Cinema

BAFTA 2026: Falha em corte de transmissão expõe insulto racial de ativista com síndrome de Tourette

A transmissão do BAFTA 2026 gerou controvérsia após um ativista com síndrome de Tourette proferir um insulto racial involuntário que não foi cortado da exibição oficial.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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A cerimônia do BAFTA Film Awards de 2026 foi marcada por um momento de extrema tensão e desconforto no Royal Festival Hall, em Londres. Durante a entrega do prêmio de melhores efeitos visuais, apresentada pelos atores Michael B. Jordan e Delroy Lindo, o ativista John Davidson, que tem síndrome de Tourette, teve um tique vocal severo e gritou um insulto racial grave (a “N-word”). A situação gerou indignação profunda, agravada pelo fato de a emissora de televisão responsável pela exibição ter pedido desculpas após não editar o momento, mesmo com a transmissão ocorrendo com duas horas de atraso.

Davidson é a inspiração da vida real por trás do aclamado filme I Swear, que retrata a vida de um homem lidando com a síndrome — uma condição neurológica caracterizada por movimentos e sons repentinos, repetitivos e totalmente involuntários. Minutos antes do início do evento, a organização havia alertado os presentes de que Davidson poderia emitir ruídos involuntários. O ativista, que acabou deixando a sala por conta própria cerca de 25 minutos após o início do show, já havia proferido outros palavrões involuntários na plateia.

O apresentador da noite, Alan Cumming, precisou interromper a cerimônia algumas vezes para lembrar ao público que os tiques ouvidos eram fruto de uma deficiência. Ele reiterou que a pessoa com síndrome de Tourette não tem controle sobre sua linguagem e emitiu pedidos de desculpas institucionais para quem pudesse se sentir ofendido.

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O impacto na comunidade e o debate sobre capacitismo

O incidente abriu um debate complexo e espinhoso sobre o capacitismo na indústria cinematográfica e o dever de cuidado da organização com os convidados negros presentes. Nos bastidores, Delroy Lindo comentou que ele e Jordan mantiveram o profissionalismo no palco, mas lamentou a falta de um diálogo direto da Academia Britânica sobre o ocorrido com eles.

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A designer de produção Hannah Beachler relatou nas redes sociais que a situação era “quase impossível” de lidar. Ela revelou ter sido alvo dos tiques de Davidson a caminho do jantar após o evento e, embora tenha afirmado compreender profundamente a condição médica do ativista, criticou a superficialidade dos pedidos de desculpas genéricos feitos durante a transmissão.

Desinformação e conscientização

Apesar do esforço interno para contextualizar a deficiência, as reações online evidenciaram a enorme falta de informação do público geral sobre a síndrome de Tourette. Enquanto defensores e especialistas tentavam explicar a natureza debilitante e incontrolável da condição neurológica, figuras públicas como o ator Jamie Foxx criticaram a atitude de Davidson nas redes sociais como se o insulto fosse intencional, um comentário duramente rechaçado pela comunidade médica como uma demonstração clara de desconhecimento.

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Para tentar trazer luz e empatia à situação, o ator Aramayo, que venceu o BAFTA de Estrela em Ascensão por interpretar o protagonista em I Swear, usou seu tempo no palco para exaltar a figura de Davidson. Em seu discurso, ele ressaltou que a sociedade ainda precisa aprender muito sobre a síndrome e que cabe às pessoas ao redor oferecer suporte e compreensão para ajudar a definir de forma positiva a experiência de quem vive com Tourette.

Tags: #BAFTA 2026
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