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Crítica | Marias: A Fé no Feminino

Amálgama de Marias

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
17 de novembro de 2016 · 3 min de leitura
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Crítica | Marias: A Fé no Feminino

Quando estamos em apuros, em quem buscamos amparo? Nas nossas mães, que supostamente nunca nos negam. Seguindo a lógica, depositamos, então, nossas fés na grande mãe, a figura do feminino supremo, Maria.

Em “Marias”, a equipe responsável viajou pelos países Brasil, Cuba México, Nicarágua e Peru entre 2009 e 2013 à procura de diferentes devoções, representações religiosas e relações entre a Virgem Maria e aquelas – aqueles também – que carregam o nome consigo no batismo.

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Ainda que o filme coloque como protagonista a mãe de todos (os cristãos), não é uma obra sobre religião. “Buscamos a devoção mariana que evoca o feminino, a mãe, que cuida, que ouve. Não é preciso ser devoto para se encantar com estas histórias”, conta Joana Mariani (até ela carrega a alcunha no sobrenome), diretora estreante do documentário. “Saí para fazer um filme sobre a Nossa Senhora. Acabei voltando com um filme sobre o feminino”, termina explicando que as viagens, pesquisas e convívios durante esses quatro anos de filmagem mudaram a forma como enxergava a concepção do projeto.

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 A fé mariana das Marias é delineada de forma afetuosa, com base em suas memórias. É longa a lista de entrevistadas, que traz uma amostra bem diversificada de mulheres e ofícios. Uma das histórias mais interessantes é justamente a primeira, protagonizada pela restauradora e funcionária do MASP, Maria Helena Chartuni. Em 1978, um “fanático” adentrou a Basílica de Nossa Senhora da Aparecida (Aparecida, SP), local onde a santa padroeira do Brasil fica alojada, e atirou a estátua sacra no chão. Maria Helena foi designada para cuidar do restauro e conta que “quando chegou, em uma caixa, toda quebrada, senti pânico”. Ela, que era cética até então, garante que ao ficar sozinha com a santa teve momentos de paz e revelação. “Restaurei a imagem e ela restaurou minha alma, meu espírito, minha vida”, complementa.

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Algo que atrapalha um pouco na assimilação dos relatos é o amálgama de Marias que o documentário se torna. No meio do filme, o espectador já não se lembra mais quais Marias falaram o quê e de onde eram, com exceção de alguns casos mais notáveis. Os relatos, ao mesmo tempo, ficam mais lentos e repetitivos, o que pode até ajudar a explicitar a mensagem que, segundo a diretora, “Maria somos todas nós, mulheres. Até as que não se chamam Maria ou não creem são influenciadas por ela”.

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Há 24 países na América Latina e todos têm como padroeira a Virgem Maria. Mesmo sabendo que cada culto seja distinto um do outro, o fato da figura ser tão grande acaba tornando-a fundamental na identidade do povo latino. Na simbologia, Maria carrega consigo um grande poder da força feminina, o que dá ainda mais relevância para sua imagem nos tempos atuais. É um filme maçante, mas que pode servir como inspiração ou mesmo preencher a curiosidade para as(os) interessadas(os). E se você tem em si o santo nome em nome próprio, corra para os cinemas que as Marias entram de graça na primeira semana.

Tags: #Documentário
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