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Crítica | A Babá – Um Acerto da Netflix

O encanto do exagero sangrento.

Guilherme Coral
Guilherme Coral Redação
17 de outubro de 2017 · 4 min de leitura
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O grande problema enfrentado por filmes com alto teor de violência, especialmente aqueles que utilizam o gore como recurso visual/narrativo é a classificação indicativa, que muito limita as possibilidades da obra se sair bem nas bilheterias, isso sem falar na pressão exercida pelos estúdios em manter seus longa-metragens na faixa do PG-13. O surgimento e popularização dos canais de streaming, com suas produções originais, felizmente, ofereceu mais possibilidades para realizadores que buscam produzir tais tipos de filmes e A Babá, distribuído pela Netflix, certamente se enquadra nesse cenário, nos entregando uma espécie de versão super violenta, repleta de humor negro, do clássico Esqueceram de Mim.

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A obra nos apresenta Cole (Judah Lewis), um garoto de doze anos que sofre bullying na escola, tanto por ser consideravelmente mais medroso que as outras crianças, quanto por ainda ter uma babá, Bee (Samara Weaving), cuidando dele quando seus pais saem de casa. Certa noite, o menino decide permanecer acordado para ver o que a babá faz enquanto ele dorme. O que ele não esperava é que ela seria a líder de um culto satânico e que sacrificaria um virgem em sua casa. Ao perceber que Cole ainda está acordado, Bee e sua gangue fazem da noite do garoto um verdadeiro inferno.

O roteiro de Brian Duffield, desde os minutos iniciais, estabelece um tom nitidamente irônico na narrativa, fazendo uso de clichês e estereótipos para criar uma atmosfera de sátira, que tão bem combina com o humor negro que testemunhamos conforme o longa progride. Ao contrário da grande maioria das vítimas em filmes de terror, o protagonista está longe de ser estúpido ou de tomar ações consideradas imprudentes – desde cedo ele surpreende com suas artimanhas, o que faz com que, mais e mais, torçamos por ele. Nesse sentido a obra se assemelha ao já mencionado Esqueceram de Mim, visto que os criminosos certamente passam por tantas dificuldades quanto o próprio menino, que costuma contar com cartas na manga na maioria das vezes.

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 O excesso de violência gráfica funciona dentro da proposta aqui estabelecida, sendo exibida sempre de maneira humorada, com notáveis exageros ao longo da trama. O diretor, McG, faz de cada uma delas um verdadeiro show à parte, não escondendo as dilacerações que vemos durante a projeção, todas muito bem elaboradas pela equipe de direção de arte, que sabe encontrar o meio-termo entre realismo e artificialidade, produzindo a comédia pela quebra de expectativa e não por acharmos algo mal feito ao ponto de proporcionar boas risadas. Evidente que a oposição entre a personalidade de Bee antes e depois da revelação de seu verdadeiro eu é responsável pelo tom surreal que acompanha grande parte da obra e que, claro, torna tudo mais divertido.

A atmosfera mais descontraída também é mantida através dos textos que pipocam em determinados momentos na tela – sentimos, porém, que o filme poderia ter esbanjado mais de tal recurso, visto que, em dados momentos, sentimos como se o editor tivesse esquecido de inserir tais cartelas. Outro aspecto que soa fora do lugar é a estrutura burocrática do roteiro em colocar o protagonista enfrentando um antagonista após o outro em ordem sucessiva, criando uma narrativa quase capitular, que faz tudo parecer como se fossem fases de videogames e seus respectivos chefes. Curiosamente, esse recurso poderia ter sido incluído na narrativa se o diretor assim desejasse, já que as inúmeras referências à cultura pop permitiriam que o longa se assumisse como uma espécie de game de terror.

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Apesar de tais deslizes, A Babá representa um grande acerto na carreira de McG e Brian Duffield, além de uma bela escolha da Netflix em distribuir tal filme. Certamente teríamos uma obra completamente diferente caso ela fosse feita para ser exibida nos cinemas, felizmente os canais de streaming abrem mais possibilidades para lançamentos como esse, que não receiam exagerar na violência e no gore, entregando-nos uma bela demonstração de como o terror pode se misturar com a comédia, produzindo um divertido e engajante longa-metragem pautado no humor negro e, claro, no sangue.

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A Babá (The Babysitter, EUA – 2017)

Direção: McG
Roteiro: Brian Duffield
Elenco: Andrew Bachelor, Bella Thorne, Hana Mae Lee, Judah Lewis, Robbie Amell, Samara Weaving, Chris Wylde, Doug Haley, Ken Marino, Emily Alyn
Gênero: Terror
Duração: 90 min

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Tags: #a babá #Bella Thorne #McG #Netflix #Samara Weaving
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Guilherme Coral
Escrito por

Guilherme Coral

Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.

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