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Quando Batman: Arkham Asylum deu início à excelente franquia de games da Rocksteady, um dos grandes elogios da aventura stealth do homem-morcego era o de que finalmente era lançado um jogo decente baseado no personagem. E ainda que a série definitivamente seja o melhor material da área baseado em propriedades da DC, é injusto que a adaptação da EA Games de Batman Begins para Playstation 2, GameCube, PC e Xbox seja tão pouco lembrada, dado seu notável nível de qualidade e a forma como foi crucial para o nascimento da franquia Arkham.

O jogo segue uma estrutura simples de fases e chefões, sem a possibilidade de mundo aberto. As missões expandem os acontecimentos de Batman Begins mas preservam a mesma história, trazendo até mesmo grande maioria do elenco original do filme para as funções de dublagem. São sete fases que incluem jogabilidade com Batman e Bruce Wayne em 3ª pessoa e outras duas que deixam o espectador brincar com o poderoso e veloz batmóvel Tumbler apresentado na mitologia de Christopher Nolan.

Assim como a narrativa do filme, o grande aprendizado do jogador é a manipulação do medo nos inimigos a fim de derrotá-los e bolar estratégias baseadas no modo stealth, grande herança que o game deixaria para a vindoura série Arkham. Durante diversos momentos nos deparamos com situações em que inimigos armados tornam o combate direto mais difícil (mas não impossível, se stealth não é muito a sua praia), então o jogador tem a opção de explorar o ambiente a seu redor para encontrar uma forma de desarmá-lo e apavorá-lo; aliás, a reputação de Batman e o medo provocado por este na área são duas barrinhas de energia que vão preenchendo-se ao longo das missões.

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Olhando agora em 2016, obviamente os gráficos sofreram um envelhecimento notável, mas ainda assim é possível encontrar um trabalho decente ali, ainda mais se estivermos analisando dentro do contexto de 2005, quando o game fora lançado. As faces digitais de Christian Bale, Liam Neeson, Michael Caine, Cillian Murphy e todos os diversos outros capangas e coadjuvantes são convincentes e certamente de ótimo nível para algo de mais de uma década. Todos mantém um trabalho consistente com suas respectivas performances no filme, e é sempre bom ter mais da voz grossa e ameaçadora de Bale como o Cavaleiro das Trevas.

O que ainda impressiona, porém, é o nítido esforço dos departamentos de arte para a criação dos diversos cenários por onde o game passa. Seguindo de perto a paleta de cores do diretor de fotografia Wally Pfister (pasmem, que tem uma divertida cameo dentro do jogo) e do designer de produção Nathan Crowley, a equipe da EA abraça o aspecto sujo e perigoso dessa Gotham City moderna e realista, permanecendo ainda imersiva a atmosfera fria e as cores amareladas do skyline da cidade, dando um bem-vindo passo além ao expressionismo daquele mundo criado em 2005. Locações como o Himalaia na fase de treinamento e as corridas noturnas com o Batmóvel são hábeis em simular um mundo expansivo que não existe, mas o grande destaque fica para os diferentes locais criados na fase Gotham City (que colocam Batman em um luxuoso hotel da Máfia, museus abandonados e muitas áreas de construção) e o incrível nível de detalhes para o Asilo Arkham, que ganha uma expansão muito envolvente e surge palpável e realista, respeitando as regras do universo.

Quanto à jogabilidade, é uma mecânica simples, mas eficiente. Os combates são simples e não exigem tanto do jogador (ainda que o modo Challenge seja consideravelmente complicado nesse quesito), e é bacana observar como os animadores criaram os movimentos e golpes baseando-se em ações de lutadores reais, sendo possível identificar estilos de luta distintos ali. É uma pena que os combos acabem sendo repetitivos e limitados, e o modo de intimidação do personagem acabe tornando-se cansativo após certo ponto. O game também carece de boas batalhas com chefões de fase, já que tanto Ra’s Al Ghul quanto o Espantalho revelam-se adversários tão descartáveis quanto seus capangas.

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Já as duas fases com o Batmóvel nos dão a sensação de um mundo aberto sandbox, mas o veículo segue firmemente uma rota já estabelecida pelo sistema. Porém, o carro é divertido de ser operado e os roteiristas são capazes de inventar boas missões durante as fases, que incluem perseguir e interceptar caminhões e carros da Máfia, fugir de luzes de helicópteros policiais e algumas missões de tempo que são facilitadas pelos muitos ativadores de boost espalhados pelo mapa. Só é estapafúrdio que o jogo nos faça acreditar que usar o Batmóvel como arma para estraçalhar carros não provoque diversas vítimas por aí, mas isso deixo pro Batfleck responder…

Tendo derrotado o jogo em uma campanha de aproximadamente 8 horas, não há muito o que se explorar. O game libera 3 diferentes trajes do Batman que podem ser utilizados em novas campanhas, trechos do filme que servem como cutscenes, duas missões extras com o Batmóvel (que também ganha uma nova variante, no caso a do protótipo) e um informativo making of em 6 partes que nos leva para o desenvolvimento e criação do game. Há também a chamada “Galeria do Medo”, onde vemos todos os principais antagonistas do jogo confinados em celas do Asilo Arkham, na qual podemos visitar e recolher informações sobre cada um

Batman Begins é um jogo divertido e que garante ao jogador bons momentos na roupa do Cavaleiro das Trevas, sendo um importante precursor para a série Arkham e que definitivamente merece ser lembrado e até revisitado

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