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Crítica | Eu Vejo Você em Todos os Lugares – Uma antologia de desastres

Um filme catástrofe é facilmente reconhecido por passar momentos de pânico com os personagens que se tornaram os sobreviventes de um grande evento. Tire o evento e o que você tem é Eu Vejo Você em Todos os Lugares, novo filme de Bence Fliegauf presente na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

É uma antologia de situações, onde percorremos discussões amorosas e familiares. Uma filha que culpa o pai pela morte da mãe, uma esposa que tem dúvidas sobre o marido, traição familiar, intolerância religiosa, a velha idade e até uma discussão sobre a integridade de um assassino de aluguel.

Todos os atores estão bem no filme, entregando performances diretas e rápidas, fazendo as discussões ganharem peso. Até as que vão para situações mais estranhas não parecem desandar, e sim levar o espectador de maneira natural. Fica uma menção especial para o núcleo da intolerância religiosa, que é apenas mãe e filho discutindo sobre jogos de RPG.

A escolha de Fliegauf em manter tudo sob um véu de suspense funciona muito bem com a proposta do filme, que se beneficia da fotografia quase documental e uma trilha discreta. O diretor já havia realizado algo na mesma proposta em 2003 com Rengeteg, sendo esse uma sequência espiritual do seu modelo narrativo.

Entretanto, um filme com muitas cenas longas sobre relacionamentos sem uma conexão deixa a desejar. Depois de um tempo é frustrante parar para pensar em como algumas peças ali se encaixariam facilmente. Há personagens que facilmente poderiam ter se repetido em outros trechos, e tem um que serviria como catarse de toda a conversa de quase vinte minutos.

Eu Vejo Você em Todos os Lugar é um filme desses que serve como exercício de linguagem e atuação, em que vale mais aproveitar uma performance e suas nuances do que embarcar em uma história.

Eu Vejo Você em Todos os Lugares (Rengeteg – Mindenhol Látlak, Hungria – 2021)

Direção: Bence Fliegauf
Roteiro: Bence Fliegauf
Elenco: Juli Jakab, Lázló Cziffer, Lilla Kizlinger, Zsolt Végh, István Lénárt, Eszter Balla
Gênero: Drama
Duração: 112 min

Acompanhe mais da nossa cobertura da 45ª Mostra Internacional de São Paulo

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Publicado por Herbert Santos

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