Cinema

Ben Affleck defende Digger, de Tom Cruise, e critica quem comemora o fracasso do filme

Digger estreou com só US$ 8 milhões nos EUA. Ben Affleck alerta que punir filmes ousados leva a um cinema homogêneo.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Hollywood adora uma bomba de bilheteria, e Digger virou a da vez. A sátira de Alejandro G. Iñárritu com Tom Cruise estreou com cerca de US$ 8 milhões nos Estados Unidos, uma das piores aberturas da carreira do astro. Ben Affleck decidiu remar contra a maré e saiu em defesa do longa. Para ele, quem comemora o fracasso pode estar cavando o próprio buraco.

O ator falou sobre o assunto na segunda-feira, no podcast Happy Sad Confused. Comparou a reação ao filme a uma espécie de bullying de colégio, muitas vezes praticado por gente que nem viu o longa. Na visão dele, Digger é uma obra ambiciosa e interessante, feita por gente talentosa.

O preço de punir a ousadia

O argumento de Affleck é de mercado. Se o público e a imprensa castigam os filmes que arriscam, os estúdios vão parar de arriscar. O resultado, segundo ele, seria “um monte de filmes homogeneizados” e de baixa qualidade, palavra que o ator usou em versão bem menos educada.

Affleck também criticou a obsessão por contar quanto dinheiro o filme perdeu. Para ele, não dá para fazer algo interessante sem um “grande arremesso”, e isso significa aceitar que às vezes o resultado vai deixar o artista mal na foto. O comentário veio na semana em que o próprio Affleck lançou Sobrevivência, suspense da Netflix que ele dirige e estrela.

Uma conta difícil de fechar

O tamanho do tombo explica o barulho. Digger custou entre US$ 125 milhões e US$ 180 milhões, segundo diferentes estimativas da imprensa americana. Somou cerca de US$ 20 milhões no mundo no fim de semana de estreia, com uns US$ 12 milhões vindos de fora dos Estados Unidos. A própria Warner esperava uma abertura de US$ 12 milhões a US$ 15 milhões.

Pelas contas de analistas, o filme precisaria arrecadar algo entre US$ 300 milhões e US$ 350 milhões para empatar. No Brasil, Digger estreou em 1º de outubro. Cruise interpreta Digger Rockwell, magnata do petróleo cuja empresa provoca um desastre ecológico. O elenco tem ainda Sandra Hüller, Jesse Plemons, Riz Ahmed e John Goodman.

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Crítica dura e apoio de famosos

A recepção crítica também não ajudou. Parte da imprensa americana descreveu o longa como o encontro de dois egos enormes sem ninguém para conter seus excessos. Um dos textos mais duros comparou a sátira, de forma desfavorável, a Dr. Fantástico, o clássico de Stanley Kubrick. O mesmo texto criticou a atuação de Cruise, que passava horas na maquiagem para parecer mais velho.

Do outro lado, nomes de peso saíram em defesa do filme. A mais curiosa foi Anne Hathaway, cujo Verity superou Digger nas bilheterias no fim de semana em que os dois estrearam. No Letterboxd, a atriz chamou o longa de brilhante, inteligente, viajado e ambicioso, e deu a nota máxima: “10/10”.

Affleck sabe do que está falando

A defesa tem um fundo pessoal. Affleck enfrentou anos de deboche depois de Contato de Risco, de 2003, um dos fracassos mais lembrados de Hollywood. Depois disso, reconstruiu a carreira como diretor com Argo, vencedor do Oscar de melhor filme.

Iñárritu também conhece os dois lados. O cineasta mexicano ganhou o Oscar de direção dois anos seguidos, por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) e O Regresso. Digger marca sua primeira parceria com Tom Cruise.

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