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Crítica | Fratura – Suspense de boa qualidade da Netflix

Fratura entrega o que pretendia, com uma narrativa de fácil assimilação e sem muitos rodeios, desenvolve uma trama assustadora

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
12 de outubro de 2019 · 5 min de leitura
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Crítica | Fratura – Suspense de boa qualidade da Netflix

Quem curte um bom thriller, cheio de reviravoltas e suspense irá adorar assistir ao filme Fratura (Brad Anderson). O nome é simples e já indica o que vem pela frente, mas esse é apenas o gatilho para todos os acontecimentos que virão pela frente. A trama gira em torno de Ray Monroe (Sam Worthington) um homem que viaja com sua esposa e filha, até que um emblemático acidente com sua filha o leva até o hospital. A partir deste momento acabamos por presenciar acontecimentos que desenvolvem toda a história. E é justamente quando Ray entra no hospital que o roteiro começa a jogar com o público, pois há dois caminhos trilhados pela história, se a esposa e filha de Ray estão no hospital mesmo, ou se a equipe médica está fazendo algo de cruel com as duas. 

O mais interessante do roteiro escrito por Alan B. McElroy (Spawn, o Soldado do Inferno) é o fato de enganar o telespectador de um jeito que é óbvio, mas que mesmo assim consegue prender a atenção do público. Mesmo nos apresentando, no segundo ato, que aqueles indícios possivelmente sejam os reais, a jogada feita que direciona o protagonista para a sua missão pessoal continua interessante e mantém a todos pregados em frente a tela. Esse é o principal acerto de Fratura, pois consegue construir uma narrativa que chama a atenção com a família viajando, e depois começa a desenvolver a trama e nos inserir dentro da loucura pessoal de Ray.

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Há duas linhas que o diretor resolveu desenvolver, uma para enganar e outra que é a verdadeira. De início realmente parecia que iria debater um tema aprofundado dentro do hospital, mas a partir do segundo ato começa a se perceber que aquilo aparentemente não era o verdadeiro foco do roteiro, e que foi feito um trabalho para nos enganar. Eis que há outra virada de roteiro no terceiro ato, e esse realmente engana, com o final sendo apresentado de forma crua e intensa. 

Se uma coisa decepcionou no longa foi em relação ao final. Lá pelo segundo ato, quando o mistério aparentemente estava direcionado para um fim, há uma tentativa no terceiro ato de fazer com que tudo aquilo se torne irreal. É no mínimo frustrante a cena final, ali o diretor termina com todas as expectativas criadas que havia gerado no público durante toda a trama. Não que o final seja ruim, pelo contrário, é muito bem estabelecido e desenvolvido. O grande problema está em sua solução que decepciona um pouco. O telespectador fica o tempo todo acompanhando a história, esperando um final feliz, e então o diretor resolve entregar uma surpresa que não era o que todos esperavam ver.

Filmes como O Sexto Sentido (1999) e Os Suspeitos (2013) tem finais surpreendentes e nada óbvios, e no longa dirigido por Brad Anderson ocorre o mesmo. Apesar da resposta estar na nossa cara não queremos acreditar que aquilo tudo é verdade. É interessante a abordagem que o diretor trata em levar ao narrativa adiante. Poderia deixar o suspense absoluto e só realizar a revelação ao término, sem dar pinceladas durante a trama, e mesmo Brad nos mostrando que tudo estava na nossa cara não queremos acreditar no que presenciamos nos últimos 5 minutos.

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As várias viradas de roteiro são de se elogiar. Geralmente em filmes de terror o roteiro entrega de mão beijada o final, mas produções ao estilo Corra! (2017), que somente no ato final descobrimos o significado daquela casa do terror, entregam uma estrutura diferente quanto a narrativa. Muitas vezes não é porque a história do longa é óbvia que o filme é ruim, e nem sempre um final surpreendente significa que aquilo é de fato interessante. Fratura se encaixa na primeira opção, pois Brad Anderson realiza com calma uma abordagem mais direta, mas com plot twists intrigantes e que fazem a narrativa ser empurrada adiante, sem frescura ou enrolação quanto aos acontecimentos.

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É interessante como a construção do roteiro é feita, primeiro com um incidente particular na vida do protagonista e depois trilhando um caminho de tensão tão forte e competente focando na busca de Ray pela sua família. Os acontecimentos que são apresentados servem para dar dois focos para a trama, e fica a critério do telespectador entender qual é a verdade por trás de todos aqueles acontecimentos. O suspense lembra, em alguns momentos, o de filmes como Ilha do Medo (2010), em que o detetive interpretado por Leonardo Di Caprio precisava descobrir o que acontecia naquele lugar inóspito. A diferença é que em Fratura o diretor resolveu não deixar o final em aberto, e a trama é mais direta em sua abordagem.

Fratura entrega o que pretendia, com uma narrativa de fácil assimilação e sem muitos rodeios, desenvolve uma trama assustadora e realista. Seria interessante se os projetos desenvolvidos pela Netflix tivessem tanta intensidade e inteligência no roteiro quanto o longa de Brad Anderson tem. Os filmes produzidos pela plataforma de streaming, quase sempre, não se importam em criar um roteiro competente. Fratura consegue se destacar até mesmo em meio a diversas produções lançadas nos cinemas, e isso é algo bastante elogiável.

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Fratura (Fractured, EUA – 2019)

Direção: Brad Anderson
Roteiro: Alan B. McElroy
Elenco: Sam Worthington, Lily Rabe, Lucy Capri, Adjoa Andoh, Stephen Tobolowsky, Lauren Cochrane
Gênero: Thriller
Duração: 100 min

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Tags: #Lily Rabe #Sam Worthington
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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