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Crítica | Brinquedo Assassino – Um Reboot Desnecessário

Brinquedo Assassino é um dos grandes clássicos dos slashers dos anos 80 que com sua fama acabou por ter inúmeras sequências até os dias de hoje. Queira ou não há um ar de nostalgia ao acompanhar os longas antigos de Chucky, uma boneco que é a encarnação de um assassino que entrou em corpo inanimado e que vive indo à procura de um humano em que possa depositar sua alma. A verdade é que a franquia há muito vinha perdendo força, e o então brinquedo malvado passou a ser visto como chacota por uma parcela do público, com filmes bizarros como O Filho de Chucky (Don Mancini).

Para tentar melhorar a imagem da franquia tentaram reinventar o bom e velho Chucky ao filmar o reboot de Brinquedo Assassino (Lars Klevberg/2019). A primeira coisa que salta aos olhos de quem assiste é o fato de terem mudado a origem do boneco. Se antes era um assassino dentro do brinquedo agora há uma mudança mais drástica, com Chucky entrando de vez na era digital, sendo programado, no Vietnã, para aprender a praticar violência sem filtros. Não para por aí com as mudanças, também deram um jeito de mudar sua fisionomia e o deixaram com um ar mais jovial, como se tivesse passado por algum tratamento estético e tivesse perdido todo o aspecto cruel dos filmes anteriores, se tornando literalmente bonzinho, ou no caso Amigão, apelido dado pelos seus fabricantes.

São mudanças drásticas que fazem com que toda a história original seja esquecida, e ainda os roteiristas desfiguraram tudo o que foi criado, possivelmente para começar uma nova franquia com este novo boneco. Essa modificação na trama é um grande erro, mesmo fazendo com que o filme flua com os acontecimentos que Chucky vai provocando e com a sua nova motivação, que não é mais a busca de Andy para depositar a alma do assassino, acabam por deixá-lo mais fraco em um quesito importante para um longa de terror que são os sustos e o suspense, ambos muito mal trabalhados e concebidos.

A mudança da origem macabra é um erro e que acaba por perder outro aspecto importante que são os sustos, tendo um impacto baixo no telespectador justamente porque não há a já esperada crueldade de nascença. Outro erro que afugenta o suspense ficou em relação ao ambiente em que Chucky está inserido. O diretor ao deixar tudo mais bonitinho, como a transformação física do boneco e sua origem acabam por deixar as cenas mais leves do que deveriam ser. Além dos sustos não assustarem, também não dão medo, pois as situações em que Chucky aparece são tão óbvias que fica difícil de ser enganado ou surpreendido.

Algo que mudou em relação aos filmes anteriores, e de certa forma é um acerto, fica em relação à violência empregada. Chucky mata sem piedade seus adversários e com grande crueldade, e tudo é mostrado na tela sem o mínimo corte. É possível presenciar fratura exposta entre outros tipos de danos impostos pelo boneco. Essa sanguinolência é colocada na história possivelmente para cobrir buracos e a já mencionada falta de terror, assim obrigando o telespectador a usufruir de um artifício chocante e esquecer de seus defeitos.

O roteiro tentou fazer uma mescla com uma linha violenta com cenas hilárias, algo que é bem trabalhado e até que faz algum sentido para o longa, que decidiu ir por um caminho mais leve e na hora das mortes colocando uma carga bastante pesada para nos lembrar que ainda estamos assistindo a um filme de terror. Ainda sobre o roteiro há algumas incoerências que foram apresentadas de forma atropelada e não tiveram a atenção necessária. O primeiro caso é em relação ao programador que dá um jeito de deixar o boneco Amigão com ensinamentos assassinos. Algo que não falam com clareza é o motivo, apenas o mostram digitando uns códigos e nada mais. Outra incoerência fica em relação ao próprio nome Chucky que nos longas anteriores era o nome do assassino. No reboot resolveram colocar o nome Chucky em uma artimanha forçada e jogada.

Realizar um reboot é algo bastante perigoso e que demanda uma maior criatividade dos roteiristas ao recriar todo o ambiente e seus personagens e dar novos caminhos para seguirem. A verdade é que Brinquedo Assassino tenta dar uma nova vida para algo que já vinha perdendo força e acaba por se tornar um reboot bastante desnecessário e sem graça, até porque as mudanças drásticas em relação ao boneco não seguram o telespectador e nem impressionam. Talvez as mortes cruéis sejam o ponto forte, mas isso é algo feito no limite da forçação de barra e feito para tirar a atenção do público.

Brinquedo Assassino (Child’s Play, EUA – 2019)

Direção: Lars Klevberg
Roteiro: Tyler Burton Smith, Don Mancini
Elenco: Aubrey Plaza, Mark Hamill (Chucky), Tim Matheson, Brian Tyree Henry, Gabriel Bateman, David Lewis, Beatrice Kitsos, Trent Redekop
Gênero: Horror
Duração: 90 min

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Publicado por Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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