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As Crônicas de Nárnia: entenda a ordem cronológica para ler os sete livros de C.S. Lewis

Saiba a ordem cronológica de As Crônicas de Nárnia indicada por C.S. Lewis e entenda a diferença para a data de publicação.

Matheus Fragata
Matheus Fragata 5 min de leitura

Atravessar a porta de um guarda-roupa antigo e encontrar uma floresta coberta de neve com um lampião aceso é uma das imagens mais marcantes da literatura fantástica mundial. No entanto, quem decide começar a leitura de As Crônicas de Nárnia hoje se depara com um dilema clássico de organização. Os sete livros escritos pelo autor britânico C.S. Lewis entre 1950 e 1956 não foram lançados na sequência temporal em que os eventos acontecem dentro daquele universo mágico.

A confusão existe porque a obra que inaugurou a franquia nas livrarias mostra o mundo mágico já estabelecido. Somente anos depois o escritor decidiu voltar no tempo para explicar a criação daquele universo, a origem da Feiticeira Branca e o motivo pelo qual um móvel de madeira na Inglaterra servia como portal dimensional. Por isso, a ordem cronológica interna se tornou a forma padrão adotada pelas editoras modernas e pelos volumes únicos vendidos no Brasil.

O próprio C.S. Lewis manifestou preferência por essa sequência histórica antes de morrer em 1963. Em uma famosa correspondência enviada em 1957 ao jovem leitor americano Laurence Krieg, o autor concordou que acompanhar os acontecimentos desde a fundação daquele mundo fazia mais sentido para a jornada. Ao enteado Douglas Gresham, responsável pelo espólio literário da família, a orientação deixada pelo padrasto seguiu a mesma linha editorial.

A criação do mundo e a era dos irmãos Pevensie

Pela linha do tempo da história, a jornada começa obrigatoriamente com O Sobrinho do Mago, publicado originalmente em 1955 como o penúltimo volume da saga. A trama acompanha as crianças Digory Kirke e Polly Plummer em Londres no final do século 19. Ao usarem anéis mágicos fabricados pelo tio de Digory, os dois presenciam o leão Aslam cantando para criar Nárnia do zero e testemunham a entrada acidental do mal naquela terra recém-nascida.

Na sequência direta vem o livro mais famoso da coleção, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, que chegou às lojas em 1950. Décadas depois da viagem de Digory, agora um professor idoso dono da mansão no interior inglês, os irmãos Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia Pevensie encontram o guarda-roupa fabricado com a madeira de uma árvore narniana. Os quatro ajudam Aslam a derrotar o inverno de cem anos imposto pela Feiticeira Branca, Jadis, e se tornam reis e rainhas.

O terceiro capítulo na cronologia é O Cavalo e seu Menino, lançado originalmente em 1954. A história se passa ainda durante o reinado da Era de Ouro dos irmãos Pevensie adultos, antes de eles retornarem ao nosso mundo. O foco sai da família principal e acompanha o garoto Shasta e o cavalo falante Bri em uma fuga pelo deserto da Calormânia para evitar uma invasão militar contra o território vizinho da Arquelândia e a própria Nárnia.

A dinastia telmarina e o apocalipse mágico

A partir do quarto livro da cronologia, o tempo passa de forma acelerada dentro do reino mágico em comparação com a Terra. Em Príncipe Caspian, publicado em 1951, os quatro irmãos Pevensie são convocados de volta um ano após sua primeira viagem, mas descobrem que mais de mil anos se passaram por lá. O território agora é dominado pelos humanos telmarinos, e as crianças precisam ajudar o jovem herdeiro Caspian X a derrubar o tio usurpador Miraz.

Logo depois ocorre a aventura marítima de A Viagem do Peregrino da Alvorada, que chegou ao público em 1952. Sem Pedro e Susana, que cresceram e não podem mais voltar, Edmundo e Lúcia embarcam ao lado do primo chato Eustáquio Mísero no navio do agora Rei Caspian. A missão é navegar pelos oceanos desconhecidos do leste em busca de sete fidalgos desaparecidos até alcançar os limites do mundo, na fronteira com o País de Aslam.

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O sexto volume na linha temporal é A Cadeira de Prata, de 1953. Agora sem nenhum dos irmãos Pevensie originais, Eustáquio retorna acompanhado da colega de escola Jill Pole. Os dois recebem de Aslam a missão de resgatar o Príncipe Rilian, filho único de um já idoso Rei Caspian, que desapareceu há dez anos após ser sequestrado e enfeitiçado pela Dama do Vestido Verde nas profundezas do submundo.

O encerramento definitivo acontece em A Última Batalha, livro vencedor da medalha Carnegie em 1956. Durante o reinado de Tirian, último monarca da linhagem de Caspian, um macaco manipulador chamado Manha veste um burro com uma pele de leão para enganar os habitantes locais em nome de um falso Aslam. Eustáquio e Jill são chamados pela última vez para defender o reino antes do fim daquele mundo e do reencontro definitivo de todos os personagens.

Ordem de publicação e o futuro no streaming

Apesar de as edições brasileiras reunirem os livros na sequência cronológica há mais de duas décadas, críticos literários e leitores veteranos ainda defendem a leitura pela data de lançamento original. Nessa alternativa, começa-se por O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, seguido por Príncipe Caspian, A Viagem do Peregrino da Alvorada, A Cadeira de Prata, O Cavalo e seu Menino, O Sobrinho do Mago e, por fim, A Última Batalha.

O principal argumento a favor da ordem de publicação é preservar o mistério da primeira visita ao guarda-roupa ao lado de Lúcia. Quando o leitor começa por O Sobrinho do Mago, ele já sabe de antemão quem é o velho professor da mansão, como o lampião foi parar no meio da floresta e qual é a origem da Feiticeira Branca. Na sequência original de lançamento, essas respostas funcionam como revelações tardias no sexto livro.

No cinema, a franquia seguiu o caminho tradicional de publicação nos três longas lançados nos cinemas brasileiros em dezembro de 2005, maio de 2008 e dezembro de 2010. Já a nova adaptação comandada pela diretora Greta Gerwig para a Netflix, prevista para estrear em 2026 com lançamento prévio em salas IMAX e posterior chegada ao catálogo do streaming, despertou curiosidade justamente por relatos da imprensa americana indicarem o início pelo prelúdio O Sobrinho do Mago.

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