As melhores séries de 2025
Seja através da ficção científica, do terror, do drama policial ou da sátira industrial, essas produções mostraram que a televisão é suprema
Chegamos ao final de mais um ano e isso significa que é hora de enaltecer as melhores produções para a televisão que tivemos neste ano. Mas primeiro, vou admitir que tivemos um ano marcado por excessos de conteúdo e pela sensação constante de “mais do mesmo”, mas felizmente, algumas séries conseguiram se destacar não apenas pela qualidade técnica, mas pela ambição narrativa, pelo risco criativo, pelo desenvolvimento perspicaz e por suas estruturas criativas.
Seja através da ficção científica, do terror, do drama policial ou da sátira industrial, essas produções mostraram que a televisão continua sendo um dos espaços mais férteis para histórias complexas, desconfortáveis e profundamente humanas.
Obs: ao final do texto coloquei uma menção honrosa e uma menção desonrosa – sendo respectivamente de uma das melhores surpresas deste ano e outra de uma aguardada temporada totalmente desapontante que tive o desprazer de assistir.
Mas sem mais atrasos! Confiram as melhores produções para a televisão deste ano:
10. The Studio – Apple TV
A premissa por si só já é irresistível: uma sátira afiada sobre os bastidores da indústria do entretenimento. Qual amante de cinema não gostaria de dar uma olhada nesta série? Ainda mais com participações especiais de nomes como Martin Scorsese, Zack Snyder e diversas outras celebridades conhecidas. Seth Rogen interpreta um chefe de estúdio tentando equilibrar as exigências corporativas por lucro com seu desejo genuíno de produzir filmes de qualidade. O resultado é uma série divertida, ácida e surpreendentemente sincera sobre os dilemas criativos da indústria. Uma experiência deliciosa e divertida, especialmente para quem ama a sétima arte.
9. Task (1° temporada) – HBO
Quando foi anunciado que Brad Ingelsby, criador de Mare of Easttown, estava desenvolvendo uma nova série para a HBO, minha curiosidade foi imediata — e o resultado não decepciona. Task acompanha um agente do FBI, interpretado por Mark Ruffalo, colocado à frente de uma força-tarefa especial criada para investigar uma série de assaltos violentos a casas de drogas controladas por gangues de motociclistas. Como todo bom drama policial, a série rapidamente se transforma em algo maior, repleto de reviravoltas e conflitos morais. Destaque absoluto para as atuações de Emilia Jones e Alison Oliver, ambas excepcionais.
8. The White Lotus (3° temporada) – HBO
A terceira temporada de The White Lotus mantém a fórmula das anteriores, mas renova o olhar ao mudar de cenário e personagens — e confesso: deu vontade de visitar a Tailândia. O novo ambiente funciona como espelho cultural para temas recorrentes da série, como privilégio, hipocrisia, exploração e vazio existencial. Mike White segue usando o humor ácido como ferramenta de crítica social, enquanto constrói personagens falhos, desconfortáveis e profundamente reconhecíveis. Por trás das paisagens paradisíacas, continuam existindo decadência moral, ressentimento e traumas não resolvidos.
7. All Her Fault – Peacock
Sarah Snook entrega mais uma atuação impecável neste thriller psicológico que começa com um erro aparentemente simples: uma criança deixada na casa errada. A partir daí, All Her Fault se transforma em um estudo sobre culpa, paranoia e desconfiança. A narrativa avança em ritmo constante, revelando segredos, mentiras e traumas enterrados sob relações familiares frágeis. Um suspense eficiente e que vale totalmente a experiência.
6. It: Bem-Vindo a Derry (1° temporada) – HBO
Os fãs da mitologia criada por Stephen King vão amar esta série. Estamos de volta a Derry neste prelúdio que expande o mito de Pennywise para além do palhaço. Aqui, o mal é retratado como uma força que atravessa gerações, respondendo a perguntas fundamentais: como ele surgiu? E por que assume a forma de palhaço? Bem-Vindo a Derry entende que o verdadeiro horror de Stephen King nunca foi apenas o sobrenatural, mas também a normalização da violência, do preconceito e do silêncio. Alternando épocas e conectando tragédias, a série constrói um terror lento e persistente, repleto de ecos e ligações com outras obras do autor – principalmente a que envolve um certo hotel.
5. Andor (2° temporada) – Disney+
A segunda temporada de Andor reafirma que o universo de Star Wars não é limitado e pode, sim, sustentar narrativas maduras e politicamente densas. A série aprofunda o retrato da rebelião não como um ato heroico isolado, mas como um processo doloroso, feito de sacrifícios e perdas irreparáveis. Autoritarismo, vigilância e resistência são tratados com uma seriedade rara na franquia. Mais do que expandir um universo, Andor prova que ainda é possível fazer algo verdadeiramente diferente dentro da criação de George Lucas.
4. The Pitt (1° temporada) – HBO
The Pitt é um drama médico intenso e visceral que acompanha o dia a dia da equipe de um hospital de trauma fictício em Pittsburgh. Um dos grandes acertos da série está em sua estrutura narrativa: cada episódio representa uma hora de um plantão de 15 horas na sala de emergência. O resultado é uma experiência quase em tempo real, exaustiva e imersiva. Criada e estrelada por Noah Wyle, a série se destaca pela atenção aos detalhes, pela tensão constante e pelo retrato cru da rotina médica. Um prato cheio para fãs do gênero.
