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Crítica | Mama

Um conto de fadas góticos que erra nas doses.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
1 de setembro de 2017 · 4 min de leitura
Crítica | Mama

O mexicano Guillermo Del Toro deve ser daqueles que todo mundo precisa ter na lista de contatos. Mesmo sem ter lançado um filme nos últimos 5 anos (depois de Hellboy II – O Exército Dourado, este ano ele volta à direção com Círculo de Fogo), já “apadrinhou” diversos projetos vindos de aspirantes a cineastas. Em 2011 foi o fraco Não Tenha Medo do Escuro, agora ele ajuda a lançar o terror Mama; mais um conto de fadas gótico que infelizmente se perde nas próprias ideias.

Baseada em um curta-metragem de mesmo nome (que você pode assistir no YouTube, por aqui), a trama acompanha as jovens irmãs Victoria e Lily (Megan Charpentier e Isabelle Nélisse) que são abandonadas pelo pai quando este se descontrola durante a crise econômica de 2008. Cinco anos depois elas são encontradas pelo tio (Nikolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game of Thrones) e sua namorada Annabel (Jessica Chastain) e trazidas para morar junto ao casal. No entanto, uma presença fantasmagórica conhecida como “Mama” passa a assombrar a família e ameaça tomar as crianças para si.

O problema de Mama consiste na necessidade de elaborar uma trama complexa para sua personagem-título. O curta-metragem de Andrés Muschietti (que assume aqui o cargo de diretor e co-roteirista, este último com sua irmã Barbara) funciona muito melhor que o longa justamente pelo mistério. Os 3 minutos de duração retratam uma cena bizarra (que no filme é refeita praticamente quadro a quadro) que fica sem explicação, impressionando também por sua competência narrativa. Aqui, os roteiristas criam toda uma história de fundo para a criatura e ainda preenchem a história com figuras mal distribuídas, salvas apenas pelas boas performances de seus intérpretes; especialmente a versátil Jessica Chastain, que constrói uma sujeita completamente diferente de suas atuações prévias – e não foi só o visual gótico que ajudou, a atriz é a única que tem a chance de desenvolver apropriadamente sua personagem.

 O longa começa muito bem com o estabelecimento do cenário, e durante boa parte da projeção, é eficaz ao nos manter presos à narrativa. O mistério acerca da personagem-título é o que desperta maior interesse, mas os roteiristas veem a necessidade de explicitar termos e fenômenos (trazendo uma absurda explicação para diferenciar Mama de um fantasma, e que é literalmente jogada aos ares em sua conclusão) e não consegue nem dar conta de suas linhas narrativas. Como por exemplo, o momento em que um dos personagens chega de dia para explorar uma cabana na floresta e, por algum motivo, o vemos na cena seguinte adentrando-a durante a noite…

Estreante no ramo, Muschietti consegue mostrar tem bom olho para a direção e garante planos lindos (vide a abertura que traz imagens de uma montanha dominada pela neve) e criatividade na elaboração do horror, sobressaindo-se a cena em que acompanhamos o flashback de Mama em primeira pessoa (que assusta pela intensidade da situação e a paleta de cores escolhida pelo diretor de fotografia Antonio Riestra) e a que o psicológo vivido por Daniel Kash procura pela criatura em uma cabana escura, usando flashes de uma máquina fotográfica como orientação. Claro que os sonoplastas e o compositor Fernando Velázquez usam e abusam de suas funções para gerar os mais clichês jump scares do gênero, sendo muito fácil prever quando um susto irá nos pegar; mas sendo inevitável de escapar dele quando chega.

Mama é eficiente em garantir um monstro cativante e bons sustos, mas carece de uma história competente. Sinceramente, o curta-metragem de 3 minutos consegue ser mais satisfatório do que um longa de quase 2 horas. O simples que satisfaz.

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Mama (Canadá/Espanha – 2013)

Direção: Andrés Muschietti
Roteiro: Andrés Muschietti e Barbara Muschietti
Elenco: Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Charpentier, Isabelle Nélisse, Daniel Kash, Javier Botet
Gênero: Terror
Duração: 100 min

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Tags: #Andy Muschietti #Guillermo Del Toro #Javier Botet #Nikolaj Coster-Waldau
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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