O Agente Secreto vence sete categorias no Prêmio Platino e supera Ainda Estou Aqui
O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, domina o Prêmio Platino 2025 com sete prêmios, incluindo melhor filme, diretor e ator para Wagner Moura.
O filme brasileiro O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, varreu as principais categorias da 13ª edição do Prêmio Platino Xcaret, realizado em 9 de maio na Riviera Maya, no México. O longa levou sete prêmios no total, incluindo melhor filme, diretor, roteiro e ator para Wagner Moura — superando o desempenho de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, que havia dominado a edição anterior com três prêmios.
O drama policial já acumulava um histórico expressivo antes da noite: recebeu quatro indicações ao Oscar e conquistou quatro prêmios em Cannes, incluindo diretor e ator. O Platino confirma o momento de O Agente Secreto como um dos filmes ibero-americanos mais celebrados dos últimos anos.
Argentina e Espanha dividem os prêmios técnicos
Fora do domínio brasileiro, a disputa ficou entre Argentina e Espanha nas categorias técnicas. Sirât, do espanhol Oliver Laxe e vencedor da Concha de Ouro em San Sebastián, levou os prêmios de efeitos especiais, fotografia e direção de som. O espanhol Os Domingos levou o prêmio do público, entregue na cerimônia pré-gala do dia anterior.
Dolores Fonzi recebeu dois reconhecimentos por Belén, filme argentino pré-selecionado para o Oscar que narra a história de uma mulher presa após sofrer um aborto espontâneo. Fonzi levou o prêmio de atriz coadjuvante e o troféu Filme e Educação em Valores.
O Eternauta lidera a televisão com sete prêmios
Na televisão, O Eternauta — a série mais ambiciosa da Netflix na Argentina — dominou com sete prêmios, incluindo melhor série limitada e ator para Ricardo Darín. A produção também levou nas categorias de roteiro, música original, edição, efeitos especiais e atriz coadjuvante para Andrea Pietra.
O Brasil venceu na categoria de melhor série com Beleza Fatal, primeiro produto original do HBO Max para a América Latina no formato de telenovela. O criador Raphael Montes, referência nacional no crime fiction, soma mais um reconhecimento internacional à sua trajetória.
Polêmica política marca a cerimônia
A gala foi antecedida por um episódio incomum. A presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, que visitava o México durante os dias que precederam o evento, se viu no centro de um conflito com o governo mexicano. Díaz Ayuso havia chamado o México de “narco-estado” e recusado pedidos de desculpas da Espanha pelo legado colonial na América Latina — declarações que geraram tensão com a presidente Claudia Sheinbaum.
O Grupo Xcaret, organizador do evento, emitiu um comunicado negando ter recebido qualquer instrução governamental sobre o evento. Ainda assim, a organização pediu a revogação do convite à representante madrilenha para evitar que a cerimônia fosse usada como plataforma política. O Prêmio Platino é co-patrocinado pela Comunidade de Madri e pela Prefeitura de Madri — o que tornou o episódio ainda mais delicado para os organizadores.
O prêmio honorário da noite foi para o argentino Guillermo Francella, conhecido por O Segredo dos Seus Olhos e O Clã, de Pablo Trapero. “Este prêmio reconhece uma jornada de vida inteira”, disse Francella ao receber o troféu.