3. A Namorada Ideal – Amazon Prime
Um excelente suspense psicológico que se apoia menos em reviravoltas fáceis e mais na subjetividade da narrativa. Robin Wright interpreta uma mãe possessiva, enquanto Olivia Cooke vive a enigmática namorada de seu filho. O grande trunfo da série está na alternância de pontos de vista: quando a história é apresentada sob o olhar da mãe, a namorada parece arrogante e manipuladora; quando a perspectiva muda, passamos a enxergar a mãe como controladora e invasiva. Esse jogo se repete ao longo da série, questionando constantemente nossas próprias percepções e julgamentos. Uma ótima obra sobre controle e maternidade.
2. Adolescência – Netflix
Uma das coisas mais assustadoras sobre Adolescência é justamente o fato de não ser ficção. Isso é real. Isso acontece todos os dias. A série aborda redes sociais, masculinidade tóxica e violência juvenil de forma profundamente desconfortável. Ao acompanhar jovens crescendo em um mundo hiperconectado, enquanto pais e figuras de autoridade permanecem alheios ao que seus filhos consomem e absorvem, a narrativa funciona como um alerta urgente. Estruturada como um drama policial perturbador, com quatro episódios gravados em plano-sequência, a série transforma essa técnica em ferramenta de imersão e tensão constante. Difícil de assistir, mas absolutamente necessária.
1. Pluribus (1° temporada) – Apple TV
Vince Gilligan encerra definitivamente seu tempo no universo de Breaking Bad e Better Call Saul e se reinventa com uma série de ficção científica totalmente original. Pluribus carrega ecos claros do período em que Gilligan trabalhou na clássica série Arquivo X, mas sem jamais soar derivativa. A série constrói um comentário afiado sobre a perda da individualidade, o esvaziamento da identidade pessoal e a solidão humana. É uma experiência provocadora, inquietante e que merece ser vista com certeza.
Menção honrosa – Pacificador (2° temporada)
James Gunn – agora à frente do desenvolvimento de um novo universo cinematográfico da DC – escreveu esta nova temporada de Pacificador, na qual continuamos acompanhando a jornada de Christopher Smith, interpretado por John Cena.
A segunda temporada funciona como uma ótima extensão da primeira, desta vez com um valor de produção visivelmente maior e com conexões muito mais evidentes com os eventos do novo universo DC, que se integram de forma orgânica ao desenrolar da trama. John Cena segue sendo o grande atrativo e o verdadeiro coração da série em todos os sentidos.
Acompanhamos Christopher Smith em sua contínua crise existencial, preso à incapacidade de encontrar redenção e amor em um universo que parece constantemente rejeitá-lo, enquanto vislumbra a possibilidade de ter tudo o que sempre sonhou em outro. Essa temporada se destaca por ser uma das raras ocasiões em que o conceito de multiverso é utilizado de forma genuinamente dramática e emocionalmente tocante.
O recurso não está ali apenas como espetáculo ou como recurso desesperado para fan-service, mas como um elemento narrativo que aprofunda os conflitos internos do personagem, causando dor real nas dúvidas que o atormentam. Mais um acerto preciso de James Gunn.
Menção desonrosa – The Last of Us (2° temporada)
The Last of Us: Part II é, sem exagero, um dos melhores jogos que já experimentei. Trata-se de uma obra intensa, dolorosa e profundamente traumática, construída a partir da jornada de vingança da Ellie. Diante disso, a pergunta é inevitável: a segunda temporada da série faz justiça a esse material?
A resposta é um alto e sonoro NÃO. Os dois primeiros episódios são ótimos e realmente promissores, mas, a partir daí, a temporada entra em uma ladeira abaixo que chega a deixar um gosto amargo só de lembrar. Entrando em território de spoilers: a morte do Joel simplesmente não tem o peso emocional que deveria, nem para a Ellie, nem para o Tommy.
O impacto é diluído, quase vazio, o que esvazia completamente a motivação central da narrativa..Além disso, a série suaviza excessivamente a Ellie. Ela é retratada de forma estranhamente ingênua, por vezes até burra, e, por algum motivo, constantemente fazendo piadas durante uma jornada que deveria ser marcada por dor, raiva e obsessão. Essas escolhas contradizem frontalmente o que foi estabelecido não só no jogo, mas também na própria primeira temporada da série.
Aliás, é impossível ignorar como a segunda temporada parece esquecer deliberadamente os caminhos que ela mesma começou a construir. Na primeira temporada, vimos várias provocações claras sobre quem Ellie estava se tornando: sua frieza crescente, o momento em que é chamada de líder e até a cena em que tortura um infectado a sangue-frio. Tudo apontava para uma evolução mais sombria e complexa.
Nada disso se concretiza aqui. Parece que os criadores se esqueceram disso. E esses são apenas alguns exemplos de uma temporada repleta de decisões questionáveis, que enfraquecem personagens, anulam desenvolvimentos anteriores e tratam o material de origem com um descaso difícil de engolir.
No fim das contas, a segunda temporada de The Last of Us soa é um completo desrespeito ao jogo, à excelente primeira temporada e, principalmente, a quem esperava assistir a uma boa série de televisão.