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Crítica | Capitães de Zaatari – Perseguindo sonhos

Crescer querendo ser uma coisa é muito diferente de quando a oportunidade bate à sua porta. Capitães de Zaatari, documentário presente na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é um bom espelho sobre a alma de um sonhador com sua imagem virada do avesso, expondo as belezas e as feiuras da ignorância jovem.

Fawzi e Mahmound são amigos em um campo de refugiados na Jordânia, que sonham em serem jogadores profissionais de futebol no Catar. Eles têm uma diferença de idade de apenas um ano, e vão à todas as eliminatórias em busca de uma chance de ser pego pelos olheiros dos grandes times.

Ali El Arabi é um diretor estreante, mas não demonstra em nenhum segundo. Suas escolhas narrativas com todo o material, os planos em que decide filmar e a condução geral mostram um talento em fazer dessa história algo que beira a ficção. Arabi consegue em momentos fazer você duvidar se está assistindo um filme ou documentário, sempre seguindo a premissa de que cada solução é suprida com um novo conflito.

Fawzi é quem leva o filme como principal. Por ser o mais velho, acaba ficando para trás em maioria das peneiras para os times, mesmo mostrando ser um jogador habilidoso. Seus pais lhe dão apoio, mas sabem que tudo é possivel. Há um diálogo entre ele e a irmã que expõe muito bem o quão sonhador é, afirmando que não precisa ler e escrever pois “jogo futebol”. A bola no pé é o suficiente para justificar sua existência.

Mahmound é um bom jogador também, e tem as mesmas ambições que o amigo, mas parece ter o pé mais no chão. Sabe das responsabilidades e inclusive cria um grande conflito quando não esquece do amigo após ser escolhido em uma peneira primeiro. Ambos têm uma sintonia legal, e fica compreensível o porquê ambos sempre são escolhidos como capitães dos times na Jordânia.

Da metade para a frente, o filme lida com a ida deles para sua primeira grande chance em um time juvenil. É interessante conhecer como funciona todo o processo na Ásia para a formação de jogadores e suas responsabilidades. O único problema é que Arabi acelera o ritmo, e temos menos tempo para acompanhar o dia-a-dia dos dois nos campos de gramado.

Como uma obra documental, Capitães de Zaatari faz mais do que o necessário para te colocar ao lado dos dois rapazes. E acima disso, é uma obra para refletir sobre sonhos e sonhadores.

Capitães de Zaatari (Captains of Za’atari, Egito – 2021)

Direção: Ali El Arabi
Gênero: Documentário
Duração: 73 min

Acompanhe mais da nossa cobertura da 45ª Mostra Internacional de São Paulo

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Publicado por Herbert Santos

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