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Crítica | Mar Infinito – A solidão em nível cósmico

No futuro, a solidão pode ser algo involuntário. Mar Infinito, filme presente na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, parte para discutir a solidão seja ela por meio de um acontecimento global ou não.

Em sua estreia na direção, Carlos Amaral trabalha com uma história misteriosa de maneira futurista. O diretor e roteirista, que vem do setor de efeitos visuais, utiliza muito bem a ambientação para torná-la mais um personagem no filme. Temos os prédios abandonados, a piscina comunitária, o estacionamento vazio e principalmente o restaurante. Em cada uma das locações, há uma estranheza por estar caraterizada com neons, máquinas amontoadas, e até um estilo vintage. Amaral monta as peças para que elas pareçam um labirinto em que o protagonista tenta achar a saída.

A trama acompanha Pedro, um dos deixados para trás por conta da sua possível fobia de água. Ele passa os dias mantendo uma rotina, até que dois eventos simultâneos o deixam inquietos: a possibilidade de manipular as passagens para a nova terra e o encontro com Eva, uma bela moça conhece na piscina comunitária.

Com um semblante sem muita característica, Nuno Nolasco interpreta um Pedro como se ele fosse um desses rebeldes de hoje em dia, que acham na internet o futuro da civilização. Vale ressaltar que o talento do personagem está conectado com as máquinas, mas de pouco gera vinculo quando Nolasco se caracteriza como alguém que provavelmente estaria aproveitando o planeta vazio. Amaral consegue injetar um pouco de desenvolvimento para o personagem só quando Eva entra na história.

Interpretada por Maria Leite, Eva acaba se tornando o ponto alto do filme. Ela realiza naturalmente as perguntas para compreensão do local e de Pedro, coisa que a trama já deveria ter estabelecido antes. Leite sabe jogar muito bem com o pouco que tem, trazendo sentimento e até peso para as escolhas do protagonista.

Acima dos efeitos e locações, fica a impressão que existe um filme de romance dentro dessa trama. Lembrou em muitos momentos Monstros, de Gareth Edwards, com seu ritmo calmo e diálogo natural. Usando como própria referência a fobia do personagem, Pedro e Eva se movem pelo local deserto como se estivessem em baixo d’água.

Mar Infinito é um daqueles filmes que pensa grande, mas executa o suficiente para não parecer desfalcado pelo orçamento. 

Mar Infinito (Brasil – 2021)

Direção: Carlos Amaral
Roteiro: Carlos Amaral
Elenco: Nuno Nolasco, Maria Leite, Paulo Calatré, António Durães, Pedro Galiza
Gênero: Drama, Ficção Científica
Duração: 78 min

Acompanhe mais da nossa cobertura da 45ª Mostra Internacional de São Paulo

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Publicado por Herbert Santos

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