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Crítica | As Bruxas do Oriente – A impressionante magia do vôlei

O ouro vem na base do sangue e suor. Para o time de vôlei feminino do Japão em 1964, esse lema era apenas o café da manhã. No documentário As Bruxas do Oriente, presente na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, embarcamos em uma contextualização do porquê elas eram chamadas de Bruxas.

Perdido na tradução entre países, o termo tem a ver com a mágica das garotas em nunca deixar a bola cair. Foram 258 partidas sem perder, desde sua estreia como um time local, formado por uma turma de trabalhadoras da fábrica têxtil, até serem a primeira seleção oficial do Japão nas Olimpíadas. Tudo isso na estreia da categoria!

Analisando as histórias através dessa colagem de imagens de arquivo com uma boa trilha sonora, o diretor Julien Faraut consegue emular uma sensação da época. A estética do documentário vai além em alguns momentos, entrando em um estilo de montagem nipônica, e até referenciando animes. Faraut tem muito com o que trabalhar, deixando a narrativa fluida, sem precisar desviar o foco das jogadoras.

Das poucas que aceitaram participar, ou que ainda estão vivas, temos um belo encontro com sua rotina. Elas comentam como era o convívio e até relembram a origem de seus apelidos, pois cada uma tinha seu codinome para uma comunicação mais rápida. É possível perceber que a mentalidade das jogadoras, também muito bem treinada, não refere-se ao passado como algo saudosista que não volta mais, mas sim como um pedaço de história da qual se orgulha de ter feito parte. Só com essa diferença de acompanhamento, Faraut consegue costurar os diferentes anos e os temas que se desenrolam na história sem precisar apelar para o convencional.

Muitas coisas acontecerem no tempo das Bruxas, que acabam justificando sua existência. A primeira é a Segunda Guerra Mundial. Muitos dos pais dessas garotas foram para a luta e não voltaram mais, algumas sequer tinham mãe e assim acabavam encontrando o acolhimento no time. Até uma das senhoras lembra no documentário que o treinador era uma figura paterna para elas.

Justamente pelas consequências da guerra, o Japão passou por um abalo muito grande de cabeça erguida. E o interessante é ver como a mentalidade do time, que chegou a ser notícia na época, se tornou uma característica sempre atribuída aos japoneses: a persistência! Se cair, levanta. Quebrou, conserta. Perdeu, tenta novamente. Cansou, não demonstre. Todos esses pontos são exibidos em cenas dos treinos, com as jogadoras caindo no chão, levando bolada e gritando; mas sempre levantando e recuperando.

É legal conhecer um pouco de história que compõe o lado humano positivo. As Bruxas do Oriente é justamente o tipo de material para se ver um período de depressão, inspiração ou compaixão.

As Bruxas do Oriente (Les Sorciéres de L’Orient, França – 2021)

Direção: Julien Faraut
Roteiro: Julien Faraut
Gênero: Documentário
Duração: 100 min

Acompanhe mais da nossa cobertura da 45ª Mostra Internacional de São Paulo

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Publicado por Herbert Santos

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