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Tradutora de A Odisseia amplia crítica a Nolan e gera embate com Joyce Carol Oates

Emily Wilson amplia críticas a A Odisseia em novo ensaio e entra em embate público com a escritora Joyce Carol Oates.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Emily Wilson não parou na primeira resenha demolidora. A tradutora da Odisseia usada como referência declarada por Christopher Nolan publicou um novo ensaio, dessa vez na revista The Atlantic, aprofundando as críticas ao filme e classificando-o como visualmente deslumbrante, mas emocionalmente vazio.

No texto, Wilson concentra boa parte do ataque na chamada “lei de Zeus”, frase repetida diversas vezes pelos personagens do filme e que resume a obrigação grega de hospitalidade para com estranhos, já que qualquer visitante poderia ser um deus disfarçado. Segundo a tradutora, o filme apresenta o Cavalo de Troia como a violação máxima dessa lei, argumento que ela considera incoerente dentro do próprio contexto da trama.

Uma crítica à lógica moral do filme

Para Wilson, o problema está em tratar o cavalo como o verdadeiro ponto de virada moral da história, ignorando que os gregos já sitiavam Troia havia dez anos antes daquele momento, um contexto que, segundo ela, o próprio filme deixa de mostrar. Os troianos, argumenta a tradutora, nunca foram anfitriões dos gregos, e sim inimigos de guerra, o que tornaria sem sentido colocar o peso moral da narrativa sobre o estratagema do cavalo em vez da decisão original de Agamêmnon de invadir a cidade.

Wilson também criticou o que descreveu como uma dissonância entre roteiro e direção: enquanto o texto insiste verbalmente na importância da bondade humana, as imagens de Nolan se concentram quase exclusivamente no desafio mecânico de mover objetos no espaço, como o próprio cavalo sendo empurrado morro acima ou os grandes portões da cidade sendo abertos lentamente. Segundo ela, a câmera do diretor se demora mais em prédios em chamas do que nos próprios atores humanos durante a emboscada final.

A reação de Joyce Carol Oates

A escritora Joyce Carol Oates entrou na discussão publicamente, criticando Wilson nas redes sociais por atacar um filme do qual, segundo ela, a própria tradutora teria se beneficiado enormemente em vendas. Oates classificou o tom da crítica como arrogante e superior, argumentando que seria de se esperar mais consideração de alguém cujo ofício é justamente servir a um texto original.

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A polêmica rendeu também respostas de outros críticos e acadêmicos. Em análise publicada pela Slate, um especialista em estudos clássicos discordou pontualmente da leitura de Wilson, argumentando que ela teria interpretado mal o cerne do filme: a ideia de que o Cavalo de Troia representa uma violação da xenia, o princípio grego de hospitalidade, cometida pelos próprios gregos ao se esconderem dentro do presente, e não pelos troianos ao recebê-lo.

Um sucesso comercial que segue de vento em popa

A polêmica em nada afetou o desempenho comercial do filme. A Odisseia já soma US$ 405 milhões nos Estados Unidos e US$ 922 milhões globalmente após três semanas em cartaz, recebendo nota A no CinemaScore na estreia. Curiosamente, o sucesso do filme também impulsionou as vendas da própria tradução de Wilson, hoje a segunda colocada entre os livros mais vendidos do país.

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