alexandre Pires não tem e nunca teve qualquer envolvimento com garimpo ou extração de minério, muito menos em área indígena”, afirma o texto, que descreve o artista como “uma das mais importantes referências da música brasileira”, com “longa e impecável carreira artística”.

A nota ainda esclarece que a relação profissional do cantor com o empresário Matheus Possebon se limitava à intermediação da venda de shows, sem qualquer outro vínculo comercial ou legal, e que eventuais fatos investigados fora desse contexto dizem respeito exclusivamente a atos atribuídos ao empresário, praticados fora de sua função como intermediário. A defesa encerra a nota afirmando que o cantor “jamais cometeu qualquer ilícito” e que isso “já está sendo devidamente demonstrado no curso das investigações”.

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